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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Santuário do Cabo Espichel integra Programa Revive

Privados vão dar nova vida ao maior Santuário do sul 

O Santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, é um dos 30 monumentos que integram o Programa Revive, uma iniciativa da administração central que pretende recuperar um conjunto de imóveis de enorme valor patrimonial, alguns dos quais em estado de ruína, por via de investimentos privados, em regime de concessão. Neste conjunto encontram-se sobretudo quartéis, fortes ou conventos que, de outro modo, muito dificilmente poderiam ser recuperados. A igreja, dona de parte do espaço, mostra-se optimista com a solução encontrada. "Nem a Igreja nem o Estado podem fazer tudo, e não é por um amor a pedras que quero defender o património", diz o bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho. 

Santuário do Cabo Espichel entra no programa Revive 

A proposta para que o Santuário do Cabo Espichel integrasse esta lista foi feita pela secretaria de Estado do Turismo à Câmara de Sesimbra, uma vez que a autarquia será a futura proprietária da Ala Norte e, para além disso, tem um acordo com a Igreja, proprietária da Ala Sul, para incluir esta Ala na solução encontrada, que deve sempre preservar a religiosidade do local e o seu usufruto por parte do público.
A intenção da Câmara de Sesimbra ao adquirir a Ala Norte foi "desbloquear o processo de recuperação do conjunto arquitetónico com recurso a investidores privados", diz a autarquia em comunicado enviado ao ADN.
Ao integrar o Revive, a autarquia consegue inserir o Cabo Espichel "numa plataforma abrangente, com mais visibilidade perante os possíveis investidores nacionais e estrangeiros e que, para além disso, dá acesso a uma linha de financiamento de 150 milhões de euros para apoio ao investimento privado", diz a câmara de Sesimbra.
O Santuário do Cabo Espichel, pela sua localização na Área Metropolitana de Lisboa, pelo seu enquadramento geográfico e beleza natural, e pelo forte significado religioso será, certamente, um imóvel que despertará bastante interesse.
Para o município, "a possível recuperação do espaço numa perspetiva em que se conjugue a religiosidade e o turismo, seria um enorme incremento ao desenvolvimento turístico de toda a costa ocidental", conclui o comunicado da Câmara de Sesimbra. 

Igreja apoia projeto do Governo 
O Santuário do Cabo Espichel foi, até Novembro, um dos locais onde os peregrinos podiam ganhar o Jubileu – no rito católico, obter o perdão pleno. Na última semana de 2016, surgiu na lista de trinta imóveis que o Estado vai concessionar a privados ao abrigo do programa Revive e que pode, portanto, tornar-se num complexo turístico. Como vê a Igreja esta possibilidade? "Com muito gosto", sublinhou o bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho, ao jornal Sol.
A resposta pode surpreender, mas tem uma explicação. Não é a primeira vez que se pensa na reabilitação do complexo, mas o processo tem sido sucessivamente adiado. Agora, poderá mesmo avançar.
"É algo que já vem sendo tratado há mais de 18 anos", explica o responsável diocesano ao semanário. "Nessa altura, foi feito um acordo com o Governo. Cedemos a ala norte do enquadramento do santuário [conhecida como ala dos círios, ou seja, dos peregrinos] e o Estado comprometeu-se a restaurar todo o conjunto. Ficou assente que seria ali instalada uma pousada ou algo do género, que daria para sustentar tudo aquilo". Entretanto, a igreja foi recuperada mas as alas ficaram ao abandono. Por isso, D. José Ornelas Carvalho diz que esta oportunidade é "muito conveniente. Estamos muito interessados nas perspetivas que se abrem", garante o bispo de Setúbal. 
Para o responsável, o santuário não é o único espaço a precisar de uma nova vida, pelo que acredita que o programa Revive chega em boa hora. "Nem a Igreja nem o Estado podem fazer tudo, e não é por um amor a pedras que quero defender o património. Quero fazê-lo como ser humano e pessoa que se sente fascinada pela nossa cultura e que lhe quer dar um rosto que possa ser traduzido para a nossa sociedade de hoje e nos permita redescobrir o valor precioso da nossa identidade".
Uma redescoberta que, apela D. José Ornelas, exige responsabilidade. "Não quero perverter isto [as concessões] numa comercialização do património para pô-lo ao serviço de hotéis, mas cabe todos nós, com responsabilidade e sem preconceitos, encontrar novos caminhos", diz o bispo de Setúbal.
O único "problema" prende-se com o tipo de projeto a instalar no local, mas o bispo mostra-se confiante. "Achamos que é possível entrarem privados sem descaracterizar a vocação. É um desafio que se propõe a todos. Há muita gente capaz de apresentar projetos de turismo cultural, sério, onde o espaço não fique simplesmente à mercê de um signo de lucro".

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