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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Que educação queremos ter?

Criticas Soltas - by Joana Teófilo Oliveira
Que educação queremos ter?



Portugal tem um atraso estrutural na educação/formação, por força de décadas em que o acesso ao ensino era muito restrito e assim continuou após a revolução. A ausência de Universidades e a sua excessiva concentração nos grandes pólos populacionais afastaram muitos jovens do ensino universitário. 
A par desta realidade, o 25 de Abril encarregou-se de destruir as Escolas Industriais e Comerciais onde se formaram excelentes técnicos. Isso, estranhamente, acabou em nome de um progresso.
Com a chegada de Cavaco Silva ao poder em 1985 proliferaram Universidades e cursos um pouco por todo o País, sem cuidar de aproximar a formação com as necessidades do mercado. Digladiaram-se duas teses, os que defendiam que era necessário adaptar os cursos ao mercado e os outros que defendiam que o importante era ter gente licenciada e logo se via. 
E o “logo se via” aí está. Hoje, milhares de jovens licenciados estão a emigrar e os outros [com sorte] confinados às caixas das grandes superfícies ou em trabalhos temporários. O desespero apodera-se destes jovens e dos seus pais que durante anos se sacrificaram por dar “a cana” aos seus filhos e hoje vêm com desgosto que não há peixe para tanta cana. 
Eu sei que era inevitável que com esta taxa de desemprego estes jovens licenciados não fossem afectados, mas também sei que este país descurou a formação técnico-profissional e apostou na estatística, fingindo com esse logro que foram as “Novas Oportunidades” que de repente tínhamos centenas de milhares de pessoas em tempo record a terminar o 12.º. Até um organismo internacional interpelou Portugal no sentido de perceber que formação é esta que aprova mais de 95% dos seus alunos? É a mesma formação que tem a concorrente da “Casa dos Segredos” que com o 12.º ano tirado nas “Novas Oportunidades” desconhece qual é a capital de Espanha ou se a África é um continente… 
Temos rapidamente de voltar à formação profissional em áreas que o mercado absorve e precisa. O turismo e o comércio na nossa região são actividades complementares e estratégicas e que continuam a precisar de profissionais competentes. A Escola de Hotelaria e Turismo não formam em número suficiente e não existe nenhuma escola vocacionada para a formação de profissionais do comércio.
Será que o novo Ministro da Educação – que parece-me um homem ponderado – terá isto em atenção e aceitará revolucionar a educação para melhor? Ou ficará tudo como está e Portugal a formar tudo que é curso e os pais a gastar o que não têm para depois os filhos serem caixas de supermercados ou imigrar para trabalhos que em nada tem a ver com a sua formação. 


Joana Teófilo Oliveira
Estudante de Ciências da Educação


Quinta do Anjo


(Escreve todas as segundas-feiras na rubrica Criticas Soltas) 

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