Militante do Chega da Moita desafia liderança de André Ventura e denuncia fragilidade do partido no distrito
A crise interna no Chega no distrito de Setúbal ganhou um novo capítulo político com a divulgação de uma carta aberta dirigida a André Ventura. O documento, assinado por uma militante do partido da Moita - identificada como militante nº 1135 - surge no contexto de várias demissões na estrutura distrital e acusa decisões da direção nacional de estarem a fragilizar o partido no território. Entretanto, o presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, Nuno Gabriel, já reagiu às críticas, considerando que a contestação surge num momento estratégico.![]() |
| Demissões e críticas internas marcam política no Chega em Setúbal |
As divergências internas no Chega continuam a marcar a atualidade política no distrito de Setúbal. Depois de várias demissões de dirigentes concelhios e distritais, uma militante do partido decidiu tornar pública uma carta aberta dirigida ao líder André Ventura, onde expõe preocupações profundas sobre o rumo do partido.
A carta, assinada pela militante nº 1135 do Chega da Moita, surge num momento de forte contestação à atual Comissão Política Distrital de Setúbal, que alguns dirigentes e fundadores do partido consideram ter perdido legitimidade política após a saída de vários responsáveis.
Desde as eleições autárquicas de Outubro do ano passado, registaram-se demissões de seis dirigentes da Comissão Política Distrital e de três coordenadores concelhios ligados à estrutura distrital.
Entre os nomes que abandonaram funções estão João Pereira, antigo coordenador do Chega em Almada, Nuno Capucha, do Seixal, e Diamantino Laja, de Sesimbra.
João Pereira e Diamantino Laja deixaram também as respetivas coordenações concelhias, enquanto Nuno Capucha afirma ter sido informado em Novembro de 2025 de que seria substituído na liderança local.
O mal-estar com o órgão distrital já se fazia sentir, mas intensificou-se depois das autárquicas. "Em particular, gerou perplexidade o facto de, na Câmara de Sesimbra - onde o próprio Nuno Gabriel exerce funções como vereador - ter sido viabilizado, através da abstenção, um orçamento apresentado pela CDU, para muitos uma traição aos valores do partido e aos eleitores que depositaram o voto numa mudança ideológica". Os sentidos de voto em várias matérias autárquicas, nomeadamente a viabilização dos orçamentos municipais para o presente ano, são outras das questões que muitos militantes criticam.
Carta aberta expõe descontentamento nas bases
Numa carta aberta dirigida a André Ventura, uma militante do Chega da Moita - identificada como militante nº 1135 - expõe o seu descontentamento com o rumo do partido e alerta para decisões que, no seu entender, estão a fragilizar as estruturas locais.
"Escrevo-lhe não apenas como militante mas como alguém que acreditou, que lutou e que continua, apesar de tudo, a querer acreditar", começa por afirmar.
A militante refere que escreve movida por inquietação e tristeza ao ver o projeto político afastar-se daquilo que considera terem sido os princípios que impulsionaram o crescimento do partido.
Uma das críticas centra-se na escolha de presidentes de distritais para exercerem funções de deputados, situação que, segundo afirma, acaba por retirar liderança e presença política no terreno.
"Quando se decide colocar presidentes de distritais como deputados, não se está apenas a promover pessoas - está-se, na prática, a esvaziar o território", escreve.
A autora da carta considera que esta estratégia tem como consequência estruturas locais mais frágeis e com menor capacidade de resposta.
Outro dos pontos levantados prende-se com a perceção de falta de equilíbrio nas disputas internas pelas lideranças distritais, sobretudo quando deputados se candidatam a essas estruturas.
"Quando um deputado se candidata a uma distrital, a perceção para os militantes é clara: essa será inevitavelmente a escolha preferida do líder", afirma.
Na parte final da carta, deixa um apelo direto ao líder do partido para reforçar a ligação às bases.
"Devolva o partido ao terreno. Deixe que os deputados sejam deputados na Assembleia da República e permita que as distritais sejam lideradas por quem está presente e conhece as pessoas", escreve.
A militante conclui sublinhando que a intenção da carta não é atacar a liderança, mas provocar reflexão interna.
Numa carta aberta dirigida a André Ventura, uma militante do Chega da Moita - identificada como militante nº 1135 - expõe o seu descontentamento com o rumo do partido e alerta para decisões que, no seu entender, estão a fragilizar as estruturas locais.
"Escrevo-lhe não apenas como militante mas como alguém que acreditou, que lutou e que continua, apesar de tudo, a querer acreditar", começa por afirmar.
A militante refere que escreve movida por inquietação e tristeza ao ver o projeto político afastar-se daquilo que considera terem sido os princípios que impulsionaram o crescimento do partido.
Uma das críticas centra-se na escolha de presidentes de distritais para exercerem funções de deputados, situação que, segundo afirma, acaba por retirar liderança e presença política no terreno.
"Quando se decide colocar presidentes de distritais como deputados, não se está apenas a promover pessoas - está-se, na prática, a esvaziar o território", escreve.
A autora da carta considera que esta estratégia tem como consequência estruturas locais mais frágeis e com menor capacidade de resposta.
Outro dos pontos levantados prende-se com a perceção de falta de equilíbrio nas disputas internas pelas lideranças distritais, sobretudo quando deputados se candidatam a essas estruturas.
"Quando um deputado se candidata a uma distrital, a perceção para os militantes é clara: essa será inevitavelmente a escolha preferida do líder", afirma.
Na parte final da carta, deixa um apelo direto ao líder do partido para reforçar a ligação às bases.
"Devolva o partido ao terreno. Deixe que os deputados sejam deputados na Assembleia da República e permita que as distritais sejam lideradas por quem está presente e conhece as pessoas", escreve.
A militante conclui sublinhando que a intenção da carta não é atacar a liderança, mas provocar reflexão interna.
Distrital fala em "jogo sujo"
Entretanto, o presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, Nuno Gabriel, já reagiu às críticas, considerando que a contestação surge num momento estratégico.
Segundo o dirigente, este é ano de eleições internas para a liderança distrital e a divulgação destas acusações corresponde a um "jogo sujo e pouco digno" que, na sua opinião, não beneficia o partido.
Apesar das polémicas internas, o Chega mantém um peso político significativo no distrito. Nas últimas eleições legislativas foi a força mais votada em Setúbal e nas autárquicas de outubro do ano passado tornou-se a terceira força política, elegendo vereadores nos nove municípios da Península de Setúbal.
Segundo o dirigente, este é ano de eleições internas para a liderança distrital e a divulgação destas acusações corresponde a um "jogo sujo e pouco digno" que, na sua opinião, não beneficia o partido.
Apesar das polémicas internas, o Chega mantém um peso político significativo no distrito. Nas últimas eleições legislativas foi a força mais votada em Setúbal e nas autárquicas de outubro do ano passado tornou-se a terceira força política, elegendo vereadores nos nove municípios da Península de Setúbal.
Agência de Notícias
Fotografia: Design ADN

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