Seixal entre os melhores concelhos do país na recolha de óleo alimentar usado

Autarquia destaca-se no país pela recolha de óleo usado e reforça aposta nas energias renováveis

Num momento em que a dependência energética e a poluição ambiental preocupam cada vez mais, o Seixal surge como um dos concelhos mais eficientes do país na recolha de óleos alimentares usados, transformando resíduos domésticos num recurso energético com potencial para impulsionar as energias renováveis em Portugal.
Oleões instalados no Seixal ajudam a transformar resíduos em energia

O concelho do Seixal posiciona-se entre os municípios portugueses com melhores resultados na recolha de óleos alimentares usados, um indicador considerado essencial para reduzir a poluição e promover a produção de energia alternativa.
Ao lado da Maia e de Oeiras, o município integra o grupo de territórios que mais têm investido neste tipo de recolha seletiva. Um dos fatores decisivos para este desempenho é a existência de uma rede significativa de oleões, que permite aos residentes encaminhar de forma correta este resíduo doméstico.
A aposta nesta infraestrutura coloca o concelho na linha da frente das políticas ambientais em Portugal. Em contraste, muitos municípios portugueses continuam ainda longe dos valores considerados desejáveis neste tipo de recolha, revelando um atraso significativo na gestão deste resíduo com elevado potencial energético.

Um recurso energético ainda pouco aproveitado
Para o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, a valorização destes resíduos é fundamental num contexto internacional marcado pela instabilidade energética.
"Este concelho promove o uso eficaz dos oleões e a adoção de soluções complementares. Este trata-se de um recurso energético muito importante, numa altura de instabilidade internacional e de forte dependência de combustíveis fósseis. Recordo que cada litro de óleo usado, corretamente encaminhado, contribui para reduzir a poluição e para a produção de energias renováveis em Portugal", afirmou o autarca.
A reutilização de óleos alimentares usados permite, por exemplo, a produção de biocombustíveis, contribuindo simultaneamente para reduzir a contaminação de solos e recursos hídricos.

Dados nacionais mostram grande margem de melhoria
Apesar de alguns exemplos positivos, como o do Seixal, os números nacionais revelam ainda um longo caminho a percorrer.
De acordo com dados da Agência Portuguesa do Ambiente, em 2023 foram recolhidas 908 toneladas de óleos alimentares usados pelos municípios portugueses. O valor está muito longe do potencial estimado para o país, que poderá situar-se entre 43 mil e 65 mil toneladas por ano.
A maior parte deste resíduo tem origem no setor doméstico, responsável por cerca de 62 por cento do total. Ainda assim, a taxa de recolha neste segmento continua extremamente reduzida, situando-se apenas entre 2,3 e 3,4 por cento, ou seja, menos de quatro por cengto do potencial disponível.
A análise feita aos municípios com mais de 100 mil habitantes revela também resultados modestos, com uma média de recolha de apenas 0,11 litros por habitante por ano.
Os melhores desempenhos registam-se, precisamente, nos territórios onde existe maior densidade de oleões ou onde foram implementados sistemas complementares, como a recolha porta a porta, medidas que facilitam a participação da população.

Agência de Notícias 
Fotografia: Design ADN 

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