As memórias da Quinta do Francisquinho, o orgulho no irmão e a vontade de nunca deixar ninguém sem ajuda
Na Quinta do Francisquinho, entre a terra, os animais e as brincadeiras de infância, começou a história de Fátima Almeida, conhecida em miúda como Fatinha do Monte. Em Pinhal Novo, cresceu ligada à família e guarda um orgulho especial no irmão João Henrique, que deixou a sua marca nas festas populares e no associativismo local. Hoje, na rubrica Gente da Nossa Terra, conhecemos a mulher que encontrou no voluntariado uma forma de continuar ligada à sua comunidade. Na Botique Amiga, entre a roupa, os pedidos de ajuda e as conversas com quem atravessa dificuldades, Fátima mantém a vontade de fazer a diferença na vida de quem mais precisa.![]() |
| Fátima Almeida, uma vida dedicada aos outros em Pinhal Novo |
Fátima nasceu a 11 de Agosto de 1955 e foi criada na Quinta do Francisquinho, atual Monte do Francisquinho. Quando recua à infância, não começa pelas dificuldades nem pela falta de brinquedos. Lembra-se da liberdade, da família e de uma vida em que as pessoas estavam próximas umas das outras.
"Eu era uma menina que nasceu numa quinta, fui criada na quinta desde sempre, foram as minhas referências. Era uma menina maria-rapaz, subia às árvores, era muito alegre, mas sempre me preocupei muito em ajudar o próximo. Já na minha juventude era uma pessoa muito preocupada com as outras pessoas".
A mãe, Rosa Serradeira, estava frequentemente doente, e o irmão teve um papel importante nos seus primeiros anos. Ainda assim, Fátima guarda uma memória feliz desse tempo, marcada também pela presença do pai, um homem que recorda com carinho e de quem esperava o regresso a casa.
"O meu pai era uma pessoa muito amorosa. Trabalhava muitas vezes na Moita e, quando vinha, tinha sempre um mimo para me trazer. Geralmente era uma laranja, e eu tenho isso na minha memória de uma maneira muito entranhada".
É uma recordação simples, mas que diz muito sobre a forma como Fátima olha para a vida. Não fala de grandes presentes nem de acontecimentos extraordinários. É a laranja trazida pelo pai, depois de um dia de trabalho, que ficou guardada como uma das imagens mais bonitas da infância.
Também a escola lhe deixou marcas. A professora, a Dona Francisca, foi uma das pessoas que mais a influenciaram, numa altura em que Fátima começava a descobrir o mundo para lá da quinta e de Pinhal Novo. Aos 10 anos, foi estudar para a Escola Comercial, em Setúbal, uma experiência que recorda como uma descoberta.
Pinhal Novo era uma terra onde todos se conheciam
A memória da infância leva-a também a um Pinhal Novo muito diferente do actual. As pessoas conheciam-se, ajudavam-se e os recados feitos pelo caminho faziam parte da vida quotidiana. Havia menos brinquedos, mas existiam outras formas de brincar e de estar em comunidade.
"Naquele tempo, toda a gente se conhecia. Nós passávamos pelo caminho, fazíamos um recado a um vizinho e ele dava-nos ali um ou dois rebuçados. As pessoas eram muito afáveis, havia as nossas brincadeiras, o cãozinho, o gato. Brinquedos não havia, mas os meus pais também viviam do campo e nós éramos felizes".
Na Quinta do Francisquinho, os dias também se faziam de encontros, de amigas e de tradições que juntavam pessoas. Havia concertina, celebrava-se o Dia da Espiga e Fátima andava de tractor e de bicicleta. São imagens de um tempo que permanece vivo na sua memória e que ajudam a perceber a ligação profunda que mantém à terra onde cresceu.
Essa ligação foi construída também com as pessoas que a acompanharam. O pai, a mãe, o irmão e a professora primária são nomes que identifica como referências fundamentais na mulher que se tornou. Mas, quando fala do irmão João Henrique, a voz da memória ganha outro peso.
