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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Vendaval socialista levou três autarquias da CDU em Setúbal

CDU ganha distrito de Setúbal mas perdeu as câmaras de Almada, Barreiro e Alcochete 

A vitória expressiva da presidente reeleita da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira e Francisco Jesus, em Sesimbra, foram a exceção na noite eleitoral no distrito de Setúbal, onde o PS conquistou Almada, Alcochete e Barreiro à coligação liderada pelo PCP. Os comunistas perderam a liderança histórica da Câmara de Almada para os socialistas, tendo a ex-deputada Inês de Medeiros (irmã da atriz Maria de Medeiros e filha do maestro António Vitorino de Almeida) sido eleita a nova presidente com uma diferença de apenas 213 votos. A Câmara de Almada tinha sido sempre governada pelo PCP desde as primeiras eleições locais em 1976. E perderam o Barreiro, numa disputa cerrada, cujos resultados oficiais só surgiram depois das quatro da manhã. A CDU também perdeu em Alcochete por uma margem diminuta: 190 votos. Mais uma vez, para os socialistas. Seixal, Palmela e Moita, todas elas lideradas pela CDU há 41 anos, mantêm-se nas mãos comunistas mas sem maioria absoluta. No Montijo, onde o PS de Nuno Canta, tinha vencido, em 2013,  por pouco mais de 400 votos de diferença, teve desta vez maioria absoluta. No litoral alentejano, tudo na mesma. Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém tem maioria CDU e, em Sines, a maioria é socialista. 
Inês de Medeiros "rouba" bastião comunista em Almada para PS 

Inês de Medeiros, em Almada, Fernando Pinto, em Alcochete e Frederico Rosa, no Barreiro, são os presidentes eleitos nos três municípios que dão rosto à vitória eleitoral do PS no distrito de Setúbal, nas eleições autárquicas de 1 de Outubro.
A candidata da CDU em Setúbal, que obteve 49,95 por cento dos votos, não só conseguiu contrariar o "vendaval" socialista no distrito de Setúbal, como ainda conseguiu "roubar" um vereador ao PS, passando de seis para sete eleitos da CDU no executivo camarário setubalense, mas o vencedor das autárquicas de domingo no distrito de Setúbal foi o Partido Socialista.
“Esta vitória é fruto do trabalho de todos sem excepção, uma vitória muito grande”, dizia Maria das Dores Meira na sede de campanha comunista, em ambiente de festa.
A autarca acrescentou que a votação obtida reforça “a confiança na CDU” e mostra que os jovens também acreditam no projecto que encabeça. “Nós diminuímos a abstenção e isso foi muito bom porque houve muitos, muitos jovens que foram votar pela primeira vez e acreditaram na CDU”, disse.
A CDU, que há quatro anos tinha conquistado 11 das 13 câmaras municipais do distrito, com exceção do Montijo e de Sines, não só ficou sem dois antigos bastiões comunistas, Almada e Barreiro, como também perdeu o município de Alcochete e as maiorias absolutas nas câmaras do Seixal, Palmela e Moita. Joaquim Santos, Álvaro Amaro e Rui Garcia são agora "obrigados" a entenderem-se com a oposição para formar executivo. 

Jesus segura maioria comunista em Sesimbra 
Em Sesimbra também haverá um novo rosto na autarquia. Francisco Jesus, o nome escolhido pela CDU para substituir Augusto Pólvora [que faleceu em Junho deste ano] conseguiu uma maioria de quatro mandatos. O PS apenas elegeu dois mandatos e a coligação PSD-CDS-PP, um mandato. A candidata do Movimento Sesimbra Unida (Argentina Marques) conseguiu apenas 1782 votos sem conseguir eleger nenhum vereador. Ainda assim, na Assembleia Municipal, a CDU não tem maioria. Elegeu nove deputados. O PS, sete deputados, a coligação de direita e Movimento Sesimbra Unida , tem dois deputados cada. O Bloco de Esquerda tem um deputado eleito. A CDU conseguiu ainda o pleno nas freguesias. Castelo e Santiago, com maioria e Quinta do Conde, sem maioria. 

