Bote Leão continua a navegar em Alcochete

As cores da zona ribeirinha, a ponte e o Tejo à vista em passeios únicos no Rei  dos Nordestes

O Bote Leão, a embarcação típica de Alcochete, continua a navegar em direção à Ponte Vasco da Gama e em direção à Reserva Natural do Estuário do Tejo, cumprindo todas as normas da Direção-Geral de Saúde. A viagem a bordo do Bote Leão começa ainda no Pontão de Alcochete com uma breve explicação sobre as novas regras devido à pandemia covid-19, desde a desinfeção das mãos à entrada no barco ao uso obrigatório de máscara durante toda a viagem. Depois parte Tejo adentro rumo à Ponte Vasco da Gama. As viagens têm a duração de uma hora e meia e estão reduzidas a metade da lotação da embarcação, contando, no máximo, com 20 pessoas a bordo. Uma boa oportunidade para descobrir "os tesouros" do Tejo, neste início de Outono, a partir de Alcochete. 
Passeios a bordo do Bote Leão voltam ao Tejo 

"À medida que navegamos no Tejo começamos a sentir o odor da maresia e o olhar, seja para que lado for, é sempre direcionado para uma paisagem que lembra as mais perfeitas telas pintadas pelos melhores artistas. As cores da zona ribeirinha da vila de Alcochete, o tracejado da Ponte Vasco da Gama e os contornos de Lisboa transportam-nos para uma dimensão idílica, quase como se fossemos parte de um quadro trabalhado minuciosamente", garante a Câmara de Alcochete.
Apesar da situação pandémica e das várias condicionantes, Alexandre Martins, presença habitual nestas viagens, realça a existência de novos viajantes a bordo e de sentir que as pessoas querem entrar a bordo da embarcação. "Há muitas pessoas a viajar pela primeira vez no Bote Leão, há mais portugueses, mas também alguns estrangeiros por causa da Praia do Sal que querem conhecer o Bote Leão”, explicou.
Os passeios a bordo do Bote Leão vão continuar até outubro. Para saber mais sobre a história do Bote Leão e consultar os horários e percursos disponíveis clique aqui.

O barco mais rápido do Tejo
O Bote Leão é a embarcação tradicional do Tejo, propriedade da Câmara de Alcochete, que está ancorada na história e tradição local e reflete a grande paixão pelo Tejo, orgulhosamente assumida pelas gentes locais.
Objeto de uma candidatura a fundos comunitários e de um apoio mecenático, a embarcação foi construída de raiz no estaleiro naval de Jaime Costa, de acordo com as técnicas utilizadas na construção das antigas embarcações que navegavam no Tejo.
Com a construção da nova embarcação a Câmara de Alcochete "quis que regressasse ao Tejo uma das mais emblemáticas e recordadas embarcações locais com o objetivo de realizar passeios turísticos no rio, entre a Ponte Vasco da Gama e a Reserva Natural do Estuário do Tejo, viagens que proporcionam aos visitantes imagens únicas num contexto natural e urbano".
O Bote Leão representa igualmente "um incentivo ao regresso ao mar, aos saberes e às experiências dos marítimos e dos pescadores", objetivo que é um desígnio e que está na "essência do ser português, bem cimentada localmente na tradição marítima de Alcochete", sublinha a autarquia ribeirinha.
Na ligação entre as duas margens eram muitas as embarcações que navegavam à vela e num vai e vem constante transportavam bens para a capital. E, nesta ligação de Alcochete a Lisboa, é inegável a importância do bote Leão para a vila que, entre o final do século XIX e a década de 60 do século XX, assegurou o transporte fluvial para a capital, e manteve com a população local uma forte relação afetiva, não só pela ligação dos seus proprietários à vila ribeirinha, mas também pelas suas características, que muita admiração causava a quem o via navegar.
Chamavam-lhe o Rei dos Nordestes pela forma graciosa e veloz como cortava as águas do Tejo, ao sabor do vento que sopra de norte.
Sobre a origem desta embarcação pouco se sabe, mas Manuel Leitão, no seu livro “Barcos do Tejo”, refere uma declaração, de 1965, do mestre António da Costa Cruz, proprietário de um estaleiro de construções e reparações navais, em Alcochete, referindo que (…) o “Leão” teria sido construído na Junqueira, em Lisboa, havia mais de 140 anos (…). No entanto, a inscrição do ano 1781 na antepara da ré sugere que a construção é anterior e o mais provável é que tal tenha acontecido.

Agência de Notícias com Câmara de Alcochete 

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