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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bastião comunista de Almada que todos querem

Mobilidade, transportes e habitação social no centro das propostas dos candidatos  

Há pelo menos duas realidades em Almada que se têm mantido ao longo das últimas décadas: o Cristo Rei domina a paisagem e ali é território autárquico da CDU desde o 25 de Abril. Em eleições legislativas, tanto o PS como o PSD já venceram, mas na autarquia o executivo municipal têm-se mantido constante. O atual é constituído por seis vereadores da CDU, três do PS e dois do PSD. Almada é uma das 11 autarquias nos últimos 41 anos sempre foram lideradas pela CDU. As restantes são Palmela, Moita, Seixal, Santiago do Cacém, Arraiolos, Avis, Castro Verde, Montemor-o-Novo, Mora e Serpa. Para "roubar" a autarquia das mãos comunistas há oito candidaturas. Para além do atual presidente de câmara Joaquim Judas (CDU), Nuno Matias candidata-se pelo PSD, Inês de Medeiros é a candidata do PS, António Pedro Maco pelo CDS-PP, o Bloco de Esquerda volta a apresentar Joana Mortágua, Artur Alfama é candidato pelo PAN, Manuel Lima e Silva pelo PCTP-MRPP,  João Patrocínio pelo PNR e Sara Viana Dias pelo PTP. 
Câmara de Almada está à 41 anos nas mãos do PCP 

Almada é o principal concelho da Margem Sul da Área Metropolitana de Lisboa a nível populacional. Moram em Almada 174 mil habitantes, de acordo com os Censos 2011.
No entanto, este é um dos municípios com maior abstenção do país. Nas últimas eleições autárquicas, em 2013, a taxa foi de 59,47 por cento. A CDU conseguiu vencer com pouco mais de 23 mil votos (38,73 por cento) entre quase 150 mil eleitores.
Seguiram-se o PS com 25,72 por cento, o PSD com 13,9 por cento, o Bloco de Esquerda com 5,36 por cento, o CDS-PP obteve 2,48 por cento dos votos e o PAN 2,3 por cento.
Em debate promovido pela ADN-Agência de Notícias, PopularFM e Diário da Região, o Auditório Fernando Lopes-Graça foi pequeno demais para tanta gente curiosa por ouvir as ideias "chave" dos nove candidatos à presidência da autarquia. Sara Viana Dias, do PTP, foi a única a faltar ao debate e da sua candidatura pouco se sabe. 
A mobilidade e transportes dominaram um debate "quente e intenso" mas onde todos querem juntar forças para "resolver" o assunto "para benefício das populações". 
Joana Mortágua, candidata do Bloco de Esquerda identificou os problemas e as respectivas soluções. “Do ponto de vista da mobilidade, Almada tem um problema de falta de coesão do território, porque a mobilidade intra-concelhia não existe e pior ainda não há transportes públicos que sirvam o lado do Arco Ribeirinho Sul”. Como solução, a deputada da Assembleia da República defendeu que na renegociação do contrato de concessão, que termina em 2019, “a Fertagus seja integrada na CP, para que se mantenha o transporte de qualidade, mas que ela deixe de ser privada e passe a ser pública e mais barata”.
Do lado do PS, Inês de Medeiros considerou que Almada está num “momento privilegiado” para repensar toda a questão dos transportes e da mobilidade, com a renegociação próxima de dois grandes contratos de concessão: a CP e a Fertagus. “O que importa é saber como projectamos a cidade futura, ou seja, se vai haver Margueira ou não, se vai haver, então é preciso que o contrato de concessão abra um concurso internacional com um caderno de encargos, que explane a cidade que queremos para o futuro”.
Sobre o mesmo assunto, Nuno Matias, candidato do PSD, realçou que “o PSD defende a extinção da ECALMA (Empresa Municipal Estacionamento e Circulação de Almada), não porque não seja fundamental haver uma regulação do espaço público, mas porque é fundamental haver acessibilidade e mobilidade, que tenha uma relação pedagógica com o cidadão urbano, que necessita de se deslocar para Lisboa, como a polícia municipal”.
António Pedro Maco, do CDS-PP, que afirmou que “existem pontos no concelho de Almada, que não são cobertos pela rede de transportes e que o próximo executivo que ganhar estas eleições tem de ter um poder forte junto das entidades transportadoras e do próprio Governo”.
Já Artur Alfama, o candidato do PAN – Pessoas-Animais-Natureza defendeu uma maior fiscalização da operadora rodoviária TST, que “sistematicamente falha ou suprime carreiras, não tem qualquer respeito pelas pessoas e não responde sequer a queixas”.
Manuel Lima da Silva, do PCTP/MRPP,  sublinhou que “é unânime que o concelho padece principalmente da falta de transporte metropolitano, que fizesse a circulação a todo o concelho”.
João Patrocínio, do Partido Nacional Renovador (PNR) não poupou críticas ao actual executivo de Almada, argumentando que “todos os concelhos da Península de Setúbal  estão na mão de uma força política. Se essa força política não consegue bater o pé e dizer ao Governo central que já era altura de arranjar uma forma quase simbólica para as pessoas que passam e trabalham em Lisboa paguem a travessia da ponte, então ninguém consegue”.
Joaquim Judas, da CDU, actual presidente do executivo camarário e candidato à chefia da autarquia lembrou que “existem vários operadores de transportes, mas não é no serviço municipal que vamos resolver esse problema, o Estado tem de intervir nessa matéria”.

Habitação social preocupa 
Ao longo das mais de quatro horas, o debate de Almada passou por diversos temas. Mas foi a habitação social que mais preocupações gerou entre as diversas forças partidárias. 
Nuno Matias, do PSD lembrou que “não chega dar uma casa às pessoas, mas se devem criar condições para a sua inserção no mercado de trabalho”.
Já Inês de Medeiros, do PS acrescentou que “a erradicação dos bairros deve ser feita com o empenho dos municípios”.
Joana Mortágua afirmou que “o poder político deve dar dignidade às pessoas, que continuam por realojar, não havendo uma intervenção nesses bairros”, realçou a candidata do Bloco. 
João Patrocínio, do PNR afirmou que “todos têm de receber um tratamento igual”, neste caso no que toca às políticas de habitação.
Artur Alfama, candidato do PAN, explicou que em matéria de habitação “a estratégia tem de ser nacional e a execução do âmbito municipal". 
António Pedro Maco, do CDS-PP chamou a atenção para o facto de não haver barracas apenas no bairro do Segundo Torrão e da Cova do Vapor, acrescentando que falta “vontade política” para resolver o problema.
Manuel Lima da Silva, do PCTP/MRPP, "esta é uma questão prioritária para a autarquia" e criticou a falta de respostas de todos os partidos "do arco do poder" tanto na Assembleia da República como nas Câmaras Municipais porque "discutem permanentemente esta situação como se nunca cá tivessem". Algo que mudará, diz o candidato, se o PCTP/MRPP tiver "assento municipal" . 
Joaquim Judas da CDU assumiu as que “a CDU tem particulares responsabilidades e assegurou que as pessoas serão realojadas”.

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