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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A minha amiga...

Reticências da Sociedade by Ana Sofia Horta
A minha amiga...

Olá amigos leitores!
A nossa crise vai de mal a pior, mas vem o Natal esqueçamos os presentes e juntemo-nos a quem mais nos ama com lembranças que a vizinha faz, por exemplo para a ajudar e poupar na nossa carteira, em vez de darmos chocolates.
Hoje decidi fazer uma homenagem a uma grande amiga, e a todas as mulheres que passam ou passaram por situações idênticas.
Conheci-a em ambiente de trabalho, foi minha auxiliar até nos terem separado porque nos dávamos muito bem. Por razões de saúde abandonei o infantário mas a amizade permaneceu.
Conheço-a de trás para a frente e de frente para trás, conheço a família, pelo que passa e tudo mais, e ela? Ela conhece-me como ninguém.

Abandonei o infantário por iniciar uma depressão e chegar a hora de almoço a chorar por achar que as crianças não me mereciam, não tinha tanta paciência, gritava mais, e comecei a contradizer as regras impostas por mim, o que me deitava mais abaixo. A minha amiga continuou mas sempre com as queixas, trabalhávamos a recibos verdes, portanto quando decidíssemos sair ninguém ia receber nada do fundo de desemprego. Ela ficou sempre pelo bem-estar das crianças e vendo a situação do colégio a piorar. Quando saiu estava com uma depressão incontrolável, o casamento falhado continuava, um marido incompreensível, agarrado ao dinheiro sem perceber o que custa uma depressão e ter de depender de alguém. Três filhos em casa, 16, 12 e 6 anos. A mais nova precisava de apoio, terapia da fala etc., o mais velho está a seguir a escola profissional e com alguns problemas também.
Se ela é feliz? Quando o marido não está em casa a berrar, ou a controlar a caixa do dinheiro e das contas, o dinheiro que é retirado tem de ser justificado. É claro que dinheiro para o café ou para o telemóvel é a mãe que o carrega, pois o marido não está para aí virado. Consultas? Funerais da família dela? Eu acompanho, com o maior orgulho e vontade, porque ele é o primeiro a dizer que não.
Com a crise, com um pai que grita com os filhos, que não sabe controlar-se com castigos e afins, como é que uma mãe, mulher aguenta viver de baixo do mesmo tecto quando a única liberdade que tem é decidir o que a filha veste, ela veste, e o que vai fazer para o almoço e jantar. O casamento já não existe. Uma depressão profunda.
Qual o apoio que poderemos dar a esta e tantas outras mulheres que sofrem não fisicamente mas psicologicamente e não têm condições de pedir divorcio, porque irão perder os filhos e não recebem qualquer apoio financeiro?
Quantas mulheres estarão na mesma situação? Eu posso ajudar a minha amiga, compreensão, presença, desabafos. Quando vamos a consultas tornamo-nos teenagers e naquele momento só existimos nós, momentos mágicos, maravilhosos.
Eu estarei, quero estar sempre por perto porque para além de amiga, considero-a da família, uma irmã mais velha! E vocês?
O amor não tem idade e as amizades também não.


Ana Sofia Silva Horta
Educadora de Infância
Oeiras 

[Escreve todas as terças-feiras na rubrica Reticências da Sociedade]


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Greve!



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