MAEDS pode passar para a Câmara de Setúbal por dois milhões de euros

Proposta vai esta quarta-feira a votos e prevê a compra dos imóveis e integração dos sete trabalhadores do museu 

O futuro do MAEDS pode começar a mudar esta manhã. A Câmara de Setúbal leva hoje, 7 de Outubro, a votação uma proposta para comprar por dois milhões de euros os imóveis onde funciona o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, assumir a sua gestão e integrar os sete trabalhadores. Mas há uma incógnita à partida: o executivo não tem maioria e a proposta não tem aprovação garantida.
MAEDS pode passar para as mãos da Câmara de Setúbal

A autarquia quer comprar os imóveis onde funciona o museu, na Avenida Luísa Todi e ruas envolventes, assumir a gestão integral do museu e integrar nos seus quadros os sete trabalhadores que atualmente estão ligados à Associação de Municípios da Região de Setúbal.
A proposta vai esta quarta-feira de manhã a discussão e votação no executivo municipal, mas a aprovação não está garantida. O movimento Setúbal de Volta, que lidera a Câmara, tem quatro eleitos, tantos como o PS. O Chega tem dois vereadores e a CDU um, pelo que a decisão dependerá dos restantes votos.

O que quer a Câmara comprar por dois milhões de euros?
O valor global proposto é de dois milhões de euros para a aquisição do conjunto de imóveis afetos ao MAEDS. Estão em causa vários espaços na Avenida Luísa Todi, entre os números 156 e 168, na Rua Dr. António Joaquim Granjo, nos números 5 e 7 e 9 e 11, e na Travessa das Farinhas, número 1.
A proposta prevê ainda que a loja correspondente ao número 156 da Avenida Luísa Todi seja posteriormente objeto de um contrato de arrendamento para fins não habitacionais.
O negócio não será pago de uma só vez. O município prevê celebrar o contrato de compra e venda até 31 de Dezembro de 2029, começando por entregar cinco mil euros de sinal e reforçando mensalmente esse valor até à concretização da transferência da propriedade.

Não é apenas comprar paredes
A operação vai muito além da aquisição dos imóveis. Se a proposta avançar, a Câmara de Setúbal passará também a assumir diretamente a gestão do museu e a responsabilidade por garantir a continuidade do trabalho que hoje é desenvolvido pelo MAEDS.
Isso inclui as atividades e projetos em curso, os serviços, as relações institucionais, as publicações e a biblioteca especializada, além dos restantes meios necessários ao funcionamento regular do museu. Os sete trabalhadores atualmente afetos ao MAEDS serão também integrados nos quadros do município.
Na prática, Setúbal quer passar a ter sob responsabilidade direta um equipamento que trabalha sobre a memória arqueológica e etnográfica da região, desde a investigação e conservação até à valorização e divulgação desse património.

O que está em causa para o museu
A proposta apresentada pela autarquia pretende assegurar a continuidade da missão cultural, científica e museológica do MAEDS.
É uma missão que passa por investigar, conservar, valorizar e divulgar o património arqueológico e etnográfico da região de Setúbal. 
De acordo com a proposta, não está apenas em causa manter aberto um espaço com peças e exposições. O museu tem também uma dimensão de investigação, documentação, conservação e produção de conhecimento sobre o território e a sua história. É precisamente essa estrutura que a Câmara diz querer preservar ao assumir a gestão.

Uma decisão que começou na AMRS
A mudança de mãos não surgiu agora. A Assembleia Intermunicipal da AMRS decidiu, em 9 de Março, que a titularidade do MAEDS deveria passar para um município ou para a Administração Central. Meses depois, em 19 de Junho, a Câmara de Setúbal formalizou o interesse em assumir a gestão integral do museu e em adquirir os imóveis onde está instalado.
Agora, a decisão chega ao executivo municipal. Se for aprovada, a proposta terá ainda de seguir para a Assembleia Municipal de Setúbal, onde será novamente apreciada e votada.
Por enquanto, o futuro do MAEDS ainda não está decidido. A proposta chega à votação sem aprovação garantida e, esta quarta-feira, caberá aos vereadores decidir se Setúbal dá o primeiro passo para trazer o museu para a esfera municipal.

Agência de Notícias 
Fotografia: Paulo Jorge Oliveira 

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