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terça-feira, 18 de junho de 2019

Suecos burlaram empresas a partir de Setúbal

Casal conseguiu enganar empresas de todo o mundo e desviaram milhões 

Há cerca de dois anos, um casal sueco, procurado no país natal por burlas informáticas, instalaram-se em Setúbal, onde continuaram a praticar os crimes. Michel M., de 38 anos, e Malicka N., de 28, acabaram por ser detidos pela PJ, no ano passado, encontrando-se atualmente em prisão preventiva. De acordo com Jornal de Notícias, Michel e Malicka foram agora acusados pelo Ministério Público de burla, branqueamento e acesso indevido depois de terem conseguido enganar empresas de todo o mundo com roubos de emails, levando-as a fazer transferências bancárias, na ordem de 1,7 milhões de euros. Muitas transferências foram bloqueadas pelos bancos, por suspeitas de origem fraudulenta do dinheiro, mas o casal ainda recebeu 645 mil euros e embolsou 300 mil.
Casal operava a partir de Setúbal 

Um casal de suecos burlou várias empresas multinacionais com um esquema de roubo de emails praticado a partir de Setúbal. Estas empresas chegaram a transferir 1,7 milhões de euros até à detenção do casal.
Michel M., de 38 anos, e Malicka N., de 28 anos, mudaram-se para Portugal em 2017 quando já eram procurados na Suécia por burlas informáticas, conforme o que reporta o Jornal de Notícias.
Instalado em Setúbal, o casal prosseguiu com o esquema fraudulento, conseguindo entrar no sistema informático de diversas empresas multinacionais. Desta forma, tinham acesso aos emails das empresas e identificavam dívidas a terceiros.
"Quando o sistema bancário começou a travar as transferências, os arguidos procuraram pessoas com dificuldades económicas da zona de Setúbal, que abriram dezenas de contas para servirem de ‘mulas’ financeiras", as quais irão agora responder por recetação, conta o mesmo diário.
Numa das vezes, refere o jornal, imediatamente após ter recebido uma transferência de 94 mil euros de uma empresa norte-americana, o casal foi ao casino de Tróia, onde comprou 50 mil euros em fichas de jogo.
O jornal conta, também, que, em Novembro de 2017, o casal sueco conseguiu aceder aos emails da multinacional Miele e levaram duas empresas devedores da firma de eletrodomésticos a fazer-lhes uma transferência de 60 mil euros.
Qual era o "modus operandi"? Simples: com o chamado "phishing", o casal conseguia entrar em caixas de correio eletrónico de empresas, acedia à correspondência comercial e identificava firmas a quem a companhia pirateada devia dinheiro.
Depois, fazendo-se passar pela empresa credora, enviavam emails aos devedores, com o número de conta que controlava, para que estes transferissem o dinheiro em dívida.
Ao todo, cerca de 20 empresas caíram na burla transferindo verbas da ordem dos 1,7 milhões de euros para contas do casal. Muitos destes milhões acabaram bloqueados por suspeitas do sistema bancário. Mas o casal conseguiu amealhar 300 mil euros até ser detido em 2018.
Os dois suecos estão, actualmente, em prisão preventiva, acusados dos crimes de burla, branqueamento de capitais e acesso indevido.
Há ainda outros oito arguidos no processo que estão acusados de serem “mulas financeiras” do casal. Michel é alvo de um mandado de detenção europeu emitido pela Suécia.

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