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terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval do Pinhal Novo

O Carnaval é “um faz de conta que acontece"


Mesmo sem cortejo carnavalesco e a folia de outros tempos, devido à contenção orçamental, Pinhal Novo não deixou de comemorar o Carnaval. É assim há 17 anos. E, como dizia um folião com pele de galinha verde, “esperamos que nunca acabe porque este é o Carnaval do povo”. 
A tradição perdura ao longo de quase duas décadas e ganha adeptos de todas as gerações: durante os dias do entrudo "eles" vestem-se de "elas", as "femme fatales", ou como diz o povo, as matrafonas do Carnaval. Meninos ou homens de barba rija despem-se de preconceitos e não se poupam a esforços e a dinheiro para encontrar a melhor indumentária para se divertirem durante os dias do Carnaval de Pinhal Novo, onde "a vida são dois dias e o Carnaval são cinco", lá diz o povo. Carla, lá estava vestida com uma lingerie a matar e um vestido rachado até às coxas. “O Carnaval inventa personagens e histórias. E gosto de criar personagens femininas. Todos os anos crio uma. Este ano trajei-me de Carla, a minha patroa, e gastei um dinheiro bom  nesta fatiota. Nem que tenhamos que apertar o cinto o resto do ano, a crise não nos impede de comprar os acessórios desde as perucas, os collants, as cuecas fio dental, as malas, as pulseiras e os colares", conta Afonso Rodrigues, 33 anos, no papel de "Carla".   
O folião faz parte de uma minoria masculina que continua a mascarar-se de matrafona de décadas passadas, a chamada "dama antiga" de vestido comprido. A tradição remonta aos anos 20 do século XX, quando os homens começaram a mascarar-se com as roupas das esposas, proibidas de se mascararem e gozarem o entrudo. 
"Toda a gente gosta de se mascarar de matrafona e a tradição está garantidissíma para os próximos cem anos no mínimo", concluiu a Carla que se perdeu na multidão a mostrar o fio dental a dois homens.

Pequeno mas animado

O Carnaval é “um faz de conta que acontece". Num desfile cheio de mulheres bonitas, a imaginação ditou a criação de fantasias que recordam outros carnavais. Faltou, é verdade, a imaginação dos foliões da Lagoa da Palha que, por falecimento de um amigo, não marcaram a presença habitual. 

A animação era, contudo a mesma de todos os anos,  com muitos dos visitantes a comparecerem mascarados a rigor. Palhaços, super heróis, abelhinhas, borboletas, marinheiros, piratas, galináceos  e até duas bailarinas transportaram os visitantes para carnavais mais quentes.  “Pela primeira vez o Pinhal Novo apresenta duas beldades brasileiras a dançar samba como se deve”, dizia Sofia Pinto agarrada à sua máquina de filmar. A ousadia foi do carro do Fitness Worx de Pinhal Novo. Um dos mais animados do cortejo.
Apesar da crise, o Carnaval fez animar o comércio, com esplanadas e restaurantes cheios, num dia em que a festa se prolongou noite dentro em brincadeiras e bailes de Carnaval.  A homenagem a Jorge Costa, um dos fundadores do Carnaval de Pinhal Novo e recentemente falecido, foi um dos momentos altos da tarde de domingo. 
O corso carnavalesco dos  Amigos de Baco  regressa amanhã, com previsões de chuva em Portugal continental. Mas a festa promete sair à rua.

Paulo Jorge Oliveira

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