A memória da infância leva-a também a um Pinhal Novo muito diferente do actual. As pessoas conheciam-se, ajudavam-se e os recados feitos pelo caminho faziam parte da vida quotidiana. Havia menos brinquedos, mas existiam outras formas de brincar e de estar em comunidade.
"Naquele tempo, toda a gente se conhecia. Nós passávamos pelo caminho, fazíamos um recado a um vizinho e ele dava-nos ali um ou dois rebuçados. As pessoas eram muito afáveis, havia as nossas brincadeiras, o cãozinho, o gato. Brinquedos não havia, mas os meus pais também viviam do campo e nós éramos felizes".
Na Quinta do Francisquinho, os dias também se faziam de encontros, de amigas e de tradições que juntavam pessoas. Havia concertina, celebrava-se o Dia da Espiga e Fátima andava de tractor e de bicicleta. São imagens de um tempo que permanece vivo na sua memória e que ajudam a perceber a ligação profunda que mantém à terra onde cresceu.
Essa ligação foi construída também com as pessoas que a acompanharam. O pai, a mãe, o irmão e a professora primária são nomes que identifica como referências fundamentais na mulher que se tornou. Mas, quando fala do irmão João Henrique, a voz da memória ganha outro peso.
O orgulho numa vida que ajudou a construir a terra
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| O orgulho no irmão João Henrique e as memórias vivas |
"Eu senti sempre muito orgulho do meu irmão. Ele gostava muito de ajudar as outras pessoas e queria que Pinhal Novo subisse. Foi para o rancho, deu tudo o que tinha e não tinha pelo rancho, esteve no futebol [Clube Desportivo Pinhalnovense] e depois nas festas. Foi uma pessoa espetacular, um grande entusiasta, e havia muita gente que confiava nele".
Fátima não fala apenas daquilo que o irmão fez. Fala também da forma como a memória de quem trabalhou pela comunidade pode desaparecer com o passar dos anos. É uma preocupação que vai além da história da sua própria família e que toca a identidade de Pinhal Novo.
"Eu acho que essas pessoas foram esquecidas. Não é só o meu irmão, havia outras pessoas que também foram muito importantes. Temos de saber que houve pessoas no passado que se interessaram pela cultura caramela e que ajudaram a desenvolvê-la. Agora, fazer para a frente é muito fácil, mas para trás teve que haver alguém".
É uma das ideias mais fortes que deixa nesta conversa. Para Fátima, celebrar o presente não deve significar esquecer quem abriu caminho, muitas vezes com trabalho, dedicação e noites passadas a preparar iniciativas que hoje fazem parte da história da terra.
O piquenique João Henrique que a memória ainda guarda
| A família e os amigos no piquenique João Henrique |
Durante anos, o piquenique João Henrique foi um dos momentos que permitiam recordar o irmão e reunir a família. Mesmo depois da morte dele, Fátima continuou a participar, levando comida, convidando amigas e mantendo vivo um encontro que tinha um significado muito especial.
"Eu podia estar mesmo mal, mas juntava a família, fazia a panela da sopa caramela, convidava a família, os amigos e levávamos as mantas. Às vezes ia à igreja, vinha a correr a casa para mudar de roupa e depois voltava para a festa. Quando acabava a procissão, ficávamos até à noite no piquenique, com as iguarias que era hábito fazer. O nosso arroz-doce já era conhecido".
O piquenique acabou por desaparecer. Fátima reconhece que as tradições mudam, mas não esconde a tristeza por ver desaparecer um momento que juntava pessoas e preservava uma parte da história local.
"É o progresso, mas o progresso também tem as suas coisas. Recordar quem fez tanto por esta terra também era bom, porque ele fez tudo de coração. Não foi para ter contribuições nem para ter nada disso. Ele era simplesmente o João Henrique, o filho do tio João Ratinho e da tia Rosa Serradeira, que nasceu e foi criado no Monte do Francisquinho".