O "milagre de Inês em Almada" 
A derrota da CDU em Almada traduziu-se na perda de dois vereadores, um para o PS e outro para o BE, o que permitiu também a eleição de Joana Mortágua para o novo executivo camarário.
Além das vitórias autárquicas naqueles três municípios, os socialistas também passaram de maioria relativa para maioria absoluta no concelho do Montijo - perdida há quatro anos - e reforçaram a maioria absoluta que já tinham no concelho de Sines.
A socialista Inês de Medeiros reconheceu que a vitória na Câmara da Almada foi surpreendente e atribuiu-a à conjuntura nacional do PS e ao "cansaço" por 41 anos de executivos CDU.
"Claro que surpreendeu. Foi uma belíssima vitória. A CDU tinha maioria absoluta aqui, nunca perdeu a Câmara em 41 anos. Portanto, é, obviamente, uma vitória surpreendente e muito boa", começou por dizer à agência Lusa.
A deputada do Partido Socialista conseguiu um dos maiores feitos destas autárquicas, vencendo a Câmara de Almada à CDU, que governava o município desde as primeiras eleições. Joaquim Judas era novamente candidato à presidência.
"Eu acho que há várias coisas que fizeram a diferença. Uma, obviamente, é que o PS também está com grandes resultados, não é só em Almada. E depois, é também o fim de 41 anos - 41 anos é muito tempo, há um cansaço que se instala", analisou Inês de Medeiros.
Em clima de festa, a futura presidente do município de Almada sublinhou que, agora que a campanha eleitoral acabou, é preciso que todos trabalhem "em conjunto e por Almada, pelas suas pessoas e pelo concelho, que tem tanta coisa boa, tantas potencialidades".
O PS vai, contudo, governar a autarquia com um executivo minoritário, já que conseguiu apenas quatro vereadores (31,25 por cento), os mesmos que o PCP (30,9 por cento).
"Temos tempo para ver isso tudo", respondeu, quando questionada sobre eventuais acordos no executivo.
Inês de Medeiros reconheceu que esta é uma noite muito feliz para si, mas também para o PS: "Há tantos anos que [o partido] aspirava isto, é um prazer enorme dar esta alegria às pessoas".

Barreiro chega às mãos do PS às quatro da manhã 
Frederico Rosa destrona CDU no Barreiro  
Já passavam das quatro da  manhã quando a notícia [já antes admitida pelo PCP] se tornou oficial. E perderam o Barreiro - onde os sindicatos do PCP sempre tiveram uma grande influência devido à forte industrialização daquele concelho do distrito - numa disputa cerrada de Sofia Martins, a candidata do PCP e do PEV, com o socialista Frederico Rosa. Com o mesmo número de vereadores que o PCP, o PS teve mais 1465 votos e conseguiu eleger o novo presidente de câmara.
O concelho barreirense, que era liderado por Carlos Humberto (CDU) desde 2005, volta a ter à frente da autarquia o Partido Socialista, algo que só tinha acontecido entre 2001 e 2005.
Com esta vitória o PS aumentou para quatro os eleitos no executivo municipal, os mesmos que a CDU, enquanto o PSD fica apenas com um, Bruno Vitorino. 
A vitória estendeu-se à Assembleia Municipal, lista encabeçada por André Pinotes, onde o PS superou a CDU em cerca de 350 votos.
Os socialistas conquistaram as freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, Santo António da Charneca, Barreiro e Lavradio, enquanto a CDU conquistou a freguesia de Palhais e Coina.

Derrocada comunista em Alcochete 
Em Alcochete, o concelho ribeirinho, mais uma surpresa. A CDU, que liderava há três mandatos consecutivos, perdia a autarquia para o socialista Fernando Pinto, que em 2013 havia apenas conseguido um mandato [contra cinco da CDU]. O socialista duplicou a votação, ganhou a autarquia e ainda venceu a Assembleia Municipal e as juntas de freguesia de Alcochete e São Francisco (reconquistada), deixando apenas escapar a de Samouco, que ficou na posse da CDU.
Para o executivo, os socialistas conseguiram três mandatos, sendo seguidos por CDU e pela coligação CDS-PP/PSD, ambos com dois mandatos na vereação, o que implicará um entendimento da maioria com pelo menos uma das bancadas da oposição. Cenário que Fernando Pinto não descarta. “Faremos tudo o que seja melhor para Alcochete”, disse o novo presidente da Câmara ao jornal Diário da Região. De qualquer forma, disse ainda o candidato, esta é  “uma vitória de e para todos de Alcochete”.
Nota de destaque também para a coligação CDS-PP/PSD que reforçou a sua posição na Câmara: aumentou de um (Vasco Pinto) para dois vereadores a representação na autarquia. A CDU foi a grande derrotada: perdeu três dos cinco vereadores que havia elegido em 2013.

PS mantém Montijo e alcança maioria absoluta
O candidato do PS à Câmara do Montijo, Nuno Canta, foi reeleito para um segundo mandato nas eleições autárquicas de domingo, com 45,42 por cento dos votos, que lhe garantem maioria absoluta no executivo camarário.
Com este resultado, o PS terá quatro eleitos na Câmara Municipal, a CDU (20,11 por cento dos votos) dois e a coligação PSD/CDS-PP (19,44 por cento) apenas um vereador. Logo a seguir ficaram o BE, com 5,08 por cento, e o PAN, com 2,43 por cento, mas que não elegeram vereadores para a Câmara do Montijo
Nuno Canta foi eleito presidente da Câmara do Montijo em 2013, mas apenas com maioria relativa, sucedendo a Maria Amélia Antunes, também do PS, que governava o município com maioria absoluta.
Com o resultado alcançado este domingo, Nuno Canta não só mantém o município do Montijo com as cores do PS, como também recupera a maioria absoluta perdida há quatro anos.
No primeiro mandato, em que governou apenas com maioria relativa, Nuno Canta enfrentou várias dificuldades, incluindo a não aprovação de vários orçamentos municipais, o que obrigou o executivo socialista a governar com duodécimos do orçamento dos anos anteriores.
O PS, além de conquistar quatro dos sete lugares no executivo camarário, venceu, assim, em toda a linha, conquistando as cinco juntas de freguesia do concelho e a Assembleia Municipal. Os socialistas arrancaram Sarilhos Grandes das mãos da CDU e, de igual modo, Canha do PSD.
A CDU conseguiu manter-se como segunda força no concelho, reelegendo os dois vereadores que tinha na Câmara. Porém, acabou por registar uma quebra de quase 500 votos, além de ter perdido a junta que detinha.
A coligação PSD/CDS-PP, encabeçada por João Afonso, acabou por ser a grande derrotada, perdendo um dos dois vereadores que havia conseguido eleger em 2013. Tal como a CDU, viu também o PS “roubar-lhe” a junta de Canha.

