Ponte, ciclovias e ligação fluvial: os projetos que podem transformar o concelho da Moita

Autarquia quer liderar recuperação regional com projetos de mobilidade, ambiente e investimento no âmbito do PTRR 

A recuperação do concelho da Moita após as fortes tempestades do início de 2026 pode ganhar um novo impulso com um conjunto de projetos estratégicos apresentados pela autarquia no âmbito do PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência. Entre as propostas estão novas ligações rodoviárias e fluviais, um plano de drenagem para reduzir riscos de inundação e projetos ambientais que pretendem reforçar a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida na Moita, Baixa da Banheira, Alhos Vedros e Sarilhos Pequenos. 
Cinco projetos estruturantes para reforçar mobilidade e ambiente

A Câmara Municipal da Moita apresentou cinco projetos considerados estruturantes para o futuro do concelho durante uma sessão extraordinária do Conselho Regional da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.
A reunião teve como objetivo definir o contributo regional para o PTRR, programa criado para apoiar a recuperação dos territórios mais afetados pelas tempestades que atingiram o país no início de 2026.
Durante a sessão, o presidente da Câmara da Moita, Carlos Albino, defendeu que estas intervenções representam "uma oportunidade para reforçar a resiliência do território e melhorar de forma concreta o quotidiano das populações".
Segundo a autarquia, os projetos apresentados visam não apenas reparar danos provocados pelas intempéries, mas também criar infraestruturas capazes de preparar o concelho para desafios futuros, incluindo as alterações climáticas e o crescimento da mobilidade na região.
"A prioridade da Câmara da Moita é garantir que o investimento público resulte em benefícios reais para os munícipes, quer na segurança, quer na mobilidade e na valorização do território", refere a autarquia.

Plano de drenagem para reduzir risco de inundações
Entre as propostas apresentadas destaca-se o desenvolvimento de um plano de drenagem associado ao rio Tejo.
O projeto prevê a realização de um estudo integrado da bacia hidrográfica e a implementação de medidas para melhorar o escoamento das águas, envolvendo entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente e os municípios da Moita e de Palmela.
A Câmara da Moita explica que o objetivo passa por "mitigar os galgamentos recorrentes em pontes e infraestruturas hidráulicas", através da requalificação de linhas de água, criação de bacias de retenção e melhoria dos atravessamentos hidráulicos.
Segundo o município, esta intervenção inclui também uma componente de adaptação às alterações climáticas, permitindo reduzir o risco de inundação em zonas urbanas e periurbanas do concelho.

Ligação fluvial entre a Moita e Lisboa
Outro dos projetos considerados estratégicos pela autarquia é a criação de uma nova ligação fluvial entre a Moita e Lisboa.
A proposta inclui a construção de um cais em Alhos Vedros, equipado com ponto de acostagem, interface de transporte e estacionamento de apoio à mudança modal.
"A criação desta ligação fluvial permitirá reforçar a mobilidade metropolitana e reduzir a pressão sobre a rede rodoviária", sublinha a Câmara da Moita.
O projeto prevê ainda a descontaminação de solos na frente ribeirinha, a valorização paisagística da zona e a criação de novas oportunidades turísticas, incluindo a dinamização de embarcações tradicionais e circuitos ribeirinhos.
Para a autarquia, esta intervenção poderá também reforçar a ligação da Moita à rede de transportes metropolitanos, contribuindo para uma mobilidade mais sustentável na região.

Ciclovia intermunicipal e corredores verdes
Moita aposta em mobilidade e drenagem no estuário do Tejo
A mobilidade suave é outra das apostas do município. A proposta inclui a criação de uma ciclovia intermunicipal que ligará a Moita, Palmela e o Montijo, garantindo continuidade à rede ciclável existente.
Segundo a Câmara da Moita, o projeto prevê percursos seguros e segregados, com ligação a escolas, zonas residenciais e interfaces de transporte.
"A aposta na mobilidade suave é fundamental para promover estilos de vida mais saudáveis e reduzir a dependência do automóvel", refere a autarquia.
Além disso, foi também apresentado um projeto de intervenção ambiental na frente ribeirinha entre o Parque José Afonso, na Baixa da Banheira, e o Barreiro.
A iniciativa inclui a recuperação ambiental da zona, descontaminação de solos e criação de corredores verdes.
De acordo com a Câmara da Moita, está igualmente prevista a demolição de habitação ilegal e indigna, acompanhada de processos de realojamento, reforçando a componente social da intervenção.
"A qualificação urbana desta área permitirá criar novos espaços de lazer, percursos pedonais e cicláveis e potenciar a valorização paisagística do estuário do Tejo" e integra ainda a criação de "pontos de acostagem para embarcações tradicionais, zonas de estadia e valorização paisagística, promovendo a articulação entre ambiente, recreio e turismo sustentável na Baixa da Banheira e no Barreiro", acrescenta o município. 

Nova ponte entre Sarilhos Pequenos e Sarilhos Grandes
Outro dos projetos apresentados pretende resolver uma antiga descontinuidade territorial entre duas localidades vizinhas.
A proposta prevê a construção de uma ponte rodoviária entre Sarilhos Pequenos, no concelho da Moita, e Sarilhos Grandes, no concelho do Montijo.
Segundo a Câmara da Moita, a nova ligação permitirá "reduzir o isolamento de Sarilhos Pequenos e facilitar o acesso da população a serviços, equipamentos públicos e postos de trabalho".
O projeto inclui também a reformulação de acessos e novas infraestruturas de drenagem.
Para a autarquia, esta ligação poderá criar novas oportunidades de investimento privado, nomeadamente nas áreas do turismo e da reabilitação urbana.
"A melhoria das acessibilidades contribuirá para a fixação de população e para a valorização de todo o território", refere a Câmara da Moita.

Investimento estratégico para o futuro do concelho
No conjunto, as cinco propostas apresentadas pelo município pretendem reforçar a resiliência territorial, melhorar a mobilidade e valorizar os recursos naturais do concelho.
Segundo a Câmara da Moita, estas intervenções colocam o concelho "na linha da frente da recuperação regional", garantindo que os investimentos estratégicos se traduzem em mais segurança, melhor mobilidade e maior qualidade de vida para a população.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 


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