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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Somewhere...Where the imagination takes me...? por Alexandra Lopes


(Re)Começar

Se houver um mar azul sem fim, que me abrace e se guarde dentro de mim. Que me deixe bem dentro de si e não me leve de volta à superfície.


O rebentar das ondas do mar, chegam até aos meus pés, à minha volta existe um areal enorme, onde não se juntam multidões de gente aos gritos. Onde não há o stress do dia-a-dia, o cansaço comum de tantos dias iguais, ali não existe. São tantos os pensamentos que me empurram para dentro de um mundo feito apenas só para mim. O mar quer enrolar-me nos seus braços, quer sugar-me, recuo um passo. O corpo está cansado, saturado dos mesmos actos diários, a mente está demasiado preenchida por fantasmas que insistentemente vêm de mansinho atordoar e deixar-me irrequieta, ansiosa pelo dia de amanhã.
Mas hoje não, hoje não quero viver cansada. Hoje quero )começar tudo de novo. Hoje preciso desta paz, preciso que a água salgada me leve todos suspiros tenebrosos, hoje quero sentir-me menos ansiosa…Avanço dois passos na direcção do mar. E num impulso corro para dentro do mar, deixo-me levar nas ondas, vou e volto, mergulho um sem número de vezes.
Num gesto de raiva, liberto toda a agitação interior que existe dentro de mim. Mergulho e deixo-me ficar envolvida no mar e nesse instante só consigo ter um único pensamento, e libertando pequenas quantidades de ar, vou-me deixando ficar dentro do mar, esbracejando a liberdade que me limpa a alma. Sei que quando subir à superfície, serei levada na rebentação de mais uma onda…onde tudo visto do lado de fora é tudo igual…encherei novamente os pulmões e quererei mergulhar mais uma vez e fugir do real mundo de que não poderei evitar.
Quero ver e sentir a tranquilidade do interior do coração. Ele qua outrora anda agitado, bate desalmadamente como quem quer rebentar. Cansado, de um pulsar acelerado.
Chego por fim à margem, agora muito mais serena, aquele som relaxa todos os meus sentidos. Deixei todas as más energias dentro daquele mar, azul sem fim. Mas comigo trouxe o sentido mais importante, guardado bem dentro do meu peito, porque daqui não será arrancado.
Poderei estar insegura quanto ao que me reserva o mundo agitado, visto do lado de fora do mar, mas quanto a este meu pulsar involuntário, tenho a certeza, não o vou perder.


Alexandra Lopes
Setúbal
www.alexandralopes.blog.pt  

[Em cada um de nós existe uma lagarta feia... que nasce sempre uma linda borboleta... recomeçar nem sempre foi fácil. Todas as terças-feiras, Alexandra Lopes faz-nos a pergunta: Onde a imaginação me leva? Certamente… a tantos lugares]
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