Pinhal Novo conquista o Mundo: seis karatecas, 24 medalhas e uma história de superação

Diego Félix, Samuel Costa, Matilde Santos e os restantes atletas levaram o nome da vila ao topo do karaté

Aos 9 anos, Diego Félix já é vice-campeão mundial. Aos 10, Samuel Costa e Matilde Santos conquistaram títulos mundiais. Rodrigo Duarte, Guilherme Fernandes e Gopaldas Rajani também subiram ao pódio na Lituânia, numa prestação da Associação Académica Pinhalnovense que se traduziu em 24 medalhas no Campeonato Mundial de Karaté. Entre os 714 competidores de 15 países e quatro continentes, os seis atletas de Pinhal Novo levaram o nome da vila ao palco mundial, num ano em que a associação celebra 70 anos de história.
24 medalhas numa competição mundial para a Académica

Há sonhos que começam muito antes de se chegar ao pódio. Começam quando uma criança aprende a repetir um movimento até lhe sair perfeito, quando descobre que cair não significa perder e quando percebe que a vitória exige muito mais do que força. Na Lituânia, seis karatecas da Associação Académica Pinhalnovense levaram consigo tudo isso. E regressaram a Pinhal Novo com resultados que fazem história.
Entre 23 e 25 de Outubro, a Šiauliai Arena recebeu o XXVI Campeonato Mundial de Karaté FSKA/FSKAW, uma competição internacional que juntou 714 atletas de 15 países, provenientes de quatro continentes. No meio de uma participação internacional alargada, a representação portuguesa deixou a sua marca, com os atletas da Académica Pinhalnovense a conquistarem medalhas de ouro, prata e bronze nas provas individuais e de equipas.
A prestação ganha um significado especial por acontecer no ano em que a associação celebra o seu 70.º aniversário. Sete décadas de história encontram, assim, uma nova página para guardar: a de atletas que levaram o nome de Pinhal Novo a um palco mundial e mostraram que a dimensão de uma terra não se mede pelo seu tamanho no mapa, mas também pela força dos sonhos que é capaz de formar.

Aos 9 e 10 anos, já se conquista o Mundo
Entre os resultados alcançados, há dois nomes que mostram como a formação desportiva pode começar cedo e chegar longe. Diego Félix, de apenas 9 anos, sagrou-se vice-campeão mundial de Kata individual masculino, na categoria de 9/10 anos até cinto verde, e conquistou o ouro na prova de Kata de equipa mista da mesma faixa etária. Somou ainda um terceiro lugar em Kata de equipa masculina, na categoria de 11/12 anos.
Com 10 anos, Samuel Costa também subiu ao lugar mais alto do pódio, ao conquistar o título de campeão mundial de Kata individual masculino, na categoria de 9/10 anos, para cintos azuis e acima. O jovem karateca alcançou ainda o terceiro lugar em Kumite individual, na mesma categoria, e integrou a equipa mista campeã mundial de Kata. Nas restantes provas de equipa, conquistou mais dois terceiros lugares.
Também com 10 anos, Matilde Santos conquistou o título mundial de Kata individual feminino, na categoria de 9/10 anos, para cintos azuis e acima. A atleta alcançou ainda o bronze em Kumite individual feminino e integrou a equipa mista que venceu a competição de Kata na sua faixa etária, somando igualmente um terceiro lugar noutra prova de equipa.
São resultados que merecem ser lidos para além da contagem de medalhas. Aos 9 e 10 anos, estes atletas já enfrentam a exigência de uma competição mundial, num contexto em que cada movimento, cada decisão e cada segundo de concentração podem fazer a diferença. O que se vê no pódio é o resultado final de um percurso que se constrói muito antes de a competição começar.