Na forma como o recorda, há saudade, mas também uma vontade de deixar claro que a história de uma comunidade não se constrói apenas com os nomes que permanecem visíveis. Constrói-se também com pessoas que trabalharam sem esperar reconhecimento.
"Eu podia estar mesmo mal, mas juntava a família, fazia a panela da sopa caramela, convidava a família, os amigos e levávamos as mantas. Às vezes ia à igreja, vinha a correr a casa para mudar de roupa e depois voltava para a festa. Quando acabava a procissão, ficávamos até à noite no piquenique, com as iguarias que era hábito fazer. O nosso arroz-doce já era conhecido".
O piquenique acabou por desaparecer. Fátima reconhece que as tradições mudam, mas não esconde a tristeza por ver desaparecer um momento que juntava pessoas e preservava uma parte da história local.
"É o progresso, mas o progresso também tem as suas coisas. Recordar quem fez tanto por esta terra também era bom, porque ele fez tudo de coração. Não foi para ter contribuições nem para ter nada disso. Ele era simplesmente o João Henrique, o filho do tio João Ratinho e da tia Rosa Serradeira, que nasceu e foi criado no Monte do Francisquinho".
Na forma como o recorda, há saudade, mas também uma vontade de deixar claro que a história de uma comunidade não se constrói apenas com os nomes que permanecem visíveis. Constrói-se também com pessoas que trabalharam sem esperar reconhecimento.
A vontade de ajudar que se transformou em missão
A entrada na pré-reforma, aos 52 anos, depois de muitos anos de trabalho na EDP, abriu uma nova etapa na vida de Fátima. Em vez de abrandar, decidiu procurar uma forma de continuar a ser útil. Entrou para a direção do Centro Paroquial e esteve ligada à instituição como voluntária durante 12 anos.
Foi nesse percurso que nasceu a ideia de criar uma resposta social para ajudar pessoas e famílias. Com o apoio da Junta de Freguesia, do Centro Paroquial e de uma cooperativa que disponibilizou um espaço, a iniciativa começou a ganhar forma. Nem tudo foi fácil. Houve dificuldades, obstáculos e até um período em que tiveram de fechar por falta de instalações.
"Nunca vivemos com grandes riquezas, nunca passámos fome, mas também não vivíamos com muito. E eu pensava: se está a desperdiçar-se tanta coisa, porque é que não vou ajudar? Foi assim que nasceu esta ideia. Já tivemos um ano fechados por falta de espaço, mas não desistimos. Somos muito resilientes e dissemos que íamos continuar".
A ligação à comunidade manteve-se através da Botique Amiga. Para Fátima, o valor deste trabalho não se mede apenas nas roupas ou nos bens que chegam a quem precisa. Está também no reconhecimento das pessoas, nas conversas à porta e na confiança de quem encontra ali alguém disposto a ouvir.
"Quando encontramos as pessoas na rua, elas perguntam se não vamos abrir a loja, e os miúdos dizem: 'Olá, Dona Fátima'. Então sentimos que também estamos a fazer alguma coisa de útil. Fomos muito insistentes, conseguimos contra marés e marinheiros e, graças a Deus, estamos aqui".
Fátima faz questão de lembrar que não está sozinha. A Botique Amiga é construída por uma equipa de mulheres voluntárias, cujo trabalho considera essencial. Ela própria ajuda a mobilizar contatos e a dinamizar iniciativas, mas não aceita que o esforço seja apresentado como obra de uma só pessoa.
"Eu não faço isto sozinha. Se calhar sou aquela que dinamiza, porque conheço este, aquele e aquele outro, mas o maior trabalho é feito pelas voluntárias. Somos uma equipa totalmente voluntária, somos nós que compramos muitas das coisas e estamos aqui o tempo inteiro. É o melhor do mundo, eu adoro ser voluntária".
Foi nesse percurso que nasceu a ideia de criar uma resposta social para ajudar pessoas e famílias. Com o apoio da Junta de Freguesia, do Centro Paroquial e de uma cooperativa que disponibilizou um espaço, a iniciativa começou a ganhar forma. Nem tudo foi fácil. Houve dificuldades, obstáculos e até um período em que tiveram de fechar por falta de instalações.
