Seixal suspende grandes eventos para financiar reconstrução após tempestades

Cultura em pausa: Autarquia redireciona verbas para reparar danos de 15 milhões

A Câmara Municipal do Seixal decidiu suspender alguns dos principais eventos culturais de 2026 para canalizar as respetivas verbas para a reconstrução de infraestruturas destruídas pelas recentes intempéries. A estimativa aponta para prejuízos na ordem dos 15 milhões de euros e a prioridade, garante o presidente Paulo Silva, é devolver a normalidade ao concelho o mais rapidamente possível.
Município redireciona verbas culturais para obras urgentes

Antes mesmo de estarem fechadas todas as contas dos estragos, o município avançou com uma decisão que altera o calendário cultural do próximo ano. O Festival do Maio, o Seixal World Music e o Splash Seixal não se realizarão em 2026, regressando apenas em 2027.
A medida surge numa altura em que o concelho ainda contabiliza os danos provocados pelas depressões que atingiram o país e que deixaram um rasto de destruição em várias regiões, incluindo a península de Setúbal.

Danos avultados e plano de emergência ativado
Segundo a autarquia, as intempéries das últimas semanas causaram estragos significativos em infraestruturas escolares, desportivas, culturais e rodoviárias por todo o concelho. Perante o cenário, foi ativado o Plano Municipal de Emergência.
O valor global dos prejuízos ainda não está totalmente apurado, mas deverá rondar os 15 milhões de euros.
Portugal registou 18 vítimas mortais na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, fenómenos que provocaram ainda centenas de feridos e desalojados. A destruição parcial e total de habitações e empresas, a queda de árvores e estruturas, o corte de estradas, escolas e transportes, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações, figuram entre as principais consequências do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
O concelho do Seixal destacou-se como um dos territórios da península de Setúbal mais atingidos, com várias ocorrências de inundações em espaços públicos e privados.

Vale de Milhaços e Corroios entre as zonas afetadas
No dia 11 de Fevereiro, uma rua em Vale de Milhaços ficou submersa após o rebentamento de uma bacia de retenção, afetando diversas habitações. Dias antes, a avenida da Fábrica da Pólvora, em Corroios, já tinha sido inundada, situação que obrigou ao realojamento de pelo menos uma família por parte do município.
Também a Estrada Nacional 378, que liga os concelhos do Seixal e Sesimbra, teve de ser encerrada devido a inundações que causaram o colapso das bermas, impondo uma intervenção de emergência.
Questionado anteriormente sobre o ressarcimento dos moradores afetados, Paulo Silva adiantou que o processo foi remetido para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

"A prioridade é reerguer o que foi destruído"
Em comunicado, o presidente da Câmara Municipal do Seixal sublinha que, apesar de o município aguardar apoio financeiro do Governo, foi tomada a decisão de avançar desde já com a reafetação de verbas.
"Neste momento, a prioridade da Câmara Municipal do Seixal é reerguer aquilo que ficou destruído e, por essa razão, decidimos utilizar as verbas que normalmente são aplicadas na realização de grandes eventos no concelho para iniciarmos, enquanto não chega o esperado apoio governamental, as obras de reconstrução das várias infraestruturas danificadas, as quais são urgentes e muito necessárias para repor a normalidade na vida de todos nós", afirmou. 
No mesmo comunicado, o autarca deixou ainda um agradecimento público aos trabalhadores municipais, às forças de segurança e aos operacionais da proteção civil pelo esforço contínuo na resposta às ocorrências e na reposição gradual da normalidade.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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