Chuva agrava instabilidade nas arribas e encostas e obriga a retirar dezenas de pessoas de casa
A localidade de Porto Brandão, no concelho de Almada, começou a ser evacuada esta quarta-feira, 11 de Fevereiro, devido ao risco de deslizamento de terras nas arribas, confirmou a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros. A operação está em curso e, para já, ainda não é possível saber o número exato de pessoas que terão de abandonar a zona, uma vez que a situação continua a evoluir ao longo do dia. A zona de São João da Caparica também é delicada.![]() |
| Porto Brandão começou a ser evacuada por risco de derrocada |
"Neste momento, o que está em curso é, de facto, um processo de evacuação de Porto Brandão, porque aí é que se teme uma derrocada maior que pode cortar os acessos", explicou Inês de Medeiros.
Estrada interditada e ligação fluvial limitada
Com o agravamento do risco, a estrada de Porto Brandão já se encontra interditada a viaturas. Como consequência direta, a Estação Fluvial foi encerrada e o serviço de transporte de passageiros passou a estar temporariamente limitado à ligação Trafaria - Belém, mantendo os horários em vigor.
A Transtejo também suspendeu a ligação habitual, mas disponibilizou embarcações para apoio, caso seja necessário retirar viaturas ou ajudar pessoas a sair do local.
"A Transtejo também já cortou, naturalmente, a ligação, mas também já disponibilizou barcos para ajudar a retirar viaturas ou pessoas, caso seja necessário, porque a estrada já está interditada a viaturas", referiu a autarca.
Pessoas já saíam há 10 dias: "A chuva não para"
Embora a evacuação tenha arrancado formalmente esta quarta-feira, a saída de moradores não é um fenómeno novo. Segundo a presidente da autarquia, muitas pessoas já deixaram Porto Brandão ao longo dos últimos 10 dias, num processo gradual motivado pela monitorização contínua do terreno.
"Já muitas pessoas têm saído nos últimos 10 dias, porque temos vindo a monitorizar a situação. A chuva não pára e aquilo tem vindo a agravar-se", disse.
Entretanto, os serviços sociais do município estão a fazer um levantamento casa a casa, contactando também pessoas que possam estar fora por motivos de trabalho, para que regressem e consigam recolher bens essenciais.
"Está tudo a correr bem, de uma forma pacífica. As pessoas estão a vir buscar as coisas e a tentar arranjar soluções familiares. As que não tiverem, o município assegurará", garantiu.
Embora a evacuação tenha arrancado formalmente esta quarta-feira, a saída de moradores não é um fenómeno novo. Segundo a presidente da autarquia, muitas pessoas já deixaram Porto Brandão ao longo dos últimos 10 dias, num processo gradual motivado pela monitorização contínua do terreno.
"Já muitas pessoas têm saído nos últimos 10 dias, porque temos vindo a monitorizar a situação. A chuva não pára e aquilo tem vindo a agravar-se", disse.
Entretanto, os serviços sociais do município estão a fazer um levantamento casa a casa, contactando também pessoas que possam estar fora por motivos de trabalho, para que regressem e consigam recolher bens essenciais.
"Está tudo a correr bem, de uma forma pacífica. As pessoas estão a vir buscar as coisas e a tentar arranjar soluções familiares. As que não tiverem, o município assegurará", garantiu.
Faculdade ajuda na monitorização das arribas
A Câmara Municipal de Almada tem acompanhado a evolução do risco com apoio técnico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, localizada no Monte da Caparica.
Segundo Inês de Medeiros, há vários pontos críticos ao longo de toda a arriba, e a preocupação não se limita a Porto Brandão.
"Nós estamos com desabamentos e deslizamentos de terra um pouco por todo o lado ao longo de toda a arriba. Almada, sobretudo a Costa de Caparica, que está entre o mar e a arriba, tem arribas que exigem preocupação", afirmou, alargando a vigilância às zonas que seguem o rio até Cacilhas.
A autarca acrescentou ainda que os serviços municipais permanecem no território, em vigilância permanente.
A Câmara Municipal de Almada tem acompanhado a evolução do risco com apoio técnico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, localizada no Monte da Caparica.
Segundo Inês de Medeiros, há vários pontos críticos ao longo de toda a arriba, e a preocupação não se limita a Porto Brandão.
"Nós estamos com desabamentos e deslizamentos de terra um pouco por todo o lado ao longo de toda a arriba. Almada, sobretudo a Costa de Caparica, que está entre o mar e a arriba, tem arribas que exigem preocupação", afirmou, alargando a vigilância às zonas que seguem o rio até Cacilhas.
A autarca acrescentou ainda que os serviços municipais permanecem no território, em vigilância permanente.
Governo não contactou a autarquia sobre o caso
Questionada sobre contactos por parte de entidades governamentais face ao deslizamento de maior dimensão, a presidente da Câmara disse não ter sido contactada.
