Deslizamento na Costa de Caparica obriga retirada urgente de moradores

Arribas sob vigilância após nova derrocada que desalojou dezenas de pessoas

20 pessoas foram retiradas de casa e realojadas de emergência após um novo deslizamento de terras na Costa de Caparica, no concelho de Almada, durante a madrugada de terça-feira. A derrocada, associada ao mau tempo que tem afetado o país, atingiu diretamente três habitações e reacendeu o alerta para a instabilidade das arribas naquela zona costeira. O concelho de Almada já tem quase 250 pessoas fora das suas casas devido aos deslizamentos de terras. 
Casas afetadas após deslizamento na madrugada de terça-feira

A situação surge num contexto mais amplo de danos provocados pelas recentes tempestades que atingiram Portugal e que já provocaram 16 vítimas mortais, além de centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas, com registo de cheias, inundações, queda de árvores, destruição de infraestruturas e interrupções nos serviços essenciais.
Foi neste cenário de instabilidade meteorológica que ocorreu o deslizamento na Rua Duarte Pacheco Pereira, na Costa de Caparica. O alerta foi dado às 1h15 e mobilizou rapidamente vários meios de socorro. No terreno estiveram os Bombeiros de Cacilhas, o Serviço Municipal de Proteção Civil de Almada e a GNR.
As três casas atingidas ficaram parcialmente soterradas com a entrada de terra nas divisões. No entanto, os moradores já tinham sido retirados preventivamente pelas autoridades, evitando vítimas.

Realojamento e resposta de emergência
Além das três habitações diretamente afetadas, outras casas próximas foram consideradas de risco. Por esse motivo, 20 moradores de edifícios contíguos foram retirados e encaminhados temporariamente para o parque de campismo da Fundação Inatel.
A Proteção Civil confirmou que a decisão teve caráter preventivo, tendo em conta a instabilidade do terreno após vários dias de chuva intensa.
Na semana passada, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, admitiu que muitas das pessoas retiradas das habitações no concelho poderão não regressar às suas casas. Segundo a autarca, até esse momento, 230 pessoas já tinham sido realojadas de emergência pelo município devido aos efeitos do mau tempo.

Monitorização das arribas reforçada
Perante a sucessão de deslizamentos, a autarquia reforçou a vigilância científica das zonas mais vulneráveis. Equipas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa foram ativadas para monitorizar as arribas, no âmbito de um protocolo existente desde 2023.
O trabalho inclui a observação contínua da vertente ribeirinha e da arriba fóssil ao longo dos próximos dois anos, permitindo avaliar riscos e antecipar possíveis derrocadas.
Paralelamente, o município solicitou também apoio técnico ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para reforçar os estudos sobre a estabilidade dos terrenos.

Histórico recente de ocorrências
Desde o início das tempestades associadas às depressões Kristin, Leonardo e Marta, o concelho de Almada tem registado vários deslizamentos de terras, sobretudo nas arribas da Costa de Caparica e de Porto Brandão.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN

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