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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Ambientalistas criticam venda da Herdade da Comporta

Critério de venda ‘não deve ser apenas economicista’

A Associação Zero defendeu esta terça-feira uma moratória à venda da Herdade da Comporta, entre os concelhos de Alcácer do Sal e Grândola,  até à conclusão do Plano de Gestão do Sítio Comporta-Galé, e a inclusão daquele património na esfera pública com uma eventual integração na Companhia das Lezírias. “A Zero considera que o Estado deve impor uma moratória à venda até à finalização deste plano da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, desde há muitos anos por concluir”, pode ler-se num comunicado divulgado pela associação ambientalista. A notícia surge depois de Louis-Albert de Broglie elevar a proposta em 40 milhões de euros, passando a ter vantagem sobre as ofertas dos outros dois consórcios.
Zero quer proteger Herdade da Comporta 

“A Zero teme também que o Estado português perca a oportunidade de fazer justiça e de exercer os direitos dos contribuintes, fortemente penalizados pela crise bancária, garantindo a inclusão de uma vasta área de território na esfera pública, aproveitando o facto de o principal credor do Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado, que gere os activos imobiliários da Herdade da Comporta ser, a Caixa Geral de Depósitos”, salienta a associação, que questiona a necessidade de uma “venda apressada”, lembrando que está prevista para a próxima sexta-feira uma assembleia dos participantes do fundo que gere a Herdade da Comporta para deliberar sobre as ofertas de compra daquela propriedade do litoral alentejano.
Para a associação, a integração da herdade na esfera pública é a única opção que garante a possibilidade de uma “reavaliação das escolhas erradas tomadas nos últimos anos em matéria de ordenamento do território no litoral alentejano, em particular pela criação de Áreas de Desenvolvimento Turístico que não salvaguardam o património natural protegido”.
“O critério de venda não deve ser exclusivamente economicista, deve ponderar fortemente a possibilidade de utilizar a área em causa para projectos que favoreçam uma ocupação mais sustentável do território e em maior consonância com a preservação dos valores naturais, paisagísticos e até culturais da área da Comporta, e não alinhar numa ocupação turístico-imobiliária com índices de ocupação e impactes elevados à semelhança do previsto para a Costa Alentejana entre Tróia e Sines, que infelizmente continua prevista e que só a crise económica do início da década travou”, acrescenta o documento.
Os ambientalistas da Zero consideram ainda que “deveria ser ponderada” a reintegração da totalidade da Herdade da Comporta (Herdade da Comporta Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado, o fundo de investimento imobiliário que gere os projectos turísticos e imobiliários daquela zona, e a Herdade da Comporta – Actividades Agrosilvícolas e Turísticas, que gere a actividade agrícola e florestal) na Companhia das Lezírias. Até porque, defendem, a Companhia das Lezírias “é hoje um exemplo de gestão pública”.

Príncipe francês na linha da frente para a compra da herdade
O aristocrata francês Louis-Albert de Broglie aumentou o valor da sua proposta para a compra do fundo fechado da Herdade da Comporta, passando, assim, a deter o valor mais alto das três propostas, avança o Expresso. Numa carta enviada à Gesfimo, o interessado explica que a sua proposta inicial apresenta uma “componente variável”, envolvendo um aumento à volta dos 40 milhões de euros.
Sendo 27 de Julho o prazo para avaliar as propostas, o príncipe francês decidiu aumentar a sua. Detendo inicialmente a oferta mais baixa - 115 milhões de euros -, atrás do consórcio Claude Berda/Paula Amorim com 156,4 milhões e do consórcio Oakvest/Portugália com 155,9 milhões, passa assim a deter a oferta mais elevada.
Na carta enviada à sociedade gestora, Louis-Albert de Broglie refere que a proposta apresentada a 4 de Maio tinha também uma “componente variável” e que, para além de passar a ser a mais elevada, é a melhor em termos financeiros, uma vez que privilegia, contrariamente às restantes, “a biodiversidade da paisagem, empregos permanentes e bem pagos que vão desenvolver a região”, servindo “a economia local“. Somado a isso propõe ainda a criação de uma fundação para apoiar projetos locais.
O filho do Duque de Broglie pretende desenvolver na Herdade da Comporta um projeto assente na agricultura biológica, com o objetivo de “gerar economia e trabalho às pessoas que vivem neste território”. A ideia de Louis-Albert de Broglie é criar nos terrenos sete centros dedicados a produção biológica, incubação de startupsde alimentação saudável, conferências, reciclagem ou medicina reconetiva, além de um museu de arte contemporânea em forma de arca de Noé e uma escola Blue School, assente na reconexão com a natureza.
Esta operação tem merecido destaque em vários jornais, devido aos valores elevados e entidades que inclui.
Na semana passada, a Gesfimo decidiu nomear como preferida a proposta do consórcio Oakvest/Portugália, mas o Novo Banco decidiu alterar essa decisão e avaliar todas as propostas esta sexta-feira, durante a assembleia-geral, uma vez que tem uma participação de cerca de 15 por cento no fundo da Comporta.

Agência de Notícias

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