Acidente mata 11 pessoas de excursão de Portalegre

Despiste numa zona de obras de um autocarro com 44 passageiros sem cinto

Ermelinda Ramalho, uma das pessoas feridas no acidente deste domingo com um autocarro na Sertã, relatou que o despiste ocorreu “de uma forma rápida”, indicando que o veículo era “antigo” e não tinha cintos de segurança.

Despiste de autocarro matou ontem 11 pessoas em Sertã, Castelo Branco

Em declarações aos jornalistas, no Hospital de Portalegre, para onde alguns feridos foram levados, Ermelinda Ramalho explicou que o motorista “tentou desviar-se” da água que se encontrava na estrada, o IC8, na zona da Sertã.
Após esse momento, descreveu, os ocupantes não ouviram “mais nada” a não ser o autocarro a “bater no ‘rails’ [separadores]” da estrada, dando “não sei quantas voltas” até cair no fundo de uma ravina.
Um testemunho corroborado por Ana Paulo Milho, mulher do motorista do autocarro, que também seguia no veículo.
“Houve ali uma derrapagem do autocarro, ao fazer a curva, onde havia uma lomba. O meu marido, como é motorista, é que vinha a conduzir e lembro-me de ele dizer ‘Já está’. Ao dizer isso, tentou controlar o autocarro, mas foi tudo tão rápido, que ele andou aos ziguezagues para o controlar, mas não conseguiu e o autocarro deslizou para o lado esquerdo, onde pisou a berma da estrada, levou o protector, rebolou e fomos pela ribanceira abaixo”,  contou Ana Paula Milho.
A mulher do motorista recusou a ideia de que o marido estivesse a conduzir em excesso de velocidade. “Vinha a conduzir normalmente, não notei que viesse com velocidade a mais”, afirmou, revelando, no entanto, que “estava a chover e o piso estava molhado”.

Testemunhos na primeira pessoa
O autocarro pertencia a uma empresa espanhola, desconhecendo-se o seu estado de conservação. Mas tanto a mulher do motorista como outros passageiros reconheceram que não havia cintos de segurança, à excepção dos bancos da frente.
Ermelinda Ramalho, que recebeu alta no Hospital de Portalegre, acrescentou que após a queda do autocarro na ravina as pessoas “saltaram pelas janelas e partiram os vidros do autocarro”, deparando-se depois com “mortos no chão e pessoas partidas”.
“Estava a chover muito, o autocarro deu um solavanco antes de bater nos ‘rails’, deu a sensação que tinha passado por cima de alguma coisa e depois não houve tempo para mais nada”, relatou.
Maria Teresa Zangarilho, outra excursionista - que ao início da noite de ontem foi transferida para o Hospital de São José, em Lisboa, para observação em neurocirurgia -, relatou aos jornalistas que só se apercebeu do acidente quando o autocarro começou a “andar às voltas”.
“Eu caí lá em baixo nas silvas, fiquei com a cabeça debaixo do autocarro, uma pessoa ficou em cima de mim e eu fiquei muito aflita. Um senhor que saiu ileso do acidente foi quem me desprendeu”, relatou.

Portalegre de luto
Familiares das vítimas estão a ser apoiados em Portalegre

Dez das 11 vítimas mortais do acidente eram residentes no concelho de Portalegre e uma no concelho de Monforte, na freguesia de Assumar, segundo a presidente do município de Portalegre.
Adelaide Teixeira, que falou em conferência de imprensa, acrescentou que entre as vítimas mortais, entre os 40 e 65 anos, havia três casais.
A autarca de Portalegre anunciou que as autópsias aos cadáveres, todos eles na morgue do Hospital de Castelo Branco, vão ocorrer nesta segunda-feira a partir das 6 da manhã de hoje. 
A Câmara Municipal de Portalegre vai decretar luto municipal nos próximos dois dias.
No acidente estiveram envolvidas 44 pessoas, quatro do concelho de Monforte, três do concelho de Marvão, duas do concelho de Arronches, uma do concelho de Castelo de Vide e as outras 34 do concelho de Portalegre.
Os passageiros do autocarro tinham saído de manhã de ontem de Portalegre em direcção a São Paio de Oleiros (Santa Maria da Feira), numa excursão com o objectivo de visitar uma exposição denominada “O maior presépio do mundo”. Nunca chegaram ao destino.

Agência de Notícias 

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