Utentes dos Barcos do Tejo protestam amanhã no Cais do Sodré

Utentes dos transportes da margem sul manifestam-se amanhã

As Comissões de Utentes do Cais do Seixalinho, Linha do Sado e dos Transportes da Margem Sul realizam uma concentração no Terminal da Transtejo, no Cais do Sodré, em Lisboa, amanhã pelas 17 horas, seguida de deslocação ao Ministério da Economia. Apelam a todos os utentes, que por essa hora cheguem ou partam nos barcos que servem Almada, Montijo e Seixal, para participarem nesta importante jornada de luta, assim como os passageiros dos comboios da linha do Sado e dos barcos do Barreiro.

Concentração está marcada para amanhã às 17 horas, em Lisboa 



A contestação generalizada e as lutas desenvolvidas, das populações, utentes e trabalhadores dos transportes contra as intenções do Governo, contidas nas propostas do Grupo de Trabalho por ele nomeado, em liquidar o transporte fluvial existente, foram decisivas para obrigar o Governo a recuar em algumas decisões.
Sendo certo que as ligações entre Montijo/Lisboa, Trafaria/Porto Brandão/Belém e Seixal/Cais do Sodré, bem como manter a oferta entre Cacilhas/Cais do Sodré, não irão sofrer alterações imediatas, as empresas que fazem o transporte no Tejo [Soflusa e Transtejo] com a conivência do Governo, já afirmaram que estão a estudar os “ajustamentos necessários nas frequências”.
Em comunicado, os utentes dos barcos e onde se juntam os utentes dos comboios da Península de Setúbal, dizem que “todos sabemos o que na boca do Governo significa ajustes”. Significa “cortes e mais cortes nas carreiras, nos salários, nas pensões e, simultaneamente, aumentos brutais e incomportáveis para a generalidade de todos nós”.

Aumentos são “escandalosos”

Os utentes, escrevem no comunicado, sentiram os “efeitos dos aumentos escandalosos nos transportes públicos ocorridos em 2011, especialmente o que foi feito em agosto, cuja média de 15 por cento. Noutros títulos de transportes a subida foi na ordem dos 25 por cento, ao mesmo tempo que iam cortando nas carreiras, para agora cinco meses decorridos, voltarem a anunciar novos aumentos, em média de cinco por centro e a diminuição dos benefícios sociais para estudantes e reformados, bem como novos ajustamentos nas carreiras”.
Estas políticas são desenvolvidas “com vista à privatização das empresas públicas e assim reduzir ao mínimo as obrigações sociais do Estado no apoio ao serviço público de transportes”, referem os utentes que temem pagar mais se as empresas forem privatizadas e as investidas contra o passe social.
E por isso mesmo, “consideramos que é necessário continuarmos e intensificarmos a luta contra a redução da oferta, contra os cortes de carreiras, contra os aumentos previstos”. Defendem a “defesa do direito à mobilidade na sua globalidade” e defendem que o “passe social deve ser aceite por todos os operadores do sistema de transportes públicos sem custos adicionais para os utentes”.
As comissões de utentes dizem-se ainda contra os aumentos dos transportes em fevereiro porque, como dizem, serão “sempre superiores ao valor anunciado pelo Governo”.
Em protesto, durante a tarde de amanhã (26 de janeiro), as comissões de utentes apelam à concentração de pessoas na Estação do Cais do Sodré, em Lisboa, às cinco da tarde. Os utentes promovem ainda uma concentração pelas 17,30 horas, no Largo de Camões, com entrega de um documento no Ministério da Economia e Inovação.

Paulo Jorge Oliveira 

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