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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Seixal ordena fecho de cafés no Bairro da Jamaica

A associação de moradores sugeriu e a câmara municipal optou pelo encerramento de estabelecimentos

Os cafés do Bairro Jamaica, no Seixal vão ter de fechar para tentar conter o numero de casos de infeção por covid-19. A medida será executada esta quinta ou sexta-feira numa operação das autoridades de saúde, proteção civil e polícia, confirmou  o delegado regional de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Mário Durval. A associação de moradores de Vale de Chícharos, no Seixal, defendeu que o bairro, mais conhecido como Jamaica, deveria ser “isolado” e limitado aos moradores, responsabilizando as “pessoas que vêm de outros concelhos” pelo foco de infeção de covid-19. Na terça-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, informou que foram identificados três focos comunitários na área abrangida pelo Agrupamento de Centros de Saúde Almada-Seixal, com um total de 32 pessoas infetadas, 16 dos quais no Bairro da Jamaica. Segundo as autoridades nacionais, o principal foco de contagio foi uma festa de três dias, na Aroeira, no concelho de Almada, que reuniu centenas de pessoas vindas de municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Na altura da festa - de 1 a 3 de Maio - era proibido a deslocação entre concelhos. Ainda assim, a festa realizou-se à revelia das autoridades. Em Almada e no Seixal há 683 pessoas infetadas com o novo coronavírus.
Moradores pediram encerramento dos cafés 

Questionado sobre se esta será a melhor decisão para controlar a propagação da doença, Mário Durval lembra que esta é apenas mais uma das medidas de prevenção. "A principal decisão é sempre o isolamento das pessoas que são covid positivas", ressalva.
A decisão surge na sequência do alerta de moradores, que dizem que o distanciamento social e medidas de segurança não estão a ser seguidos nos cafés, justifica o delegado de saúde.
Os estabelecimentos deverão ser encerrados durante duas semanas, tempo de incubação do vírus, mas admite-se a possibilidade de prolongamento da medida "em função da evolução do surto do bairro".
Há pelo menos 16 casos de infeção com Covid-19 identificados no Bairro da Jamaica. Esta terça-feira, a diretora-geral da Saúde confirmou que este é um dos três focos da doença no distrito de Setúbal.
A associação de moradores de Vale de Chícharos, no Seixal, defendeu esta quarta-feira que o Bairro da Jamaica fosse fechado, permitindo apenas a entrada e saída a moradores, de forma a conter o surto de Covid-19 que surgiu no local.
“Deviam mesmo isolar o bairro e só saía ou entrava quem aqui mora”, disse à Lusa o presidente da Associação de Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, Salimo Mendes, que está preocupado com a aglomeração de pessoas nos cafés que se localizam junto ao bairro, no concelho do Seixal.
“Os cafés ao fim de semana não deixam dormir as pessoas que trabalham, com música e ajuntamento de pessoas que não usam máscara”, relatou.
O morador não sabe quem são as 16 pessoas do bairro que têm covid-19, mas, na sua visão, o foco de infeção teve origem em “pessoas que vêm de outros concelhos”.
“A população que mora aqui tem sempre cuidado, o que me preocupa são as pessoas que vêm de outros concelhos. Ninguém sai de casa, só quem está a trabalhar, só que há pessoas de outros concelhos que vêm aqui frequentar os cafés do bairro”, indicou.

Seixal quer reunir com Governo e Almada diz que não tem focos comunitários 
O município liderado por Joaquim Santos (PCP) indicou na terça-feira que o foco de covid-19 em Vale de Chícharos teve origem “numa festa na Aroeira (Almada) em que participaram vários jovens de diversos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa”, entre 1 e 3 de Maio.
Além disso, na nota divulgada, a autarquia lamentou ter conhecimento da realidade do concelho através da comunicação social, pedindo “mais informação e coordenação” ao Governo.
“Lamentamos que essa informação não tenha sido facultada ao município e às instituições que estão na linha da frente e que depois seja conhecida através da comunicação social. Não nos parece que esta seja a melhor forma de combatermos esta pandemia”, frisou.
Por este motivo, a autarquia já solicitou com urgência uma reunião à ministra da Saúde, Marta Temido, e à Unidade de Saúde Pública, de forma a “tomar todas as medidas necessárias para proteger e apoiar a população”.
Já a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), informou através da sua página no Facebook que nenhum dos três focos comunitários mencionados se situa no concelho.
“Almada integra o Agrupamento de Centros de Saúde Almada-Seixal mas não se regista, até ao momento, nenhum surto preocupante no concelho”, escreveu.
Almada e Seixal, registam o número mais preocupante de doentes com o novo coronavírus no distrito de Setúbal. Almada com 361, com um aumento de nove doentes em relação a terça-feira e o Seixal com 322, com 13 novos casos em relação ao dia anterior. Barreiro, com 217 casos e Moita com 146, são outros dos concelhos onde a pandemia se alastra. Montijo com 116 e Setúbal com 97 pessoas infetadas são outros dos municípios com mais casos. Sesimbra (33), Palmela (27) e Alcochete (23), apresentam números muito controlados desde o inicio deste mês.

Falta realojar 74 famílias do Bairro 
Atualmente ainda residem 74 famílias em condições precárias nos edifícios inacabados de Vale de Chícharos (lotes 13, 14 e 15), as quais aguardam pela segunda fase de realojamentos, que deveria ter acontecido até Dezembro do ano passado.
A 17 de fevereiro, a Câmara do Seixal informou que o processo se encontrava atrasado devido à especulação imobiliária, apelando ao Governo para reduzir o “grande diferencial” de comparticipação nos realojamentos.
A primeira fase terminou em 20 de Dezembro de 2018, quando 187 pessoas foram distribuídas por 64 habitações em várias zonas do concelho.
O acordo para a resolução da situação de carência habitacional neste bairro foi assinado em 22 de Dezembro de 2017, numa parceria entre a Câmara do Seixal, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e a Santa Casa da Misericórdia do Seixal.
No total, a cooperação visa o realojamento de 234 famílias e tem um investimento total na ordem dos 15 milhões de euros, dos quais 8,3 milhões são suportados pelo município.

Agência de Notícias com Lusa 

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