Moita aponta falhas do Estado em reunião com Aguiar-Branco em Sesimbra

Ambiente, mobilidade e escolas estão no centro das preocupações de Carlos Albino 

A Moita fez ouvir a sua voz esta segunda-feira no auditório Conde Ferreira, em Sesimbra, durante a iniciativa Parlamento Próximo, num encontro que juntou o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, aos autarcas do distrito de Setúbal. Em cima da mesa estiveram problemas estruturais da região e reivindicações antigas que os municípios consideram urgentes resolver. O autarca da Moita foi dizer que o ambiente, mobilidade e escolas estão no centro das preocupações. 
Autarca quer ligar de barco o Cais de Alhos Vedros a Lisboa 

A sessão integrou a agenda do Parlamento Próximo, programa que pretende aproximar a Assembleia da República das realidades locais, desta vez no Círculo Eleitoral de Setúbal, ouvindo diretamente os presidentes de câmara sobre os desafios que enfrentam diariamente.
Entre as intervenções, destacou-se a de Carlos Albino, presidente da Câmara Municipal da Moita, que sublinhou matérias consideradas prioritárias para o concelho. O autarca começou por salientar a importância da proteção ambiental: "É fundamental que se reforcem os cuidados com o ambiente e a saúde pública. Questões ligadas à Simarsul e à Amarsul não podem continuar sem respostas concretas", disse.
No capítulo da mobilidade, Albino defendeu investimentos estruturantes: "A construção de um novo nó de acesso à A33 e o terminal fluvial na Moita são essenciais para melhorar a qualidade de vida, reduzir os tempos de deslocação e promover o desenvolvimento económico local", afirmou. A câmara municipal também insiste no desenvolvimento de um terminal fluvial em Alhos Vedros, reforçando a aposta no transporte fluvial, uma obra já com três milhões de financiamento por parte do Governo.  
O presidente da Câmara da Moita chamou ainda a atenção para os problemas na transferência de competências: "O incumprimento do Estado nas suas obrigações, sobretudo na reabilitação de escolas e centros de saúde, tem colocado enormes constrangimentos às nossas autarquias", alertou.

Estratégia regional e fundos europeus até 2026
A intervenção da Moita enquadra-se numa estratégia mais ampla delineada pela Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, organismo que reúne os nove municípios da região. Os autarcas consensualizaram um conjunto de prioridades transversais nas áreas da Habitação e Coesão Social, Ambiente e Ordenamento do Território, Inovação e Competitividade, bem como Mobilidade e Acessibilidade Metropolitana.
Liderada pelo presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Frederico Rosa, a CIM está a preparar uma estratégia regional a concluir até ao final do terceiro trimestre de 2026, documento considerado essencial para reforçar a captação de fundos europeus.
Frederico Rosa defendeu que a margem sul tem sido prejudicada na distribuição de verbas comunitárias e sublinhou a necessidade de reconhecer as especificidades do território. "A margem do lado de cá não tinha as mesmas condições que a margem do lado de lá, e era importante reconhecer desde logo esta especificidade para que possamos competir e concorrer para convergirmos para aquilo que nós queremos", afirmou.
O autarca foi eleito presidente da CIM, tendo como vice-presidentes os autarcas de Setúbal e do Seixal. Para primeiro secretário foi escolhido Álvaro Amaro, antigo presidente da Câmara Municipal de Palmela.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

Comentários