Secil em dificuldade por culpa da greve dos estivadores


Milhares de euros de prejuízo para a empresa cimenteira do Outão

A Secil do Outão confirma, de acordo com a notícia do jornal O Setubalense, que a greve dos estivadores provoca “centenas de milhares de euros” de prejuízo. Isto, para além da perda “de credibilidade” da empresa junto dos seus compradores. Não é a única empresa que lamenta o arrastar da greve. Passos Coelho garante que já existe “um acordo” e espera que os sindicatos o divulguem ainda hoje. Os sindicatos dizem que “desconhecem” o acordo e, para já, avançam com  mais greve até ao final deste mês falhando também o acordo para serviços mínimos com os operadores portuários.  

Greves nos portos continuam e continuam as empresas a somar prejuízos

A greve, faseada, dos trabalhadores dos portos de mar já leva três meses, completos e, consigo, leva também, incalculáveis prejuízos para as empresas exportadoras.
A fábrica da Secil do Outão, em Setúbal, nestes tempos de grande quebra de comercialização em território nacional, alargou muito o seu horizonte de negócios para os mercados africanos. No entanto, o cimento continua à espera de embarcar e os compradores a comprar noutros países.
Fonte da administração da Secil do Outão diz não haver dúvidas de que a empresa “tem sido muito afectada pelas sucessivas greves”, avançando com prejuízos de “centenas de milhares de euros, resultantes de atrasos nas entregas das encomendas de cimento a clientes e custos logísticos acrescidos”.
Ainda de acordo com a fábrica do Outão, a Secil “tem exportado boa parte da sua produção, sobretudo para mercados africanos, como forma de compensar a forte quebra no consumo de cimento no mercado interno”, lamentando que esta prolongada greve “venha colocar em causa a credibilidade da Secil no mercado internacional enquanto fornecedora de cimento nos prazos estipulados”.
A Secil não é a única empresa a queixar-se. A Associação Nacional de Utentes Privativos e de Concessionários de Serviço Público de Áreas Portuárias (ANUC) também se queixam bastante dos efeitos desta greve.
De forma severa, esta associação considera a greve “um ataque violentíssimo à economia nacional e demonstra que os trabalhadores portuários grevistas de Setúbal, Lisboa, Figueira da Foz e Aveiro não aceitam qualquer mudança que permita que os portos portugueses se tornem mais competitivos”.

Passos Coelho espera acordo ainda hoje 
Passos Coelho disse, esta quarta-feira, à TSF que os estivadores devem moderar o direito à greve, alertando que ou há acordo ou o Governo estabelece sozinho os serviços mínimos para esta paralisação que já dura há vários meses.
No entanto, o primeiro-ministro também disse esperar que ainda hoje seja divulgado o acordo que operadores e sindicatos já alcançaram.
Ouvido pela TSF, Vítor Dias, do Sindicato dos Estivadores, revelou que desconhece qualquer acordo.
“A única coisa que houve, ontem, de reuniões entre associações patronais e os sindicatos que estão em luta foi uma reunião da Direção Geral de Emprego e Relações de Trabalho para tentar um acordo de serviços mínimos”, explicou.

Operadores portuários e estivadores falham acordo para serviços mínimos
Hoje será o último dia para os operadores portuários e o sindicato de estivadores chegarem a acordo sobre a definição dos serviços mínimos de greve entre 15 e 27 de Novembro, para a qual já deram entrada os respectivos pré-avisos de greve dos trabalhadores da estiva dos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz.
O ADN sabe que a reunião de ontem entre os representantes dos operadores portuários e do sindicato dos estivadores, apesar de ter durado várias horas, foi totalmente inconclusiva.
Hoje, dia de greve geral, será a última hipótese para as duas partes deste conflito superarem este impasse. Se não conseguirem chegar a acordo, o conflito será directamente dirimido pelos ministros do Emprego, Pedro Mota Soares, e da Economia, Álvaro Santos Pereira, que irão definir a lista de serviços mínimos por decreto.
"Os trabalhadores portuários são um activo muito importante do País. Mas eu faço uma pergunta: se esta lei foi aprovada pela maioria dos sindicatos, se foi aprovada por cerca de 60 por cento dos trabalhadores, como é que esta legislação pode estar assim tão desequilibrada?”, questionou ontem o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, à chegada ao sétimo encontro da "Transportes em Revista", em Lisboa.

 Agência de Notícias 

Comentários

  1. Enquanto milhares de portugueses trabalham um mês inteiro nas fábricas de têxteis e calçado para ganhar 500 euros para sustentar as exportações do país, que faz a CGTP? Boicota o seu trabalho promovendo greves de estivadores que ganham 5000 euros (dez vezes mais), paralisando os nossos portos e impedindo essas mesmas exportações. Estão de greve há um mês, e já causaram prejuízos de 1000 milhões às nossas exportações. Chegou a altura de este país fazer as purgas que se impõem e limpar a economia das metástases que a impedem de crescer. Já.

    ResponderEliminar

Publicar um comentário