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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Meco: Familiares continuam à procura de respostas

80 respostas ao pedido de ajuda dos pais das vítimas do Meco

Os pais dos seis jovens que perderam a vida no mar do Meco, em Sesimbra, já receberam "cerca de 80 mensagens, algumas de muito interesse" no endereço eletrónico criado para obter informações sobre o que se passou na noite da tragédia. Estão surpreendidos com o impacto do email tragedia.meco@gmail.com, criado este sábado. Entretanto ao final do dia de sexta-feira a família do único sobrevivente quebrou o silêncio para dizer que João Miguel Gouveia irá explicar "tudo às autoridades" e garante haver muita "falsidade e pressão" no caso. Numa carta enviada à Lusa a família de João Miguel Gouveia garante "contactos" com os outros familiares. Sábado, os pais dos alunos que morreram garantiram que não tiveram qualquer informação da parte de João. O que não coincide com o comunicado divulgado pela família do jovem.

Tragédia do Meco continua envolta em contradições 


Os pais já receberam mais de 80 mensagens electrónicas na conta de e-mail que criaram para receber informações e pistas sobre o que sucedeu naquele fim-de-semana.
"Temos mais de 80 mensagens, algumas de muito interesse", explica um porta-voz do grupo, remetendo para um momento posterior a eventual revelação de mais pormenores.
Os seis jovens da Universidade Lusófona de Lisboa morreram na madrugada de 15 de Dezembro. Apenas o chamado Dux, nome que é dado ao chefe máximo da praxe, sobreviveu, mas tem permanecido em silêncio desde então. Alguns pais das vítimas tentaram, entretanto, obter informações junto do jovem e junto do Conselho Oficial da Praxe Académica da Lusófona, sem sucesso. O caso está neste momento a ser investigado pelas autoridades e sob segredo de justiça.
No sábado ao final da tarde, os pais pediram a todas as pessoas que possam ajudá-los a esclarecer o sucedido para usarem uma conta de e-mail que tinham acabado de criar: tragedia.meco@gmail.com. Em pouco mais de 24 horas chegaram-lhes mais de 80 mensagens.

Família de sobrevivente quebra silêncio
Entretanto, no final da tarde de sexta-feira, a família do sobrevivente do acidente quebrou o silêncio através de uma carta enviada à Lusa. Nessa carta, a família de João Miguel Gouveia declarou que o jovem “prestará todos os esclarecimentos” no “local certo e perante as instâncias competentes”. Até porque “mais do que ninguém, ele deseja que tal ocorra”, referindo-se aos esclarecimentos.
Numa extensa carta enviada à agência Lusa, os familiares de João Miguel Gouveia sustentam que “desde o primeiro dia, mesmo em choque, o sobrevivente colaborou com as autoridades seja para contactar as outras famílias, seja para dar indicações sobre o que sucedeu”.
A família diz que “os jovens reunidos não conheciam a zona, realizaram alguns percursos a pé e deslocaram-se também até à praia. Pousaram os objetos que traziam no areal e, conversando, passearam na areia. Pararam acima da zona de rebentação e vários sentaram-se”.
“Sem que se apercebessem, uma onda, de grandes dimensões, arrastou-os a todos e o desastre aconteceu. Seis jovens perderam a vida e um deles, depois de muito esforço, conseguiu arrastar-se até à areia e, de um dos telemóveis que tinham ficado junto dos objetos que tinham pousado inicialmente, conseguiu pedir socorro para o 112, tendo ficado em exaustão, a vomitar e em hipotermia progressiva, prostrado na areia”, segundo o relato dos familiares.
João Miguel Gouveia “foi localizado no areal pela Polícia Marítima e posteriormente estabilizado pelo INEM e internado, por afogamento, no Hospital de Almada”. A Polícia Marítima de Setúbal já confirmou que assim foi.

Tempo de luto...
Família de sobrevivente garante querer colaborar com as autoridades 
Sobre o silêncio do jovem, a família justifica que a tragédia exigiu “tempo para o luto e para tentar integrar tão dramática experiência, que marca e marcará para sempre a sua existência”.
“Em nome de quê, alguém se pode arrogar o direito de especular, falsear, pressionar ou mesmo ameaçar, quem foi também vítima deste terrível acidente?”, questionam.
A família de João Miguel Gouveia diz também que “está solidária com a dor imensa das famílias que perderam os seus filhos” e que falou com alguns deles “para prestar os esclarecimentos solicitados”.
“Desde o primeiro dia, mesmo em choque, o sobrevivente colaborou com as autoridades, seja para contactar as outras famílias, seja para dar indicações sobre o que sucedeu” sustentam, na carta.

Pais desmentem contactos
No entanto, os pais dos alunos que morreram garantiram que não tiveram qualquer informação da parte de João Gouveia. O que não coincide com o comunicado divulgado pela família do jovem.
Fátima Negrão, mãe de uma das vítimas, afirmou não ter tido qualquer contacto "nem qualquer informação por parte do João". O mesmo acontece com as restantes famílias que se reuniram no sábado.
A mesma mãe acrescentou que têm "sido bastante tolerantes" e que o objectivo não é "crucificar". "Estamos sempre a apoiá-lo", acrescentou, referindo-se a João Miguel Gouveia.
Fátima Negrão adiantou ainda que os familiares dos jovens falecidos estão dispostos a colaborar com a justiça e esperam "que da outra parte isso também aconteça".
A família do sobrevivente nega ainda que a audição marcada para 21 de Janeiro não tenha sido realizada por uma “alegada amnésia selectiva” do jovem, mas sim desmarcada pelas autoridades.
Na carta, os familiares queixam-se de “injustiça”, “especulação, notícias sem explicitação de fontes credíveis e construídas com base em comentários de quem nada sabe sobre os factos ou mesmo assentes em mentiras claras e contradições óbvias, que apenas criam alarme social”.
Por outro lado, a família do sobrevivente “agradece o apoio disponibilizado pela Universidade desde o primeiro dia, até à presente data”.
A tragédia de 15 de Dezembro envolveu sete membros da Comissão Oficial de Praxes Académicas (COPA) da Universidade Lusófona. Apenas o chefe máximo, João Miguel Gouveia, escapou com vida. Os estudantes caminharam cinco quilómetros até ao areal desde a Aiana de Cima, onde estavam a passar o fim de semana numa casa arrendada.
Os vizinhos garantem ter assistido a praxes, deixando os pais perplexos. Mas ao certo, ainda pouco se sabe sobre aquela madrugada de 15 de Dezembro, onde dois rapazes e quatro raparigas perderam a vida no mar e onde outro rapaz se salvou mas, certamente, com traumas para todo o sempre.

Agência de Notícias
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