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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Porto de Setúbal continua quase parado

"Estivadores não estão em greve, estão indisponíveis"

O porto de Setúbal continua praticamente parado ao 15.º dia de greve dos estivadores e as viaturas da Autoeuropa continuam retidos dentro das instalações. Em protesto contra a falta de contrato para 90 por cento dos trabalhadores portuários, os estivadores dizem que não vão desmobilizar até "vir uma solução dos patrões". Sem revelar qual o impacto na economia da greve, o ministro Adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira deu conta de que o Governo está a tentar reduzir os efeitos negativos da paralisação. A AISET - Associação Industrial da Península de Setúbal apelou a uma solução rápida e negociada entre as partes, para que seja restabelecida a normalidade na movimentação de cargas no porto de Setúbal.
Paralisação dura à 15 dias  no porto de Setúbal  


"Até resolverem a situação do que foi dito de meterem aquele pessoal estamos parados. Até vir uma solução dos patrões, estamos parados. Aqui, na parte da Autoeuropa, estamos totalmente parados”, afirmou um dos trabalhadores em greve à TVI24.
Esta situação já levou ao atraso de entrega de mais de oito mil  veículos produzidos na fábrica de Palmela, tendo a empresa recorrido a portos alternativos, e levou mesmo o Governo a pronunciar-se sobre a situação.
Sem revelar qual o impacto na economia da greve, o ministro Adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira deu conta de que o Governo está a tentar reduzir os efeitos negativos da paralisação. Para isso, o Governo está em contacto com a Autoeuropa para assegurar que o escoamento da empresa continua apesar da greve no porto de Setúbal.
Siza Vieira, que espera que "a situação se possa vir a resolver a contento de todas as partes", garantiu ainda que "tem alternativas no sistema portuário" e que o Governo está "em contacto com a empresa no sentido de assegurar que as necessidades de escoamento da produção continuam a ser satisfeitas".
No dia 27 de outubro, a Operestiva, Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, e a Yilport Setúbal (Sadoport) tentaram celebrar um contrato de trabalho sem termo com 30 dos 93 trabalhadores eventuais em causa, mas apenas dois aceitaram as condições propostas.
Mais de 90 trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal que são contratados ao turno, alguns há mais de 20 anos, não comparecem ao trabalho desde 5 de Novembro, situação que deixa o porto de Setúbal praticamente parado, uma vez que os operadores portuários em causa têm apenas cerca de 10 por cento de trabalhadores efetivos.
A maioria dos trabalhadores portuários, cerca de 90 por cento,  não tem qualquer vínculo com os operadores portuários, nem quaisquer regalias além do salário que auferem, e são contratados ao turno, apesar de exercerem a atividade praticamente todos os dias.
A maioria dos trabalhadores eventuais contratados regularmente pela Operestiva reivindica um contrato coletivo, a negociar entre o Sindicato dos Estivadores e os operadores portuários.

Sindicato dos Estivadores diz que não há greve 
O presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano, esteve esta segunda-feira à noite no ‘Jornal das 8’ da TVI para falar sobre a greve dos trabalhadores do porto de Setúbal que estão parados há 14 dias. António Mariano começou por dizer que “estava criado um monstro”no porto de Setúbal, pois “durante 20 anos ninguém lhes ofereceu um contrato de emprego”.
“Eles não estão em greve, estão indisponíveis para trabalhar”, referiu o sindicalista, explicando que o facto de não terem um contrato dá-lhes o direito de estarem indisponíveis para levar a cabo determinadas funções.
Quanto ao problema em cima da mesa, António Mariano defende que o mesmo é de “fácil correção”.
“Estávamos a negociar um contrato coletivo de trabalho no porto de Setúbal até ao momento em que entrámos em greve, porque os trabalhadores estavam a ser assediados com contrato. Os trabalhadores não estão em leilão”, garante o responsável, que assegura um regresso às negociações assim que a empresa “apresentar datas e locais”.

Empresas de Setúbal pedem "solução rápida" para o conflito
A AISET - Associação Industrial da Península de Setúbal apelou a uma solução rápida e negociada entre as partes, para que seja restabelecida a normalidade na movimentação de cargas no porto de Setúbal.
"A AISET tem a expectativa de que este conflito seja rapidamente sanado através de uma solução negociada entre as partes, permitindo o rápido reatamento das operações portuárias a um ritmo intenso que facilite a regularização dos carregamentos em atraso e não perturbe o dinamismo das empresas da região e, logo, a criação de emprego e riqueza", refere, em comunicado, a associação empresarial de Setúbal.
"Sendo os associados da AISET predominantemente empresas exportadoras da região, clientes do porto de Setúbal, todas as dificuldades criadas ao expedito e regular escoamento das suas encomendas para clientes no exterior provocam acrescidas dificuldades e prejuízos na sua operação que devem ser evitadas", acrescenta o comunicado.

Agência de Notícias

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