Editorial: Vale tudo nas redes sociais, ou ainda acreditamos que a liberdade exige caráter?
Nos últimos dias, a ADN-Agência de Notícias, a sua administradora e eu próprio, enquanto diretor, fomos alvo de referências públicas num grupo de rede social Facebook, concretamente no grupo Pinhal Novo a Concelho e Cidade, acompanhadas por insinuações, linguagem intimidatória e a exposição indevida de imagem pessoal. Escrevo este editorial por uma razão simples. O jornalismo tem regras e nós escolhemos cumpri-las, mesmo quando outros escolhem a facilidade do ataque. Mesmo quando outros confundem liberdade de expressão com licença para difamar.![]() |
| A ADN está a ser alvo de difamação num grupo de Facebook |
A liberdade de expressão é um pilar democrático. Mas há uma pergunta que não pode ser ignorada, sobretudo quando se fala de redes sociais e grupos locais com milhares de pessoas. Vale tudo?
Vale tudo chamar “capo” a um jornalista, insinuando criminalidade e desonra, perante uma comunidade inteira.
Vale tudo usar o rosto de um cidadão para o expor ao ódio, à chacota e à perseguição.
Vale tudo publicar um “aviso” insinuando represálias, como se a intimidação fosse argumento.
Vale tudo transformar um espaço comunitário num palco de linchamento digital, onde o contraditório é bloqueado e o debate é selecionado a dedo.
Vale tudo chamar “capo” a um jornalista, insinuando criminalidade e desonra, perante uma comunidade inteira.
Vale tudo usar o rosto de um cidadão para o expor ao ódio, à chacota e à perseguição.
Vale tudo publicar um “aviso” insinuando represálias, como se a intimidação fosse argumento.
Vale tudo transformar um espaço comunitário num palco de linchamento digital, onde o contraditório é bloqueado e o debate é selecionado a dedo.
Não. Não vale!
E é precisamente aqui que começa o problema. Quando a discussão deixa de ser sobre ideias e passa a ser sobre pessoas. Quando a crítica deixa de ser legítima e passa a ser deliberadamente destrutiva. Quando o objetivo já não é discordar de um projeto editorial, mas sim reduzir a sua credibilidade a pó, à custa de insultos e manipulação.
E é precisamente aqui que começa o problema. Quando a discussão deixa de ser sobre ideias e passa a ser sobre pessoas. Quando a crítica deixa de ser legítima e passa a ser deliberadamente destrutiva. Quando o objetivo já não é discordar de um projeto editorial, mas sim reduzir a sua credibilidade a pó, à custa de insultos e manipulação.
O caso é simples e qualquer cidadão entende. Foi anunciado que alguns conteúdos específicos poderão passar a ter subscrição paga. Uma decisão editorial e empresarial legítima, transparente e assumida, que não apaga um facto essencial. Mais de 95 por cento do nosso trabalho continua gratuito, acessível e aberto.
A diferença é que nós fazemos jornalismo no terreno. Estamos onde poucos estão. Falamos com quem muitos ignoram. Registramos o que outros preferem não ver. E sim, isso incomoda.
Só este mês, até esta quinta-feira, o nosso site registou 243 mil 274 visualizações. Acrescenta-se o número das redes sociais. Levamos o Pinhal Novo e a região ao mundo. Fazemo-lo com recursos muito limitados e com uma convicção inabalável de serviço público. Talvez seja isso que incomoda.
Incomoda sobretudo quem prefere uma comunidade em silêncio, domesticada, fechada, sem conhecimento.
Incomoda sobretudo quem prefere uma comunidade em silêncio, domesticada, fechada, sem conhecimento.
O mais revelador, no entanto, não é a crítica à subscrição. A crítica é legítima, mesmo quando é injusta. O mais revelador é o método.
Em vez de contacto direto, optou-se por publicar insinuações.
Em vez de um pedido de esclarecimento, optou-se por um rótulo.
Em vez de responsabilidade, optou-se por espetáculo.
