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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

800 pessoas disseram “não ao furo” de petróleo em Almada

"Temos um país riquíssimo não só em sol, mas em vento e em ondas"

A manifestação contra a prospeção de petróleo em Portugal aconteceu na praia da Cova do Vapor, em Almada. Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, esteve presente e falou em "crime ambiental". Com o lema “não ao furo por um futuro”, reuniram-se este sábado cerca de 800 pessoas, na praia da Cova do Vapor, num protesto pacífico contra a exploração de petróleo e gás em Portugal. Com vista à criação de uma arte aérea, o protesto iniciou-se com o termómetro a marcar 42 graus, ao som de tambores que chamavam a atenção dos banhistas, seguido da canção “não ao furo por um futuro”.
Banhistas não querem furos de petróleo em Almada 

Naquele que prometia ser um dos dias mais quentes do ano, cerca de “800 participantes, com tendência a subir”, reuniram-se para formar uma imagem contra a prospeção de petróleo no nosso país, disse à agência Lusa um dos membros da Tamera – Centro de Educação e Pesquisa para a Paz, Isabel Rosa.
Segundo a responsável, o protesto é “um acordar” para a população, para que “as pessoas saibam o que pode acontecer e muito provavelmente vai acontecer no dia 15 de setembro: a primeira prospeção de petróleo na nossa costa”.
Além de sensibilizar e protestar contra as explorações de petróleo no nosso país, a iniciativa da Tamera pretende também mostrar que o caminho a seguir são as energias alternativas.
“Temos um país riquíssimo não só em sol, mas em vento e em ondas. Se nós conseguirmos cooperar e sermos inteligentes em relação à natureza que temos à nossa volta, temos tudo o que precisamos”, indicou.
Para tornar esta ideia mais evidente, outra das iniciativas foi trazer para a praia fornos solares onde cozinharam alguns alimentos durante toda a tarde, como pão e batatas.
Isabel Rosa aproveitou o momento para deixar uma mensagem ao Governo, que em 2017 tinha cancelado 10 dos 15 contratos para a prospeção de petróleo e gás, mas em janeiro deste ano deu permissão para a exploração de combustíveis fósseis na costa do Algarve e Alentejo.
“Gostaria que os nossos governantes percebessem que é uma oportunidade histórica de reverter uma decisão que perpetua um sistema que, neste momento requer uma decisão, e não o perpetuar de energia fóssil. Requer que haja uma transição para as novas tecnologias que já existem e precisam que sejam integradas na nossa vida”, referiu.
A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, esteve presente para apoiar este movimento e apontou que a aposta na exploração de petróleo pode ser um erro para as gerações futuras.
“É uma decisão que o país tem que tomar se quer ou não fazer uma aposta que pode significar um erro, um crime ambiental, que pode significar um erro de gerações. Não é muito justo para as gerações futuras sabendo nós aquilo que sabemos do potencial de desastres ambientais, sabendo aquilo que sabemos sobre o futuro de exploração de petróleo e a necessidade de alterar os nossos padrões de produção energética, que se faça essa aposta agora”, avançou a deputada.
Joana Mortágua referiu ainda que “o que interessa é que o Governo perceba que há muita gente a juntar-se contra o furo”.
Para a responsável, o calor que se tem feito sentir “é um sinal de que se nós não apostarmos em energias limpas e começarmos a refletir mais sobre estas questões, os problemas só vão agravar-se nas gerações que vêm a seguir”.

Banhistas contra exploração 
Já a fundadora da associação internacional Standing Rock, La Donna, apontou os riscos deste tipo de atividade.
“O risco é que se poluímos a água, poluímos as praias, matamos os animais, matamos o ambiente e o futuro das nossas crianças”, frisou.
“Ouvi rumores de que Portugal está pronto para ser totalmente verde, que Portugal pode ser o primeiro em todo o mundo com energia verde em todo o país e isso seria maravilhoso”, indicou a responsável.
Ao som de tambores, uma banhista, Regina Pacheco, com 53 anos, mostrou-se interessada e sabia que o movimento estava a acontecer “por causa do furo em Aljezur”.
Quando questionada se iria participar na criação da imagem aérea, garantiu: “vou sim senhora”.
Já outro banhista, Pedro, também com 53 anos, veio hoje à praia porque já tinha conhecimento da iniciativa.
“Sim sabia, porque tenho amigos ligados a estas áreas da conservação da natureza”, afirmou.
O participante referiu ainda que este protesto “é uma organização que traduz uma expressão natural do ser humano, que é conviver e proteger o meio ambiente. Entre tantos animais que existem no planeta, o ser humano parecer ser o único que destrói o seu habitat, a sua própria casa”.
Quando concluída, a arte aérea transmitiu a mensagem “Parar o furo, a água é vida”, juntamente com um sol, que representava as energias alternativas e dois golfinhos, que mostram a necessidade de proteção da água.
Em 2017, a Tamera realizou uma ação semelhante na praia de Odeceixe, em Aljezur, no distrito de Faro, mas este ano, segundo Isabel Rosa, a escolha recaiu sobre a praia da Cova do Vapor pela proximidade com Lisboa e tendo em vista a participação de um maior número de pessoas.
Pelas 19 horas continuavam a juntar-se pessoas a este movimento, o que não admira tendo em conta que o termómetro marcava 40 graus e o trânsito, em vez de ser para sair, era para chegar.

Agência de Notícias com Lusa
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