Rugby de Setúbal denuncia racismo em Arcos de Valdevez neste sábado

Acusações de insultos racistas e agressões abalam campeonato nacional de rugby

O que começou como mais uma jornada decisiva da fase final do Campeonato Nacional de rugby transformou-se num caso que promete ultrapassar as quatro linhas. O Rugby de Setúbal acusa adeptos do Clube de Rugby de Arcos de Valdevez de insultos racistas e agressões físicas durante o encontro disputado no sábado, em Arcos de Valdevez. O clube minhoto rejeita todas as acusações e anuncia que vai avançar com uma queixa-crime por difamação. A equipa de Setúbal garante ter provas em vídeo que serão enviadas à Federação Portuguesa de Rugby e à Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto. 
Acusações de racismo e agressões marcam jogo de rugby 

A reação do CRAV - Clube de Rugby de Arcos de Valdevez - surgiu poucas horas após a divulgação pública das denúncias. Em comunicado, o emblema de Arcos de Valdevez classificou as acusações como "mentiras" e "deturpações" destinadas a manchar os 45 anos de história da instituição.
"O CRAV é uma instituição que nunca esteve associada a atos racistas ou xenófobos. Pelo contrário, na sua comunidade conta com elementos de várias proveniências e etnias", refere a direção, que sublinha ainda o estatuto de utilidade pública do clube.
Considerando as declarações "caluniosas", o CRAV anunciou o corte imediato de relações institucionais com o clube sadino e revelou a intenção de apresentar uma queixa por difamação em tribunal civil. Paralelamente, manifestou "total disponibilidade e colaboração" para quaisquer processos de averiguação que venham a ser conduzidos pelas instâncias disciplinares.

As denúncias feitas em Setúbal
Do lado sadino, a versão é bem diferente. Num comunicado publicado nas redes sociais no domingo, a Academia do Rugby de Setúbal denunciou publicamente episódios que descreve como "vergonhosos e criminosos", ocorridos durante a quarta jornada da fase final do Campeonato Nacional.
Segundo o clube, na segunda parte do encontro, o juiz de linha Daniel Sebastián terá sido alvo de insultos racistas constantes por parte de adeptos da equipa visitada. "O termo "macaco" foi proferido repetidamente. O racismo e a xenofobia não são "calor do jogo", são crime", lê-se na nota divulgada.
A direção setubalense relata ainda que, após o apito final, se verificou uma "invasão de campo", com adeptos do clube da casa a descerem da bancada alegadamente para agredir o juiz de linha. No meio da confusão, o presidente e treinador do clube de Setúbal, João Terlim, terá sido também agredido quando tentava proteger o colega de equipa de arbitragem.

Acusações ao árbitro e envio de provas às autoridades
O comunicado do Rugby de Setúbal vai mais longe e aponta críticas à atuação da equipa de arbitragem. O clube alega que o árbitro principal, num "ato de total conivência e falta de ética", terá impedido que os incidentes fossem registados no boletim de jogo, tentando, segundo os sadinos, "silenciar a verdade perante as instâncias disciplinares".
Perante a gravidade do que descreve, o clube garante já ter reunido provas em vídeo que serão enviadas à Federação Portuguesa de Rugby e à Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto.
Os responsáveis setubalenses sublinham que não aceitarão "que o racismo e a violência física sejam varridos para debaixo do tapete por quem deveria zelar pela justiça no campo".

Um caso que ultrapassa o relvado
O encontro disputado no sábado, a contar para a quarta jornada da fase final do Campeonato Nacional, fica agora marcado por uma polémica que ameaça prolongar-se nos tribunais e nos órgãos disciplinares.
Entre acusações graves, negações categóricas e processos judiciais anunciados, o rugby português enfrenta mais um teste à sua capacidade de resposta perante alegações de racismo e violência no desporto.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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