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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Trabalhadores chumam pré-acordo na Autoeuropa

Trabalhadores querem diálogo após chumbo do pré-acordo. Empresa pondera deslocalizar produção 

O segundo “chumbo” nas negociações laborais da Autoeuropa poderá resultar na deslocalização de parte da produção do novo modelo da fábrica de Palmela. A Volkswagen não comenta e diz que está a avaliar a situação. A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa quer reiniciar o diálogo com a administração da fábrica de Palmela depois de ter sido rejeitado o pré-acordo em referendo. 63 por cento dos trabalhadores votaram contra o documento que estipula os novos horários na fábrica. O Governo mostra-se preocupado com a situação na principal fábrica do país e pede que sejam encontradas soluções. O sucesso no arranque da produção do T-Roc é decisivo para a Volkswagen e poderia ser um catalizador para o fabrico de outros novos modelos em Palmela, além de implicar a contratação de mais 400 trabalhadores em 2018. 
Acordo para novo horário volta a falhar em Palmela 

Quatro meses depois, o impasse regressa à Autoeuropa. Os funcionários da fábrica de Palmela voltaram a dizer ‘não’ ao pré-acordo a que tinham chegado a Comissão de Trabalhadores e a Administração.
Mais de 63 por cento dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o segundo pré-acordo sobre os horários de trabalho na fábrica de automóveis de Palmela, no referendo realizado quarta-feira, com 3.145 votos contra o pré-acordo e 1.749 votos favoráveis.
Numa primeira reação, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa disse não perceber a decisão tomada em referendo pelos mais de cinco mil trabalhadores da empresa, uma vez que acreditam que estavam salvaguardados os seus direitos. Concretizado o chumbo, a Comissão de Trabalhadores quer avançar para novas negociações com a administração da fábrica da Volkswagen.
"Tendo em conta os resultados obtidos com o referendo, a Comissão de Trabalhadores pretende reiniciar o processo negocial com o objetivo de alcançar um novo entendimento", refere, em comunicado, a CT da Autoeuropa.
Os representantes dos trabalhadores referem ainda, no comunicado, que "o conteúdo do pré-acordo garantia a manutenção dos direitos dos trabalhadores, tal como o trabalho suplementar considerado como tal", "a rotação semanal dos turnos" e a "continuidade do horário semanal de segunda a sexta-feira até à entrada do regime de laboração contínua", prevista para Agosto de 2018.
"As condições estabelecidas, ao contrário do que alguns pretenderam fazer crer, representavam uma melhoria para os trabalhadores em relação ao que já anteriormente tinha sido proposto e igualmente rejeitado", acrescenta o documento.

T-Roc pode mesmo ser deslocado para a Alemanha 
O acordo viabilizaria um novo modelo de produção de automóveis na fábrica de Palmela - introduzindo a laboração contínua, com três turnos diários, de segunda-feira a sábado. Esta quinta-feira já começam a surgir, em contactos informais, cenários alternativos destinados a garantir que a marca alemã Volkswagen consiga dispor de 240 mil unidades do novo modelo T-Roc durante todo o ano de 2018, para responder às encomendas formalizadas. Só que isso pressuporia produzir parte deles na Alemanha, escreve o jornal Expresso.
Apesar da administração da fábrica de Palmela não comentar a existência destes cenários alternativos e de os representantes dos trabalhadores recordarem a declaração que o presidente executivo da marca VW, Herbert Diess, fez a jornalistas portugueses - de não querer transferir a produção total ou parcial do T-Roc para outras fábricas -, a verdade é que já foi esgotado o prazo limite para negociar um acordo laboral em Portugal. A VW na Alemanha admitiu que o acordo fosse alcançado entre Outubro e Novembro.
O mesmo jornal diz que há alusões à fábrica alemã de Osnabrück, indicada como uma das linhas de produção da VW que poderia produzir unidades do T-Roc em complemento à produção de Palmela. Chegou mesmo a ser referida na imprensa como uma fábrica que poderia produzir a versão descapotável do T-Roc. 
No entanto, a VW não confirma a viabilidade de produção desta variante do T-Roc. O que não quer dizer que a fábrica de Osnabrück não possa vir a fabricar o próprio T-Roc. Mas ainda haveria outras alternativas de produção nas unidades fabris alemãs da marca que atualmente laboram com volumes de produção abaixo da respetiva capacidade instalada. 
Como o T-Roc é produzido com base numa plataforma modular, torna-se fácil adaptar outras fábricas à sua produção. E é possível operacionalizar uma decisão deste tipo em poucos meses.