"Nunca vivemos com grandes riquezas, nunca passámos fome, mas também não vivíamos com muito. E eu pensava: se está a desperdiçar-se tanta coisa, porque é que não vou ajudar? Foi assim que nasceu esta ideia. Já tivemos um ano fechados por falta de espaço, mas não desistimos. Somos muito resilientes e dissemos que íamos continuar".
A ligação à comunidade manteve-se através da Botique Amiga. Para Fátima, o valor deste trabalho não se mede apenas nas roupas ou nos bens que chegam a quem precisa. Está também no reconhecimento das pessoas, nas conversas à porta e na confiança de quem encontra ali alguém disposto a ouvir.
"Quando encontramos as pessoas na rua, elas perguntam se não vamos abrir a loja, e os miúdos dizem: 'Olá, Dona Fátima'. Então sentimos que também estamos a fazer alguma coisa de útil. Fomos muito insistentes, conseguimos contra marés e marinheiros e, graças a Deus, estamos aqui".
Fátima faz questão de lembrar que não está sozinha. A Botique Amiga é construída por uma equipa de mulheres voluntárias, cujo trabalho considera essencial. Ela própria ajuda a mobilizar contatos e a dinamizar iniciativas, mas não aceita que o esforço seja apresentado como obra de uma só pessoa.
"Eu não faço isto sozinha. Se calhar sou aquela que dinamiza, porque conheço este, aquele e aquele outro, mas o maior trabalho é feito pelas voluntárias. Somos uma equipa totalmente voluntária, somos nós que compramos muitas das coisas e estamos aqui o tempo inteiro. É o melhor do mundo, eu adoro ser voluntária".
Na experiência de Fátima, as necessidades mudam e nem sempre são aquelas que as pessoas imaginam. Na Botique Amiga, a roupa vai chegando graças à generosidade de muitas pessoas, mas a ajuda alimentar continua a ser uma das maiores carências sentidas em Pinhal Novo.
"Aquilo de que as pessoas precisam mais hoje é de ajuda na parte alimentar. A roupa, mal ou bem, vamos sempre arranjando, porque temos pessoas que vêm trazer coisas de todo o lado. Mas há famílias para quem o dinheiro fica quase todo na renda da casa, na água, na luz e no gás. Depois, é preciso pensar na comida e nos filhos".
É uma realidade que conhece através das pessoas que entram na loja. Por isso, não gosta de julgar quem pede ajuda nem de transformar a solidariedade numa avaliação da vida dos outros. Prefere ajudar e deixar que cada um responda pela sua consciência.
"Eu tenho uma filosofia: se eu ajudar 100 pessoas e só 20 é que precisavam, já sou feliz, ajudei 20 pessoas. As outras estão na consciência delas. Se não precisavam e vieram para ser ajudadas, a mim não me pesa. Eu fiz a minha parte, eu ajudei".
A ajuda, explica, também não termina quando alguém sai da loja com roupa. Às vezes é preciso ouvir um problema, aconselhar, ajudar a tratar de um papel ou procurar o contacto certo na Segurança Social ou na Junta de Freguesia. São gestos que podem não aparecer em nenhuma lista de donativos, mas que fazem diferença na vida de quem está a atravessar um momento difícil.
E há histórias que mostram como a solidariedade pode continuar a circular. Fátima recorda uma mulher que, depois de ter recorrido à loja numa fase mais complicada, conseguiu melhorar a sua situação e regressou para oferecer pizzas às crianças, com a ajuda do patrão.
"Ela costumava vir à nossa loja buscar coisas e, quando teve uma vida melhor, comprou pizzas para dar aos meninos. O patrão dela também deu outras. Nós também ajudamos a abrir um caminho, e depois as pessoas podem continuar esse caminho. Isso deixa-nos felizes".
