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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Obstetrícia do Hospital de Setúbal em risco de fechar

Serviço tem nove profissionais de saúde, mas cinco médicos vão abandonar o cargo no final deste ano

A Ordem dos Médicos anunciou que há possibilidades de a urgência de obstetrícia do Hospital São Bernardo, em Setúbal, encerrar até ao final do ano. Em causa está a saída de cinco médicos. O bastonário sublinha que é necessário que "o Ministério de Saúde olhe para o Hospital de Setúbal com outros olhos". Para Miguel Guimarães, "é absolutamente crítico haver uma renovação do hospital", para promover uma melhoria dos serviços. "Não é possível trabalhar com condições de segurança física e clínica neste serviço de urgência. E eu recordo que a primeira agressão mediática aconteceu exatamente neste hospital em Setúbal", sublinhou o bastonário da Ordem dos Médicos. 
Médicos avisam do risco de fecho no final do ano 

"O serviço de obstetrícia está em perigo de desaparecer, em termos de urgência e não só. De nove médicos, cinco vão-se embora no final do ano. As idades dos médicos, em geral, são muito elevadas, passam os 55 anos", disse Daniel Travancinha, do Conselho Sub-Regional de Setúbal da Ordem dos Médicos.
"As urgências são ainda possíveis, contrariamente ao que se diz, devido a esses mesmos médicos com mais de 55 anos, que ainda vão fazendo urgências. E alguns deles mais de 24 horas por semana", acrescentou.
Daniel Travancinha falava aos jornalistas no final de uma reunião da Ordem dos Médicos com a direção clínica do Hospital São Bernardo, em que também participou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e na qual foram abordados alguns problemas, como as agressões a médicos e a necessidade de ampliação daquela unidade hospitalar.
"O doutor Travancinha deu o exemplo do serviço de obstetrícia e ginecologia. A obstetrícia e a ginecologia, se nada for feito nos próximos três ou quatro anos, vai ter de fechar a urgência externa, sendo que este ano já existem dias em que a urgência está fechada por falta de médicos", corroborou o bastonário.
Miguel Guimarães referiu também que, a par dos problemas da falta de pessoal e de espaços físicos adequados, o Hospital São Bernardo também está a ser penalizado pela classificação que lhe está atribuída, o que significa que recebe compensações financeiras muito inferiores às que são pagas a outras unidades hospitalares pelos mesmos atos médicos.
"Em Setúbal existe uma quantidade de médicos altamente diferenciados, que fazem serviços que vão muito para além da tipologia do hospital - como está classificado na legislação -, oferecem cuidados que não têm sido reconhecidos pelo Estado, nomeadamente naquilo que é a valorização dos atos praticados", disse.

Renovação "é urgente" diz o bastonário 
"Fazem-se aqui técnicas altamente diferenciadas em várias áreas, que têm uma valorização mais baixa do que as mesmas técnicas em outros hospitais, só porque o hospital tem uma classificação diferente. E isto é uma coisa que urge corrigir, porque estas pessoas estão aqui a dar o melhor de si, a fazer uma medicina de elevadíssima qualidade e não estão a ter esse reconhecimento, que é importante que aconteça rapidamente", acrescentou.
Para Miguel Guimarães, "é absolutamente crítico haver uma renovação do hospital", para promover uma melhoria das estruturas físicas, a nível do serviço de urgência, do laboratório de microbiologia, da medicina física e reabilitação, entre outras, que precisam de uma intervenção urgente.
"Não é possível trabalhar com condições de segurança física e clínica neste serviço de urgência. E eu recordo que a primeira agressão mediática aconteceu exatamente neste hospital em Setúbal", disse.
"É fundamental que o Ministério da Saúde olhe para o Hospital de Setúbal com outros olhos, que os nossos deputados tenham uma preocupação grande para com as condições de dignidade para o exercício da medicina no Hospital de Setúbal, e que o poder político, de uma forma geral, consiga dar uma resposta para que estes médicos, de hoje para amanhã, não abandonem também o hospital e o hospital tenha de fechar portas a várias níveis", concluiu o bastonário da Ordem dos Médicos.

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