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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Desempregada exemplar!

Reticências da Sociedade by Ana Sofia Horta
Desempregada exemplar!

Já não me recordo à quanto tempo tive um contrato “foi há tanto tempo, já nem me lembro”. A última vez que trabalhei minimamente a sério foi a dar AEC (actividades de enriquecimento curricular) e por recibos verdes a receber cerca de trezentos euros por mês, como foi o primeiro ano a trabalhar como tal não fiz descontos.
Antes disso, os trabalhos que tive foram na minha área, educadora, nunca conseguindo ter um contrato que me deixasse a receber do fundo de desemprego.
Vida profissional: profissão... ahhh mhhhh... bem, sou licenciada em Educação de Infância à três anos e de momento não exerço a profissão porque não existe local para mim. Portanto tenho experiência em lida doméstica, educadora pedagógica, animadora de festas de crianças, restauradora de móveis e sofás, pintura em tela, trabalhos manuais que sempre me deram prazer em fazer...

Resumindo, faço tudo, também pinto e corto cabelos, sem formação, esteticista de um mês de experiência. Nada me foge, não tenho é emprego porque como não recebo do fundo de desemprego (subsídio) não sou prioridade para ninguém para arranjar emprego. Mentira... é prioridade para a minha mãe independentemente do que seja. Para o estado sou fantástica, contribui para as estatísticas a nível escolar, licenciada numa privada, desempregada sem nada a receber!
Expliquem-me, se ao fim de 16 anos de estudo “a queimar” as pestanas, tendo um diplomado fantástico de 450 euros que continua em forma de canudo na caixa e a única coisa para que serviu foi para me cair em cima do dedo mindinho e deixa-lo bem negro e inchado durante um mês.
Colegas meus de escola que desistiram antes do 9º ano, ou a meio do secundário, dão-lhes formação à escolha e ainda pagam um subsidio de transporte e alimentação ou algo do género, ou o RVCC onde falam da vida (continuo a referir-me a colegas meus com 25 anos), estes têm direito a novas oportunidades e ainda receberem melhor que eu se forem talhantes, etc.
E eu?! Truz truz... eu tenho uma licenciatura para quê?!
Cascais apoia... pois... e uma loja com objectos em segunda mão, trabalhos e restauros realizados por mim? Apoio para o financiamento do projecto? Não...
Não, não tenho filhos, mas se os tivesse, acho que não me importaria muito com a escola, prática, aprender a fazer e “desenrascate yourself”.
Boa sorte aos mestres, licenciados, aos “canudados” que se vão desenrascando como eu!


Ana Sofia Silva Horta
Educadora de Infância no Desemprego
Oeiras 

[Escreve todas as terças-feiras na rubrica Reticências da Sociedade]








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