"Aquilo de que as pessoas precisam mais hoje é de ajuda na parte alimentar. A roupa, mal ou bem, vamos sempre arranjando, porque temos pessoas que vêm trazer coisas de todo o lado. Mas há famílias para quem o dinheiro fica quase todo na renda da casa, na água, na luz e no gás. Depois, é preciso pensar na comida e nos filhos".
É uma realidade que conhece através das pessoas que entram na loja. Por isso, não gosta de julgar quem pede ajuda nem de transformar a solidariedade numa avaliação da vida dos outros. Prefere ajudar e deixar que cada um responda pela sua consciência.
"Eu tenho uma filosofia: se eu ajudar 100 pessoas e só 20 é que precisavam, já sou feliz, ajudei 20 pessoas. As outras estão na consciência delas. Se não precisavam e vieram para ser ajudadas, a mim não me pesa. Eu fiz a minha parte, eu ajudei".
A ajuda, explica, também não termina quando alguém sai da loja com roupa. Às vezes é preciso ouvir um problema, aconselhar, ajudar a tratar de um papel ou procurar o contacto certo na Segurança Social ou na Junta de Freguesia. São gestos que podem não aparecer em nenhuma lista de donativos, mas que fazem diferença na vida de quem está a atravessar um momento difícil.
E há histórias que mostram como a solidariedade pode continuar a circular. Fátima recorda uma mulher que, depois de ter recorrido à loja numa fase mais complicada, conseguiu melhorar a sua situação e regressou para oferecer pizzas às crianças, com a ajuda do patrão.
"Ela costumava vir à nossa loja buscar coisas e, quando teve uma vida melhor, comprou pizzas para dar aos meninos. O patrão dela também deu outras. Nós também ajudamos a abrir um caminho, e depois as pessoas podem continuar esse caminho. Isso deixa-nos felizes".
Um casamento de 50 anos feito de compreensão
A vida de Fátima também foi construída a dois. Casou aos 20 anos e celebrou recentemente 50 anos de casamento. Pelo caminho houve momentos bons e outros mais difíceis, como acontece em qualquer vida partilhada, mas destaca a compreensão, o companheirismo e a entreajuda que mantiveram o casal unido.
"Foram 50 anos de coisas muito boas e de coisas também menos boas, foi uma vivência grande, mas sempre unidos e a pensar no que podíamos fazer para ajudar a nossa família. O nosso casamento é feito de muita compreensão, muito companheirismo e muita entreajuda, porque ele realmente é o meu suporte".
O marido também esteve ligado ao movimento associativo e continua a apoiá-la no trabalho voluntário, mesmo quando as iniciativas ocupam tempo que poderia ser passado de outra maneira. Fátima reconhece que esse apoio é fundamental para conseguir estar presente em tantas frentes. Do casamento nasceram dois filhos e quatro netos, uma família que diz ser motivo de felicidade e gratidão.
"Foram 50 anos de coisas muito boas e de coisas também menos boas, foi uma vivência grande, mas sempre unidos e a pensar no que podíamos fazer para ajudar a nossa família. O nosso casamento é feito de muita compreensão, muito companheirismo e muita entreajuda, porque ele realmente é o meu suporte".
O marido também esteve ligado ao movimento associativo e continua a apoiá-la no trabalho voluntário, mesmo quando as iniciativas ocupam tempo que poderia ser passado de outra maneira. Fátima reconhece que esse apoio é fundamental para conseguir estar presente em tantas frentes. Do casamento nasceram dois filhos e quatro netos, uma família que diz ser motivo de felicidade e gratidão.
O sonho de cuidar de quem muitas vezes fica para trás
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| Com o marido, o seu grande apoio de toda vida |
Quando pensa no futuro, Fátima fala de um sonho que considera difícil de concretizar: a criação de um lar ligado ao Centro Paroquial, uma resposta que dê mais atenção às pessoas idosas. É uma preocupação que não nasceu por estar também a envelhecer, sublinha, mas por sentir que os mais velhos nem sempre recebem o cuidado e o carinho de que precisam.
