Projeto de 100 milhões promete devolver empregos e indústria ao Barreiro

Investidores querem ressuscitar fábrica no Lavradio e apostar na indústria aeroespacial europeia

Um investimento de 100 milhões de euros pode marcar o renascimento industrial do Barreiro, com a reativação da antiga fábrica SGL/Fisipe no Lavradio e a promessa de recuperar empregos, apostar em energia limpa e posicionar Portugal na cadeia europeia da indústria aeroespacial. A iniciativa é liderada pelo empresário José Pedro Rodrigues, que reúne investidores nacionais e internacionais para devolver atividade a uma unidade que durante décadas foi um dos símbolos industriais da região.
Projeto quer devolver indústria e emprego ao Barreiro

O projeto pretende voltar a colocar em funcionamento a produção de fibra de carbono na antiga SGL/Fisipe, uma unidade histórica do concelho do Barreiro que encerrou definitivamente após anos de dificuldades financeiras e perda de competitividade.
De acordo com informações avançadas pelo Jornal Económico, o grupo liderado por José Pedro Rodrigues, fundador e chief executive da Barreiro Bay Square, pretende investir cerca de 100 milhões de euros para recuperar a unidade industrial situada na zona do Lavradio.
A estratégia passa por retomar a produção de fibra de carbono, diversificar mercados e direcionar parte da produção para a indústria aeroespacial europeia, um setor em forte crescimento.
Além de investidores portugueses, o projeto conta também com capital proveniente de empresas ligadas à indústria da defesa da Alemanha e da Bélgica. O plano prevê ainda manter alguns quadros portugueses que integravam a antiga estrutura da SGL.

Uma fábrica histórica que marcou a indústria do Barreiro
A Fisipe nasceu em Setembro de 1973, resultado de uma joint-venture entre a CUF e a Mitsubishi, com o objetivo de produzir fibras acrílicas e posicionar-se como uma das pioneiras deste setor em Portugal.
Décadas mais tarde, em 2012, a unidade foi adquirida pelo grupo alemão SGL, líder mundial no fabrico de materiais de fibra de carbono.
Apesar de possuir capacidade para produzir cerca de 50 mil toneladas de fibras por ano, a empresa acabou por enfrentar dificuldades crescentes, perdendo competitividade, sobretudo face à concorrência asiática.
Em 2018, a SGL anunciou o encerramento da produção de fio contínuo e uma profunda reorganização da estrutura da empresa. A situação deteriorou-se nos anos seguintes e culminou no anúncio, em 2025, do despedimento de 190 trabalhadores, ao qual se juntaram mais 60 este ano, levando ao encerramento definitivo da unidade.

Plano prevê indústria mais limpa e tecnologia avançada
O novo projeto pretende transformar completamente o modelo industrial existente.
Segundo José Pedro Rodrigues, o objetivo passa por modernizar a unidade, introduzir novas tecnologias e apostar fortemente em energias renováveis.
Uma das medidas previstas inclui a instalação de uma grande área de painéis fotovoltaicos e a recuperação da central de biomassa, contribuindo para uma operação industrial mais sustentável.
"Vamos apostar muito nas energias alternativas e recuperar o máximo de postos de trabalho possível", afirmou o empresário ao Jornal Económico.

Processo depende de aprovação da administração do porto de Lisboa
A concretização do investimento depende ainda de um passo administrativo crucial.
O grupo de investidores pretende adquirir entre 45 por cento e a totalidade das ações do SGL Group, que serão depois transferidas para uma nova sociedade de origem germânica.
No entanto, esta operação necessita da aprovação da Administração do Porto de Lisboa, proprietária dos terrenos onde se encontra a unidade industrial.
"Essas ações têm que ser transferidas para este novo grupo de empresas e a Administração do Porto de Lisboa tem de aprovar a transferência dessas ações da SGL para a nova empresa", explicou José Pedro Rodrigues ao mesmo jornal, acrescentando que o grupo aguarda desde Dezembro do ano passado pela decisão.

Produção pode arrancar entre três e cinco anos
Se o processo avançar, o empresário acredita que a unidade poderá voltar a produzir num prazo entre três e cinco anos.
Antes disso, será necessário realizar um conjunto de intervenções no terreno. Um relatório técnico com cerca de 400 páginas identificou quatro pontos de contaminação no solo, que terão de ser tratados na primeira fase do projeto.
O plano inclui ainda o desmantelamento de áreas industriais obsoletas, abrindo espaço à instalação de novas infraestruturas tecnológicas.

Projeto prevê receitas superiores a 60 milhões por ano
As projeções financeiras apontam para receitas anuais de cerca de 63,5 milhões de euros.
A maior fatia deverá resultar da produção de fibra de carbono T700, com uma estimativa de 51 milhões de euros por ano, baseada numa capacidade produtiva de 1.500 toneladas anuais, destinadas sobretudo aos setores aeroespacial, da defesa e dos compósitos avançados.
Já a fibra acrílica técnica poderá gerar cerca de 12,5 milhões de euros anuais, com uma capacidade de produção de 2.500 toneladas por ano, direcionadas para indústrias técnicas especializadas.

Parcerias com universidades e aposta na mão de obra nacional
Outro eixo estratégico do projeto passa pela valorização da mão de obra qualificada portuguesa. Nesse sentido, o grupo já estabeleceu uma parceria com o Instituto Superior Técnico, que poderá contribuir para o desenvolvimento tecnológico e para a formação de profissionais especializados.
Para José Pedro Rodrigues, esta iniciativa surge integrada numa visão mais ampla para o futuro industrial da região.
"Este projeto vem no seguimento do trabalho que temos vindo a fazer no Barreiro de olhar para a unidade industrial", concluiu.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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