Juventude e experiência também sobem ao pódio
A comitiva de Pinhal Novo mostrou que os resultados não se ficaram pelos escalões mais jovens. Rodrigo Duarte, de 16 anos, conquistou o título de campeão mundial de Kata individual masculino, na categoria de 15/17 anos, para cintos castanhos. O atleta foi ainda vice-campeão mundial de Kata por equipas masculinas, na faixa etária de 18/21 anos, e alcançou o terceiro lugar na prova de equipas mistas do mesmo escalão.
Guilherme Fernandes, de 21 anos, conquistou o terceiro lugar em Kata individual masculino, na categoria de 18/21 anos, para cintos negros. Nas provas coletivas, foi vice-campeão mundial de Kata por equipas masculinas de 18/21 anos e de Kumite por equipas masculinas na mesma faixa etária. Alcançou também dois terceiros lugares em Kata por equipas: um na categoria mista de 18/21 anos e outro na masculina de 22/35 anos.
Já Gopaldas Rajani, de 27 anos, sagrou-se vice-campeão mundial de Kata individual masculino, na categoria de 22/28 anos, para cintos negros. Conquistou ainda o terceiro lugar em Kumite individual masculino, na categoria de 22/28 anos, até 75 quilos. Nas provas coletivas, alcançou duas medalhas de prata: uma em Kata por equipas masculinas, na categoria de 36/55 anos, e outra em Kumite por equipas masculinas, na faixa etária de 22/35 anos.
Dos mais novos aos atletas adultos, os resultados revelam uma participação que atravessa diferentes idades, graduações e disciplinas. Cada um percorreu o seu próprio caminho até ao pódio, mas todos partilharam o mesmo desafio: representar Portugal e a Associação Académica Pinhalnovense perante adversários de vários pontos do mundo.

24 medalhas que contam uma história coletiva
O balanço apresentado pela associação reúne 24 classificações medalhadas nas provas individuais e de equipas. Nas competições individuais, os atletas conquistaram três medalhas de ouro, duas de prata e quatro de bronze. Nas provas coletivas, o registo inclui três de ouro, cinco de prata e sete de bronze.
No total, são seis medalhas de ouro, sete de prata e 11 de bronze, num conjunto de resultados que evidencia a presença dos karatecas de Pinhal Novo em diferentes provas e escalões do campeonato.
Mais do que uma soma, este balanço traduz a capacidade de competir em várias frentes. O Kata, centrado na execução técnica de sequências de movimentos, exige precisão, equilíbrio, controlo e concentração. O Kumite, a vertente de combate, coloca à prova a capacidade de reagir, antecipar os movimentos do adversário e controlar a ação sob pressão.
São disciplinas diferentes, mas ambas exigem preparação rigorosa e domínio de si próprio. E é precisamente aí que o karaté se distingue de uma simples demonstração de força.

Karaté Shotokan: a vitória começa no controlo de si próprio
Para quem acompanha as medalhas sem conhecer a modalidade, importa perceber que o Karaté Shotokan é muito mais do que uma sucessão de golpes. O estilo está associado aos ensinamentos de Gichin Funakoshi e caracteriza-se pelas posições firmes, pelos movimentos definidos e pela procura de precisão técnica.
No Kumite, o controlo dos movimentos é fundamental. O princípio do Sun Dome exige que o praticante controle o golpe antes de atingir o adversário, demonstrando que a técnica não se mede apenas pela potência, mas também pela capacidade de parar no momento certo.
A disciplina, o respeito pelo outro, a concentração e o aperfeiçoamento do carácter fazem parte da filosofia da modalidade. A vitória numa competição é importante, mas o treino procura desenvolver competências que acompanham o praticante para além do tatami: persistência perante as dificuldades, responsabilidade, autocontrolo e respeito por quem está do outro lado.
É também por isso que os resultados dos atletas mais jovens têm um significado que ultrapassa a idade e as medalhas. A conquista de um título mundial representa um feito desportivo, mas o percurso até lá exige hábitos e aprendizagens que não se constroem de um dia para o outro.

Agência de Notícias 
Fotografia: Associação Académica Pinhalnovense 


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