"Gostava de fazer um lar, um lar do Centro Paroquial, alguma coisa assim. Eu acho que as crianças têm mais proteção do que os idosos. As crianças toda a gente as afaga, mas um velhote já é mais difícil. Os idosos ficam para segundo plano em tudo, até no carinho".
O que deseja para Pinhal Novo é que a solidariedade não se perca e que as pessoas continuem a ser amigas umas das outras. Também pede mais respeito pelos espaços que são de todos, lembrando os livros que a comunidade disponibiliza na pequena biblioteca junto à estação e que, muitas vezes, acabam estragados. A Botique Amiga tem livros para doar a quem os queira aproveitar. Infelizmente, já depois da gravação da entrevista, a pequena biblioteca de madeira na Praça da Independência foi vandalizada. Mas os livros continuam a chegar.
"Gostava de fazer um lar, um lar do Centro Paroquial, alguma coisa assim. Eu acho que as crianças têm mais proteção do que os idosos. As crianças toda a gente as afaga, mas um velhote já é mais difícil. Os idosos ficam para segundo plano em tudo, até no carinho".
O que deseja para Pinhal Novo é que a solidariedade não se perca e que as pessoas continuem a ser amigas umas das outras. Também pede mais respeito pelos espaços que são de todos, lembrando os livros que a comunidade disponibiliza na pequena biblioteca junto à estação e que, muitas vezes, acabam estragados. A Botique Amiga tem livros para doar a quem os queira aproveitar. Infelizmente, já depois da gravação da entrevista, a pequena biblioteca de madeira na Praça da Independência foi vandalizada. Mas os livros continuam a chegar.
As outras estórias que guarda...
Quando fala da marca que gostaria de deixar, não pede uma homenagem nem quer que o seu nome fique associado a qualquer iniciativa. O pedido que faz é simples e revela, uma vez mais, a forma como olha para quem tem menos.
"Quando eu morrer, gostava que pusessem um cesto com comida, com arroz, massa, essas coisas, para deixar para os pobres. Não é para levar para outro mundo, é para deixar a quem precisa. Isto não é por orgulho nem por fanatismo, é o meu coração que está a dizer, é o que eu penso".
Há ainda outro desejo que quer ver respeitado: que as mulheres da igreja cantem "Nos braços da minha mãe estarei". E, acima de tudo, que haja saúde e paz.
A história de Fátima Almeida começou numa quinta, entre a família, a terra e as tradições de Pinhal Novo. Pelo caminho, guardou a memória de quem a ajudou a crescer, nunca deixou de sentir orgulho no irmão e encontrou no voluntariado uma forma de continuar a cuidar da sua comunidade. Não fala de grandes feitos, nem pede reconhecimento. Prefere que a ajuda chegue a quem dela precisa e que a terra não se esqueça das pessoas que a construíram.
Talvez seja essa a medida que escolheu para a própria vida: fazer a sua parte, mesmo quando ninguém está a ver, e acreditar que um gesto de solidariedade nunca é desperdiçado.
"Quando eu morrer, gostava que pusessem um cesto com comida, com arroz, massa, essas coisas, para deixar para os pobres. Não é para levar para outro mundo, é para deixar a quem precisa. Isto não é por orgulho nem por fanatismo, é o meu coração que está a dizer, é o que eu penso".
Há ainda outro desejo que quer ver respeitado: que as mulheres da igreja cantem "Nos braços da minha mãe estarei". E, acima de tudo, que haja saúde e paz.
A história de Fátima Almeida começou numa quinta, entre a família, a terra e as tradições de Pinhal Novo. Pelo caminho, guardou a memória de quem a ajudou a crescer, nunca deixou de sentir orgulho no irmão e encontrou no voluntariado uma forma de continuar a cuidar da sua comunidade. Não fala de grandes feitos, nem pede reconhecimento. Prefere que a ajuda chegue a quem dela precisa e que a terra não se esqueça das pessoas que a construíram.
Talvez seja essa a medida que escolheu para a própria vida: fazer a sua parte, mesmo quando ninguém está a ver, e acreditar que um gesto de solidariedade nunca é desperdiçado.



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