Volkswagen já investiu muito na fábrica de Palmela 
Situação na Autoeuropa pode tornar-se muito complicada 
Voltando às perspetivas da VW, a questão é muito objetiva para os investidores alemães: o responsável pelos recursos humanos da VW, Jurgen Haase, já disse claramente que a marca tinha investido “muito dinheiro” na fábrica de Palmela, transformando-a para cumprir os objetivos do programa de produção do T-Roc, o que “implica a laboração contínua, com três turnos diários, incluindo o sábado”. 
Ou seja, os custos de produção do T-Roc dificilmente comportariam um modelo laboral em que o sábado funcionasse como um dia diferente, com escalas aleatórias e não obrigatórias e com trabalho remunerado em horas extraordinárias.
Mas os trabalhadores têm tido dificuldade em acomodar esta alteração e os resultados negociais já implicaram o insucesso de duas Comissões de Trabalhadores. A primeira coordenada por Fernando Sequeira, que apresentou a demissão depois dos trabalhadores terem rejeitado a sua proposta. E a segunda, liderada por Fernando Gonçalves, que recebeu no referendo de quarta-feira um total de 3.145 “cartões vermelhos”, entre 4.975 votos.

Governo vê "risco" para a empresa 
O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considera que a situação na Autoeuropa "é um risco para a empresa" e apelou aos trabalhadores e à administração que encontrem soluções num curto prazo.
"Obviamente que essa situação não é positiva. Esta é a pior situação na Autoeuropa. É um risco para a empresa, seria ilusório estar a fazer uma afirmação no sentido contrário", sublinhou.
José Vieira da Silva lembrou que esta "não é a primeira vez que existem acordos na Autoeuropa que são afetados por um referendo dos trabalhadores" e sempre foi possível encontrar soluções negociadas.
Segundo o governante, o "tempo escasseia e as soluções têm de ser encontradas num prazo curto".
"Nós apelamos às partes para que aprofundem os seus contactos, para que possam estudar novas situações e que possam junto dos trabalhadores ter uma atuação que valorize a importância que tem este acordo para o futuro da Autoeuropa, daquela região, do país daqueles trabalhadores e das suas famílias, porque é de facto um projeto de futuro que está a ser discutido neste momento", salientou.
Também o ministro da Economia disse que deve ser encontrada uma solução. "Faço votos para que haja um sentido de responsabilidade e que se possa ainda encontrar uma solução", disse Caldeira Cabral.

Autoeuropa, que futuro? 
T-Roc pode não ser produzido em Palmela se impasse durar 

A fábrica de Palmela é agora confrontada com um futuro que pode não ser rigorosamente como o que tinha sido traçado pelo seu diretor-geral, Miguel Sanches, que é atualmente quem estará a ser mais pressionado para cumprir os objetivos de produção do T-Roc fixados para o final de 2017 e para todo o ano de 2018.
Para tornar tudo ainda mais complicado, o T-Roc que foi atribuído à fábrica de Palmela é um carro decisivo para impulsionar o crescimento de vendas da VW, depois desta marca ter sido fortemente afetada pelo escândalo da manipulação das informações sobre emissões poluentes.
Por isso, a produção do T-Roc não poderia enfrentar problemas no seu arranque, nem os seus custos de produção poderiam ser agravados em relação às previsões iniciais feitas pela marca alemã.
Mas o sucesso no lançamento do T-Roc também é decisivo para o futuro da Autoeuropa, pois poderia potenciar a atribuição de novos modelos que aumentassem a sua produção total e implicassem a contratação de mais trabalhadores.
Resta a esperança de um entendimento, rápido, entre trabalhadores e empresa para que não haja uma deslocalização - total ou parcial - do novo modelo.


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