Setúbal: criança invisual atacada por sete colegas em escola primária

Bullying chocante na Azeda deixa aluno de seis anos em trauma emocional e a escola em silêncio 

Uma criança invisual de apenas seis anos foi agredida por sete colegas numa escola básica de Setúbal, num episódio de bullying com forte impacto emocional mas o que mais está a chocar pais e comunidade é o silêncio total da escola, que continua sem qualquer explicação pública dias depois do ataque. A criança continua sem ir à escola. 
Grupo de crianças terá atacado um menino invisual na escola

O episódio ocorreu na passada quinta-feira, 30 de Abril, na Escola Básica da Azeda, no concelho de Setúbal. Desde então, a criança não voltou às aulas, encontrando-se emocionalmente abalada após o ataque.
De acordo com informações divulgadas pela associação Ser Especial, a agressão terá começado de forma repentina, sem motivo aparente. Um dos alunos iniciou os ataques com murros e pontapés dirigidos às costas e pernas da vítima. A criança acabou por cair no chão, ficando incapaz de se levantar.
Foi nesse momento que a situação se agravou. Já no solo, a criança terá sido cercada por mais seis colegas, com idades entre os 5 e os 7 anos, que continuaram as agressões durante vários minutos.

Pedido de ajuda ignorado
Durante o ataque, a vítima pediu ajuda repetidamente, mas não houve intervenção imediata de adultos. Segundo a associação, apenas duas crianças da mesma idade tentaram ajudar e travar as agressões.
A situação só foi interrompida quando uma auxiliar de ação educativa se apercebeu de um ajuntamento de alunos e decidiu aproximar-se, conseguindo pôr fim ao episódio.
Um detalhe particularmente perturbador é o facto de, segundo a denúncia, os alegados agressores terem evitado falar durante o ataque, conscientes de que a criança invisual identifica as pessoas sobretudo pela voz.

Pais informados por terceiros
Os pais da vítima apenas souberam do sucedido por terceiros, quando se dirigiam à escola para ir buscar o filho. Já os encarregados de educação dos alegados agressores terão sido contactados pouco depois.
Apesar da violência do ataque, a criança não apresenta ferimentos físicos graves. Ainda assim, o impacto psicológico foi significativo, levando a que não regressasse à escola esta segunda-feira.
Até ao momento, o Agrupamento Sebastião da Gama, ao qual pertence a Escola Básica da Azeda, não prestou qualquer esclarecimento público sobre o caso.

Falta de resposta levanta questões
A ausência de uma posição oficial por parte da escola ou do agrupamento contribui para aumentar a inquietação entre pais e comunidade. Em situações desta natureza, a comunicação institucional é fundamental para esclarecer factos, assumir responsabilidades e transmitir confiança.
Uma resposta clara não serve apenas para explicar o que aconteceu, mas também para demonstrar que estão a ser tomadas medidas concretas para prevenir novos casos. O silêncio, por outro lado, pode ser interpretado como falta de transparência ou incapacidade de resposta, agravando o impacto de um episódio já de si preocupante.
Num contexto em que a segurança e o bem-estar das crianças devem ser prioridade absoluta, torna-se essencial que as instituições escolares atuem com rapidez, clareza e responsabilidade, reforçando mecanismos de vigilância e apoio às vítimas.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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