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terça-feira, 17 de julho de 2012

Somewhere...Where the imagination takes me...? por Alexandra Lopes


Saudade

Tempo ou espaço vivido sem tempo de saber sentir saudade. Tempo que passa e não deixa grandes recordações para mais tarde contar.


Multidões em redor, todos estão bem-dispostas, todos rasgam sorrisos, todos trazem histórias para contar. Todos têm bocadinhos de algo bom e mau também, guardam para sempre momentos maravilhosos.
Pessoas importantes, o primeiro amor, as amizades genuínas, um animal doméstico, um beijo, uma carta, um abraço especial, palavras de conforto, uma música que faça recordar aquele tempo ou espaço, de rir até chorar, de tardes de Natal em família, decisões importantes tomadas com o apoio de quem supostamente nos ama ou deveria amar incondicionalmente.
Correm lágrimas pela face, às vezes não se sabe o porquê, apenas a falta da saudade do que não aconteceu, do que não teve um bocadinho de história para contar. Correm mais lágrimas e em soluços, balbuciam insistentemente dúvidas de porque é que há pretéritos imperfeitos tão dolorosos e porque têm de se passar por tantos momentos menos agradáveis. Quantas vezes existiram vontade de abraçar, vontade de dizer que sentimos falta de um carinho, de uma palavra de conforto, mesmo sabendo que algo não está correcto, mas mesmo assim sermos admirados. Onde estão essas histórias bonitas para contar? Muitas apenas no imaginário de onde nunca se tornaram em realidade, onde durante anos, foi criada a expectativa de uma esperança que no final morreu com o tempo.
Anos passam e a sensibilidade torna-se invulnerável, carente de uma saudade que nunca existiu, ansioso por uma saudade de um futuro que pode ter histórias para mais tarde recordar, onde não haverá falhas, por muito que sejam insignificantes no momento para quem as comete, tornam-se autenticas marcas profundas no coração tornando-o frágil.
Correm ainda mais lágrimas, escondidas dos olhos de quem nos acha o máximo, de quem nos vê sempre a sorrir, de quem acha que afinal tivemos tudo o que é normal de uma pessoa normal.
Onde nos fazem perguntas naturalmente e estupidamente não passam de perguntas retóricas para nós.
A surpresa está, quando sem esperar nada, o conforto chega de onde não se espera, na verdade não existem hábitos de deixar expressar emoção, e mais uma vez as lágrimas correm pela face entristecida e emocionada por gestos tão pequenos e tão grandiosos que poderiam ter sido vividos noutro tempo.
Saudade de uma saudade apenas imaginária.
Saudades de um passado que poderia ser recordado com um sorriso mais bonito.
Saudades apenas.


Alexandra Lopes
Setúbal
www.alexandralopes.blog.pt  

[Em cada um de nós existe uma lagarta feia... que nasce sempre uma linda borboleta... recomeçar nem sempre foi fácil. Todas as terças-feiras, Alexandra Lopes faz-nos a pergunta: Onde a imaginação me leva? Certamente… a tantos lugares]
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