Bloco condena eventuais alterações dos serviços de urgência no distrito


Populações perdem qualidade de saúde

O Bloco de Esquerda condena as alterações dos serviços de urgência no distrito de Setúbal e quer que o Governo adote “todas as medidas necessárias para garantir o socorro às populações” servidas pelo atual Serviço de Urgência Polivalente do Hospital Garcia de Orta e Serviço de Urgência Básica do Hospital Distrital do Montijo.

BE preocupado com eventual fecho de urgências em Montijo e Almada

De acordo com as notícias veiculadas na comunicação social, o BE aponta que um estudo do Governo propõe o encerramento do Serviço de Urgência Básica (SUB) do Hospital Distrital do Montijo e a passagem a Urgência Médico-Cirúrgica da Urgência Polivalente do Hospital Garcia de Orta, um dia após as declarações da tutela ministerial a anunciar o fim dos cortes na Saúde.
Criado em 2001, o Serviço de Urgência Polivalente (SUP) do Hospital Garcia de Orta (HGO) serve, atualmente, uma população de 320 mil habitantes dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, a que acresce a população secundária de 780 mil habitantes, segundo dados dos Censos 2011, a que acrescem pacientes oriundos das regiões do Alentejo e Algarve, dada a especificidade daquela urgência hospitalar.
Por outro lado, diz o BE, o encerramento do SUB do Hospital Distrital do Montijo “vai ao arrepio do protocolo firmado em 2007, no âmbito da criação do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, que fixou a manutenção daquela urgência hospitalar que serve os concelhos de Alcochete e Montijo”.

Em Março o Ministério da Saúde defendeu continuidade da Urgência Polivalente em Almada
De acordo com o Bloco de Esquerda, as consequências nefastas que a perda do único Serviço de Urgência Polivalente da zona sul do país, [em Almada], implica para as populações são imensas, não só devido à supracitada área de intervenção daquele hospital e às especificidades do seu Serviço de Urgência, “como também devido ao facto de a alternativa para os doentes se restringir ao transporte para uma das unidades hospitalares da cidade de Lisboa, cujo congestionamento da ponte 25 de Abril constitui um evidente constrangimento que faz perigar a vida das vítimas”.
“Em Março, em resposta à pergunta do Bloco de Esquerda sobre o encerramento daquele serviço de urgência, é o próprio Ministério da Saúde que classifica o SU do Garcia da Orta como “tampão da zona sul do país” e salienta como fatores distintivos a presença de quase todas as especialidades médicas e um elevado número de internos em formação, pelo que as eventuais mudanças nas valências daquela urgência não são compreensíveis”, relata o BE em comunicado à imprensa.

“Atentado inaceitável aos direitos das populações”
Para o Bloco, “as sucessivas perdas de valências das unidades hospitalares do distrito de Setúbal, a que se juntam os inúmeros encerramentos de extensões de saúde, prejudicam flagrantemente as populações”, além de porem “em perigo a capacidade de responder às necessidades das pessoas, no que consubstancia um inaceitável incumprimento dos preceitos constitucionais e dos direitos consagrados na Lei de Bases da Saúde”.
O Bloco de Esquerda considera, por isso, que as medidas propostas são “um atentado inaceitável aos direitos das populações” e que, caso o Governo decida pela sua implementação, reafirma, mais uma vez, “o total desrespeito que tem demonstrado pela dignidade humana”.
“Para o Bloco de Esquerda, a luta pelo Serviço Nacional de Saúde é uma luta da democracia, pelo que garantir os direitos de todas as cidadãs e de todos os cidadãos de acesso aos cuidados de saúde mais não é do que garantir os mais elementares princípios dos Direitos do Homem”, refere fonte do partido.

Paulo Jorge Oliveira 

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