No caso concreto de Porto Brandão, afirmou ter recebido apenas um contacto do presidente da Transtejo, que disponibilizou meios para o que fosse necessário.
Questionada sobre contactos por parte de entidades governamentais face ao deslizamento de maior dimensão, a presidente da Câmara disse não ter sido contactada.
No caso concreto de Porto Brandão, afirmou ter recebido apenas um contacto do presidente da Transtejo, que disponibilizou meios para o que fosse necessário.
100 pessoas deslocadas até terça-feira à noite no concelho
De acordo com dados da autarquia, até à noite de terça-feira existiam 100 pessoas deslocadas no concelho de Almada.
Dessas, 70 foram acolhidas através de soluções encontradas pela câmara municipal, distribuídas por várias zonas: quatro no Segundo Torrão, 42 da Azinhaga dos Formozinhos, duas de Santo António da Caparica, três da Fonte Santa, uma de Olho de Boi, cinco de Abas da Raposa, quatro do Raposo e nove de São João da Caparica.
De acordo com dados da autarquia, até à noite de terça-feira existiam 100 pessoas deslocadas no concelho de Almada.
Dessas, 70 foram acolhidas através de soluções encontradas pela câmara municipal, distribuídas por várias zonas: quatro no Segundo Torrão, 42 da Azinhaga dos Formozinhos, duas de Santo António da Caparica, três da Fonte Santa, uma de Olho de Boi, cinco de Abas da Raposa, quatro do Raposo e nove de São João da Caparica.
Costa de Caparica: pedra atingiu prédio e 31 pessoas foram retiradas
A instabilidade das arribas também se fez sentir na Costa de Caparica, onde uma pedra se desprendeu e atingiu um prédio. A ocorrência obrigou à retirada de 31 pessoas, sem registo de vítimas, informou o Comando Sub-Regional da Península de Setúbal.
"A arriba que está junto destes prédios está a ter movimentos e, cerca das 03h38, uma pedra de dimensões significativas deslizou e atingiu o número três da Rua João Azevedo. Esta situação obrigou à retirada de 31 pessoas, que foram entretanto encaminhadas para equipamentos da autarquia e para casa de familiares", adiantou a fonte.
No local estiveram 17 operacionais, apoiados por seis veículos.
A instabilidade das arribas também se fez sentir na Costa de Caparica, onde uma pedra se desprendeu e atingiu um prédio. A ocorrência obrigou à retirada de 31 pessoas, sem registo de vítimas, informou o Comando Sub-Regional da Península de Setúbal.
"A arriba que está junto destes prédios está a ter movimentos e, cerca das 03h38, uma pedra de dimensões significativas deslizou e atingiu o número três da Rua João Azevedo. Esta situação obrigou à retirada de 31 pessoas, que foram entretanto encaminhadas para equipamentos da autarquia e para casa de familiares", adiantou a fonte.
No local estiveram 17 operacionais, apoiados por seis veículos.
Derrocada na EN378 imobilizou viatura na Charneca de Caparica
Ainda esta quarta-feira, pelas 06h16, registou-se uma derrocada na Estrada Nacional 378, na Charneca de Caparica, também no concelho de Almada.
O incidente obrigou à retirada do condutor de uma viatura que ficou imobilizada na via. O homem não sofreu ferimentos.
Ainda esta quarta-feira, pelas 06h16, registou-se uma derrocada na Estrada Nacional 378, na Charneca de Caparica, também no concelho de Almada.
O incidente obrigou à retirada do condutor de uma viatura que ficou imobilizada na via. O homem não sofreu ferimentos.
Acolhimento no Caparica Sun Center e no Inatel
A vereadora da Proteção Civil, Francisca Parreira, explicou na noite de terça-feira, durante a reunião da Assembleia Municipal, que as pessoas retiradas foram acolhidas no Caparica Sun Center, na Costa de Caparica, e no Inatel.
O Seminário de Almada também disponibilizou alojamento, caso seja necessário reforçar a resposta.
A vereadora da Proteção Civil, Francisca Parreira, explicou na noite de terça-feira, durante a reunião da Assembleia Municipal, que as pessoas retiradas foram acolhidas no Caparica Sun Center, na Costa de Caparica, e no Inatel.
O Seminário de Almada também disponibilizou alojamento, caso seja necessário reforçar a resposta.
IPMA alertou para chuva e vento devido à depressão Nils
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha alertado na terça-feira para a previsão de chuva e vento por vezes fortes, associados à depressão Nils.
Ainda assim, segundo o IPMA, esta depressão não deverá afetar diretamente Portugal continental mas as chuvas fortes deverão continuar a cair até quinta-feira à tarde.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha alertado na terça-feira para a previsão de chuva e vento por vezes fortes, associados à depressão Nils.
Ainda assim, segundo o IPMA, esta depressão não deverá afetar diretamente Portugal continental mas as chuvas fortes deverão continuar a cair até quinta-feira à tarde.
Agência de Notícias
Fotografia: Design ADN

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