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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tenho um segredo para contar...

Criticas Soltas - by Joana Teófilo Oliveira
Tenho um segredo para contar...


Vai a meio o programa dos segredos da TVI e parece não haver segredo em relação à “estupidez natural” que continua a caracterizar a "casa mais vigiada do país" (e aparentemente um dos bares de alterne com mais metros quadrados da Europa, se bem se dizer isso pode ser ofensivo mas é, aquilo que acho). Do pasteleiro musculado (aliás toda a fauna masculina parece ter sido alimentada a papas de crescimento hormonal) ao tipo do rancho folclórico, da rapariga que se orgulha de ter traído tudo o que é namorado que sentou à mesa dos papás (almoços em que adora debater a arte do sexo - "especialmente quando há convidados") - à stripper com dois litros de implantes mamários (parte dos habitantes dos pastos açorianos devem morrer de inveja) e 1 mililitro de massa cinzenta. Do rapaz humilde e virgem que fazia furor entre as ovelhas todas da terra ao "garanhão" com a mania que é poeta mas com o QI de um qualquer bicho. Ainda há uma cantora pimba – de que eu confesso nunca ouvi nem uma canção – uma auxiliar de acção médica que acha que África é um qualquer país da América do Sul, um cabeleireiro engatão com mania que é o “rei do pedaço”, dois psicólogos, dois formados em advocacia, uma candidata a freira e uma menina que os pais abandonaram em criança. Uma filha de imigrantes que diz amar o seu namorado “cá fora” e caiu de amores por um tal algarvio que encontrou na casa. Ora, há de tudo. 
Surpresa: a stripper é afinal ex-namorada de um dos pasteleiros, que aparentemente não sabia que a ia encontrar desta forma, choroso que está desde que esta o decidiu trocar por parte da corporação de bombeiros do barlavento algarvio. Para finalizar todos dizem procurar um futuro na representação? Perdão? Alguém é capaz de explicar a este grupo que a representação não é uma espécie de fungo que se apanha à beira da piscina num pré-fabricado da Venda do Pinheiro?

Não me venham com a desculpa habitual de que só vê o programa quem quer. As pessoas vêem este nojo porque ele está disponível e a inabalável verdade é que o ser humano adora contemplar a desgraça. De preferência a alheia. Os portugueses adoram dissecar acidentes. Observar a chapa amolgada e o sangue. De tal forma que se provocam filas só para ver um toque entre dois veículos. E olhar para um incêndio e a fazer comentários? - " Epá este é dos grandes - sim senhor"? Horas no Zoo a ver os macacos fazerem imbecilidades... E gastar dinheiro em revistas que falam da ex-mulher do médico dos obesos que andava enrolada com o motorista? Ou da mãe da estudante de Coimbra que fugiu de casa porque era espancada pelo marido. 

Então qual o motivo válido para não gostarem de assistir a esta malta a expor a sua vida, as suas debilidades, a sua profunda ignorância, 24 horas por dia, 7 dias por semana?
E agora? Vamos deixar de prevenir incêndios, pôr de parte a prevenção rodoviária e levar com esta imundice em formato televisivo não criticando só porque há quem goste? Não.
A ERC, uma entidade que não se percebe bem para que serve mas que já fazia alguma coisa em relação à lixeira em que se está a tornar a televisão em Portugal, está à espera de quê? A educação de um povo não passa por aquilo que lhes é transmitido? A televisão não é hoje um meio fundamental na educação dos cidadãos? Os operadores televisivos neste momento são uma espécie de selva em que quase tudo é permitido, o limite são as audiências ou falta delas. 80 Mil desocupados candidataram-se a este programa e a TVI parece ter escolhido o azeite que escorria pelas folhas de inscrição. O lixo, a ignorância, a estupidez, a idiotice e a promiscuidade triunfam. Resumo: o povinho quer-se estupido e bacoco. Quanto mais ignorante, saloio e entretido melhor. E Portugal teima em não acordar do estado comatoso em que se encontra, conveniente a tantos. 
Para um tipo de programa como este era bom que os concorrentes mostrassem alguma coisa de útil aos jovens que os seguem na televisão. Seria um bom exemplo.  Infelizmente isso não fazia audiência e o povinho ficava aborrecido.

 



Joana Teófilo Oliveira
Estudante de Ciências da Educação
Quinta do Anjo


(Escreve todas as segundas-feiras na rubrica Criticas Soltas) 

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