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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Relatório da OIT arrasa austeridade europeia


4,5 milhões de postos de trabalho em risco na Europa

Os países da Eurozona arriscam-se a perder mais 4,5 milhões de postos de trabalho nos próximos quatro anos, se forem mantidas as atuais políticas de austeridade, segundo a agência da Nações Unidas para o Trabalho (OIT). "Sem mudança de políticas - para lidar com a crise e recuperar a confiança e apoio dos trabalhadores e empresas - será difícil implementar as reformas necessárias para colocar a Zona Euro de novo num caminho de estabilidade e crescimento", refere a OTI no seu relatório. Por cá, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que Portugal terá uma taxa de desemprego de 16,3 por cento em 2013. Ainda segundo o mesmo relatório, o desemprego real na economia portuguesa já ultrapassa a barreira dos 20 por cento.



Europa perde milhares de postos de trabalho se mantiver austeridade

Intitulado "Crise de Empregos na Zona Euro: Tendências e Respostas Políticas", o documento calcula que o número total de desempregados nestes países, em que Portugal se inclui, pode subir de 17,4 milhões para 22 milhões.
O relatório da OIT sublinha que as medidas de austeridade orçamental, quer nos países em dificuldades financeiras quer nos mais ricos, estão a prejudicar a criação de emprego.
"Num contexto macroeconómico deprimido, estas reformas [de austeridade] provavelmente levarão a um aumento do número de despedimentos sem qualquer impulso à criação de emprego, pelo menos até que a retoma económica ganhe ímpeto", lê-se no trabalho da OIT.
Portugal é citado, a par da Itália, como um dos países nos quais o desemprego jovem é mais elevado, embora este atinja percentagens mais preocupantes em Espanha e Grécia, onde se situa acima dos 50 por cento.
Para a OIT, há "um crescendo de provas" de que pode estar em curso uma recessão prolongada dos mercados de trabalho na Europa, os quais ainda não recuperaram da crise global surgida em 2008.
A consequência, adianta o relatório, é um crescente risco de conflitos sociais e cada vez mais desconfiança em relação aos governos, sistema financeiro e instituições europeias.
Em relação ao início da crise, a Zona Euro tem hoje menos 3,5 milhões de postos de trabalho, segundo os números referidos no documento da OIT.
O emprego continua a cair em metade dos 17 países da Zona Euro, onde 17,4 milhões de pessoas procuram atualmente trabalho.
A solução para uma "retoma num quadro de moeda única", refere a agência da ONU, passa por uma estratégia de crescimento na Zona Euro "com a criação de emprego no centro", sendo abandonadas as abordagens de austeridade e encetadas reformas urgentes nos mercados financeiros.
O relatório adianta que há hoje "mais coordenação" entre os países europeus, após a declaração da cimeira da Zona Euro no final de junho e a proposta Ação para a Estabilidade, Crescimento, Empregos e o Pacote de Emprego da Comissão Europeia.

O Governo anunciou há apenas um mês a revisão das previsões de desemprego para este ano e o próximo. No entanto, segundo os números hoje publicados pela OCDE, essa revisão já deverá estar desatualizada. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que Portugal terá uma taxa de desemprego de 16,3 por cento em 2013.
A evolução da taxa de desemprego tem tido um comportamento que o próprio Governo admite estar a ter dificuldades em antecipar. "O desemprego atingiu níveis sem precedentes, muito mais elevados que o previsto inicialmente", afirmava Vítor Gaspar Gaspar em abril deste ano. O Ministério das Finanças foi apresentando novos números no sentido de um maior agravamento do desemprego: Orçamento do Estado em outubro de 2011, orçamento retificativo em março deste ano e comunicação do ministro em junho.
Ontem, a OCDE voltou a colocar um ponto de interrogação sobre as mais recentes previsões do Governo. Enquanto Gaspar disse esperar uma taxa de desemprego de 16 por cento em 2013, a OCDE estima que ela atinja nos 16,3 por cento no final do ano, com uma taxa média de 16,2 por cento.
As previsões da OCDE apontam para uma evolução contínua do desemprego ao longo deste ano, fechando o quarto trimestre nos 15,8 por cento (hoje está nos 15,2 por cento). Em 2013, a taxa chegará aos 16,3 por cento no segundo trimestre e manterá esse nível até ao final do ano.

Desemprego real… ainda é mais alto
Desemprego real já ultrapassa os 20 por cento

Mas a situação ainda é pior quando se fala do desemprego real e não contabilizado. Aqui as pessoas à procura de emprego já ultrapassam a barreira dos 20 por cento. Segundo o relatório para o emprego, publicado ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o desemprego real em Portugal - incluindo subemprego e pessoas que desistiram de procurar trabalho - atingia os 20,7 por cento no final de 2011.

Portugal precisa de criar 446 mil empregos para regressar a níveis pré-crise
Portugal precisaria de criar 446 mil novos postos de trabalho para regressar aos níveis de emprego da economia antes da crise financeira de 2008. Segundo o "outlook" publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), isso implicaria um aumento de 9,5 por cento do emprego atual.
As contas da OCDE dizem respeito à diferença no mercado de trabalho entre o último trimestre de 2007 e o final de 2011. Contudo, esta diferença deverá continuar a acentuar-se significativamente nos próximos meses. A OCDE estima que, no final de 2013, Portugal já tenha de criar 590 mil empregos para regressar aos níveis pré-crise, o que significaria um incremento de 12,5 por cento do emprego. 
Apesar de estar longe de ser um dos países mais populosos da OCDE, Portugal está entre as economias que mais empregos perdeu com a crise. No último trimestre de 2013, apenas Grécia, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos terão mais postos de trabalho a recuperar. Países como França, com uma população seis vezes maior que Portugal, precisam de uma recuperação mais moderada.

Paulo Jorge Oliveira 

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