Palmela, Moita e Seixal perderam maioria comunista  
Álvaro Amaro ganha Palmela mas perde maioria absoluta 

São três bastiões comunistas desde 1976, e desde essa altura, sempre ganharam com maioria absoluta. Mas o "vendaval  rosa" passu e afetou os alicerces de um poder há muito instalado. Em Palmela, o Movimento Independente da Mudança "roubou" um mandato aos comunistas e na Moita, foi a coligação PSD/CDS-PP/MPT que "destruiu" as contas da maioria. 
Há quatro anos Rui Garcia passou de vice a presidente da Câmara da Moita, ontem voltou a ser reeleito à presidência da autarquia, mas a CDU terá de se entender com a oposição.
Os comunistas obtiveram 41,10 por cento dos votos e perderam a maioria absoluta ao diminuíram para quatro os eleitos no executivo municipal, contra os três do PS, um do BE e outro do PSD.
A vitória estendeu-se à Assembleia Municipal, lista encabeçada por João Lobo, onde a CDU também saiu vencedora.
Os comunistas conquistaram todas as freguesias: Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos, Moita, Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Vale da Amoreira.
Em Palmela, Álvaro Amaro perdeu a maioria absoluta da CDU,  ao eleger quatro mandatos, menos um do que em 2013. O autarca candidatou-se pela segunda vez como cabeça-de-lista, mas não conseguiu manter a maioria, apesar de ter aumentado o número de votantes. O que mudou então? A presença de Movimento Independente e o aumento de pessoas a votar.  
Já o PS viu aumentada a percentagem de votos no concelho face a 2013 (de 25,2 para 28,35 por cento), embora tenha mantido os três vereadores eleitos no mandato anterior.
O candidato Paulo Ribeiro, da Coligação Palmela Mais (PSD/CDS-PP) manteve-se isolado como vereador. A grande surpresa foi o MIM (Movimento Independente pela Mudança), que conseguiu eleger um vereador, obtendo 8,25 por cento dos votos. O Bloco de Esquerda (BE) perdeu para o MIM, conseguindo apenas 6,03 por cento.
Na Assembleia Municipal, a CDU conseguiu eleger 12 deputados contra oito do PS, três da coligação Palmela Mais, dois do Movimento Independente pela Mudança e do Bloco de Esquerda. 
A CDU mantém as freguesias de Pinhal Novo, Poceirão/Marateca (com maioria) e Quinta do Anjo (onde perdeu a maioria). A Junta de Freguesia de Palmela volta às mãos do PS. 
Joaquim Santos é reeleito à Câmara  do Seixal, mas a CDU perde a maioria absoluta no concelho.
O PCP-PEV teve 36,54 por cento dos votos e desceu 6,88 pontos percentuais, o que fez com que o Seixal perdesse um dos mandatos e, consequentemente, a maioria absoluta.
O PS reforçou a sua posição como segunda força política mais votada, aumentando o resultado de 23,78 por cento de há quatro anos para 31,44 por cento. Dessa forma, aumentou para quatro os eleitos no executivo municipal.
PSD e BE melhoraram a sua prestação eleitoral, mas cada um manteve o mandato que já detinha.
A vitória dos comunistas passou também pela Assembleia Municipal, com a reeleição de Alfredo Monteiro, que com 35,18 por cento dos votos lhes valem 13 deputados neste órgão, contra 11 do PS, quatro do PSD, três do BE, um do PAN e um do CDS-PP.
A CDU conseguiu conquistar as freguesias de Corroios, Amora, Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, enquanto o PS ganhou em Fernão Ferro.

Litoral Alentejano ficou igual a 2013 
No sul do Distrito, no Litoral Alentejano ficou tudo na mesma. Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém tem maioria CDU e, em Sines, a maioria é socialista.
PSD e CDS-PP, juntos ou em coligação, ainda não conseguiram conquistar uma Câmara Municipal no distrito de Setúbal, até agora claramente dominado pela CDU, mas que, a partir de agora, tem também uma presença mais forte dos socialistas.
O novo mapa político do distrito de Setúbal que resultou das eleições autárquicas de 1 de Outubro tem agora oito municípios geridos pela CDU - Alcácer do Sal, Moita, Palmela, Sesimbra, Setúbal, Grândola e Santiago do Cacém - e cinco de governo PS: Alcochete, Almada, Barreiro, Montijo e Sines.

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