E quando pedi a remoção de uma publicação que usava a imagem da ADN-Agência de Notícias de forma abusiva, a resposta não foi a correção, nem o bom senso, nem o respeito. Foi a recusa. Foi a provocação. Foi um "és doente". É aqui que a questão deixa de ser apenas moral. Passa a ser também jurídica e vazia de conteúdo.
Em vez de contacto direto, optou-se por publicar insinuações.
Em vez de um pedido de esclarecimento, optou-se por um rótulo.
Em vez de responsabilidade, optou-se por espetáculo.
E quando pedi a remoção de uma publicação que usava a imagem da ADN-Agência de Notícias de forma abusiva, a resposta não foi a correção, nem o bom senso, nem o respeito. Foi a recusa. Foi a provocação. Foi um "és doente". É aqui que a questão deixa de ser apenas moral. Passa a ser também jurídica e vazia de conteúdo.
O direito à imagem não é um capricho. Não é uma opinião. Não é um detalhe para redes sociais. É um direito protegido, nomeadamente pelo Artigo 79.º do Código Civil. E a honra não é um acessório. É um direito básico, protegido e reconhecido. Tal como o direito à propriedade intelectual da marca.
O que se passou, e continua a passar, tem contornos claros de difamação e injúria. Tem contornos preocupantes de ameaça velada. E tem uma componente grave de uso abusivo de imagem com intenção ofensiva.
Mais grave ainda, tudo isto é amplificado pelo estatuto de administrador do grupo. Porque um administrador não é apenas mais um utilizador. Um administrador controla, modera, permite, bloqueia, seleciona. Um administrador decide quem fala e quem é silenciado.
Quando um administrador usa essa posição para atacar, não está apenas a emitir opinião. Está a transformar uma ferramenta comunitária numa arma... sem regras e sem conteúdo.
E aqui surge outra pergunta, ainda mais incómoda. Que tipo de literacia democrática existe quando se confunde moderação com censura seletiva. Quando se fala em liberdade, mas se impede o comentário. Quando se exige respeito, mas se promove o insulto. Quando se invoca a comunidade, mas se pratica a perseguição.
O jornalismo não é perfeito. Mas é fiscalizável. Tem rosto, tem assinatura, tem responsabilidade editorial. Tem regras, tem deveres, tem consequências. Quem trabalha numa redação sabe que uma palavra mal colocada pode ter impacto real. E é por isso que trabalhamos com rigor, com cuidado, com contraditório e com compromisso.
Já a impunidade digital é outra coisa. É a facilidade de atacar sem custo. É o conforto de difamar sem prova. É a tentação de intimidar sem coragem. É a degradação do espaço público.
Também é lamentável que, após denúncias, a plataforma mantenha uma postura de inércia. O Facebook tem meios técnicos, tem equipas, tem políticas e tem capacidade de intervenção. Quando escolhe não agir, torna-se parte do problema.
Exijo respeito, educação e bom senso. Não nos moverá o ruído. Não nos distrairá o insulto. Não nos travará a intimidação. Contudo, a paciência tem limites.
Este projeto editorial não se alimenta de conflitos. Alimenta-se de factos, rigor e compromisso com a comunidade. Exigimos a retirada imediata das publicações que utilizam indevidamente a minha imagem e o nome da ADN-Agência de Notícias. Caso persistam comportamentos difamatórios ou intimidatórios, recorreremos aos meios legais adequados.
Não por vaidade. Não por ego. Mas por princípio. Pela defesa do nosso bom nome. E pela proteção do direito de qualquer cidadão a não ser alvo de perseguição pública por fazer o seu trabalho.
Resta a pergunta que deixamos aos leitores: vale tudo nas redes sociais, ou ainda acreditamos que a liberdade exige caráter?
O nosso trabalho irá continuar. A impunidade digital, essa, esperamos que esteja a ficar sem espaço.
Impressões Digitais por Paulo Jorge Oliveira
Diretor:
Fotografia: Design ADN

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