Protesto no Carnaval reacende debate sobre direitos na indústria alimentar da cidade
Num país onde - quase de forma generalizada - a terça-feira de Carnaval é tratada como feriado, os trabalhadores da Izidoro, na unidade do Montijo, trabalham há cerca de 10 anos nesse dia, transformado este ano num momento de greve e manifestação, através de uma paralisação convocada pelo STIAC. Cerca de duas dezenas de trabalhadores concentraram-se esta terça-feira à entrada da empresa para exigirem melhores condições salariais e a reposição do direito ao gozo da terça-feira de Carnaval.![]() |
| Fábrica da Izidoro no Montijo não dá feriado no Carnaval |
A paralisação surge num contexto de reivindicações mais vastas, onde se incluem aumentos salariais, a reposição de direitos retirados ao longo dos últimos anos e a fixação do salário mínimo nos mil euros, com efeitos a 1 de Janeiro.
Após o fim do contrato coletivo em 2016, vários direitos deixaram de ser aplicados, incluindo o gozo do feriado de Carnaval, situação que continua a gerar contestação.
Segundo Marcos Rebocho, dirigente sindical, essa perda mantém-se como um símbolo do recuo nos direitos laborais. "A empresa fez questão de retirar esse dia, terça-feira de Carnaval, que os trabalhadores tinham quando caducou o Contrato Coletivo de Trabalho em 2016", disse.
O sindicalista admite que existiram pequenos avanços recentes, mas insuficientes. "Apesar de, no último ano, terem aumentado o subsídio de alimentação, na negociação da contratação coletiva e dos acordos de empresa não temos tido sucesso", acrescentou.
Direitos salariais e condições laborais no centro do protesto
Entre as exigências está a atualização do subsídio de refeição para oito euros diários, 25 dias de férias anuais, reposição e atualização das diuturnidades e a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais.
A unidade pertence ao grupo Montalva, empresa que, segundo os trabalhadores, deixou de aplicar diuturnidades aos novos funcionários.
Com 45 anos de trabalho na empresa, Lina Andrade descreve a realidade salarial atual. "Os salários são baixos, o nosso salário é o salário mínimo nacional. Conseguimos aumentar o subsídio de refeição para seis euros, mas não temos direitos nenhuns", afirmou.
Entre as exigências está a atualização do subsídio de refeição para oito euros diários, 25 dias de férias anuais, reposição e atualização das diuturnidades e a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais.
A unidade pertence ao grupo Montalva, empresa que, segundo os trabalhadores, deixou de aplicar diuturnidades aos novos funcionários.
Com 45 anos de trabalho na empresa, Lina Andrade descreve a realidade salarial atual. "Os salários são baixos, o nosso salário é o salário mínimo nacional. Conseguimos aumentar o subsídio de refeição para seis euros, mas não temos direitos nenhuns", afirmou.
Greve reflete descontentamento crescente no setor alimentar
A paralisação na unidade do distrito de Setúbal evidencia um cenário mais amplo de contestação laboral na indústria alimentar, onde sindicatos defendem a atualização urgente dos salários e o reforço dos direitos sociais.
O objetivo passa por garantir maior estabilidade profissional e melhores condições de vida, numa altura em que o custo de vida continua a pressionar os rendimentos das famílias.
A paralisação na unidade do distrito de Setúbal evidencia um cenário mais amplo de contestação laboral na indústria alimentar, onde sindicatos defendem a atualização urgente dos salários e o reforço dos direitos sociais.
O objetivo passa por garantir maior estabilidade profissional e melhores condições de vida, numa altura em que o custo de vida continua a pressionar os rendimentos das famílias.
A Idizoro, o gigante da transformação de carnes
A unidade dedica-se ao abate e transformação de carnes. A empresa possui uma cadeia de valor integrada que abrange desde a criação animal até à produção final. Os seus principais produtos incluem:
Fiambres, salsichas (em lata e frescas), bacon, chouriços e presuntos. Carnes frescas e uma gama vegetariana: Sob a marca Veggie Lovers, produz alternativas à base de proteína vegetal, como hambúrgueres e salsichas de soja.
O grupo como um todo emprega mais de 1.500 colaboradores diretos em várias unidades. A fábrica do Montijo é o centro nevrálgico da operação, tendo sido alvo de investimentos recentes em sustentabilidade, como a instalação de painéis fotovoltaicos para transição energética.
Agência de Notícias
Fotografia: Design ADN

Comentários
Enviar um comentário