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terça-feira, 17 de julho de 2012

Barcos do Barreiro navegam mais devagar


Barcos mais vazios podem obrigar a revisão dos preços

O presidente do conselho de administração da Transtejo, grupo que assegura as ligações fluviais entre as duas margens do Tejo na região de Lisboa, afirma que a privatização pode ser a única forma de “eliminar constrangimentos” que o Estado, único accionista, não consegue assumir.


Transtejo admite privatização e... despedimentos 
O presidente do conselho de administração do grupo Transtejo, João Pintassilgo, revelou ontem que as ligações fluviais no Tejo, na região de Lisboa, perderam 10 por cento dos passageiros em 2012, admitindo não haver margem para nova subida dos tarifários. "A perda de passageiros acumulada de 2012 é de 10 por cento, comparando com período homólogo do ano anterior, o que significa que no total de todas as ligações há menos um milhão de viagens nos primeiros cinco meses deste ano", disse João Pintassilgo.
A Transtejo, no âmbito da reestruturação dos transportes públicos para redução de custos, já aumentou o tempo de travessia entre Lisboa e o Barreiro. Desde ontem, os barcos demoram mais cinco minutos naquela travessia, fora das horas de ponta e ao fim-de-semana. "Sem efectuar alteração nos horários, algumas viagens fora das horas de ponta nos dias úteis e nos fins-de-semana passarão de 20 para 25 minutos, por resultado da redução da velocidade dos navios", indica a empresa.
Esta medida, diz a empresa, permitirá uma poupança de 400 mil euros por ano. Mas para o Sindicato de Mestrança e Marinhagem da Marinha Mercante (SITEMAQ), o valor poupado é "irrisório" e o objectivo final é a diminuição dos catamarãs.
"Ao fim de cinco carreiras, com os cinco minutos a mais, poupa-se um barco. No final do dia serão mais. Mais tempo de viagem implica menos barcos", sublinha Alexandre Delgado, dirigente do SITEMAQ.

Despedimentos e privatização em cima da mesa
Barcos viajam com menos gente entre as margens do Tejo 

João Pintassilgo sublinha que a privatização é “uma hipótese como outra qualquer” e que a gestão de uma empresa não é boa por ser privada e má por ser pública. “Todos sabem os resultados quando a empresa tem uma gestão pública, em que existem uma série de condicionantes, mas não é por serem privadas que as empresas de transportes vão dar todas lucro”, afirma, em entrevista à Lusa.
O líder do grupo entende que, “a manter o serviço público tal como está, existe a necessidade de eliminar alguns constrangimentos que o Estado não tem condições por si só de os assumir”.
João Pintassilgo avança que, da parte do Estado, existe intenção de concessionar a privados a actividade do grupo de transportes. 
Sobre a fusão das duas empresas do grupo, a Transtejo e a Soflusa, Pintassilgo refere que o conselho de administração já defende essa medida desde 2006 e que continua a aguardar por uma decisão do Governo. “Demos os passos que tínhamos que dar, preparámos os documentos e fizemos estudos que entregámos ao accionista, que sabe o que tem de fazer. É uma decisão política”.
João Pintassilgo admite que a fusão das duas empresas, que têm actualmente 520 trabalhadores, pode levar a despedimentos, mas recusa avançar um número. 
“É pena que estas coisas se façam num período em que o desemprego está em crescendo. Pode levar a despedimentos, mas não só na estrutura marítima, também na estrutura da empresa, que justifica algum emagrecimento, mas até este momento não houve despedimentos”, assegurou. 
A Soflusa é responsável pela ligação entre o Barreiro e Lisboa. A Transtejo faz as ligações entre Cacilhas (Almada), Montijo, Seixal, Trafaria (Almada) e Lisboa.

Paulo Jorge Oliveira 

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