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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Agricultores de Setúbal preocupados com a seca

Agricultores querem conclusão do plano de rega do Alentejo

Os agricultores do Distrito de Setúbal acreditam que a solução para os períodos de seca no sul do País passa pela gestão da água em alta, pelo Estado e pela construção da barragem do Pisão, no distrito de Portalegre. Isto a par dos transvases da barragem do Alqueva e de outra forma de gestão da água em alta. A gestão da água do Alqueva em alta tem sido assegurada pela empresa pública Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva e pelas associações de regantes, mas a Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal defende que deve ser gerida apenas pelo Estado, de forma a garantir preços comportáveis para os produtores de arroz. A falta de água, que na barragem do Pego do Altar, em Alcácer do Sal, deixou visível uma ponte submersa há quase 19 anos, também preocupa o presidente da associação , Joaquim Caçoete, que, depois de um ano com uma “produção agrícola excepcional” em toda a região, antevê uma quebra significativa já em 2018. 
A seca que destapou a ponte na barragem do Pego do Altar


“É preciso que sejamos capazes de ir ao Alqueva buscar a água de que necessitamos, por transvase, aqui para a região. E isso implica medidas de fundo, de gestão da água em alta, por parte do Estado”, disse à Lusa Joaquim Manuel Lopes, técnico da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal, durante uma visita à exploração de arroz Várzea da Marateca, no concelho de Palmela, uma das muitas que estão em risco de não ter produção em 2018 devido à falta de água.
“Precisamos de agir construindo o que falta do plano de rega do Alentejo. A construção da barragem do Pisão, no concelho do Crato, com o respectivo transvase do Tejo para essa barragem, o que permitirá recarregar as barragens a jusante dessa de modo a regar o Baixo Ribatejo e o Alto Alentejo, é fundamental. E depois é necessário que seja feita uma estação de bombagem a montante do Alqueva, que permita recarregar barragens, por exemplo, a barragem do Divor (concelho de Arraiolos, distrito de Évora) e a barragem dos Minutos (Montemor-o-Novo, Évora), se vier a ser necessário”, Joaquim Manuel Lopes.

Barragem em Alcácer do Sal também preocupa
Além da falta de água provocada pela seca, os agricultores também se queixam do preço elevado dos transvases a partir da barragem do Alqueva. E, em alguns casos, preferem esperar que chova a fazerem transvases a preços que consideram incomportáveis.
“Neste período de Inverno, quando as barragens vão recuperando a sua capacidade de armazenamento para depois termos água para a rega a partir de Abril, temos nós esperança de que a chuva que vai caindo seja suficiente para repor a capacidade de armazenamento. Começar a comprar água em Outubro, significa que, depois, quando começar a chover, podemos ter necessidade de deitar água fora. E, àqueles preços, não podemos correr esse risco”, justifica o coordenador da Associação de Regantes do Vale do Sado, Gonçalo Faria, adiantando que já houve contactos com a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva e com o Governo para tentar encontrar soluções.
A falta de água, que na barragem do Pego do Altar, em Alcácer do Sal, deixou visível uma ponte submersa há longos anos, também preocupa o presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal , Joaquim Caçoete, que, depois de um ano com uma “produção agrícola excepcional” em toda a região, antevê uma quebra significativa já em 2018. “O que nos preocupa agora é que os custos de produção para a próxima época sejam demasiado elevados, se não forem tomadas medidas por parte do Governo”, disse Joaquim Caçoete. “Também verificamos que, se não forem tidos em conta os custos da eletricidade – das bombas dos furos de captação de água – , vamos ter aqui uma situação de abandono de algumas colheitas, de algumas culturas. E não vamos ter colheitas em 2018″, acrescentou.
Perante este quadro, o presidente dos Agricultores de Setúbal, desafiou o Governo a tomar as medidas necessárias para fazer face aos problemas imediatos dos agricultores da região e para a conclusão do Plano de Valorização do Alentejo.



A seca que destapou a ponte na barragem do Pego do Altar
Seca preocupa agricultores do distrito de Setúbal 
O ano de 2017 teve a terceira Primavera mais quente em Portugal, desde 1931. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o mês de Setembro foi o mais seco dos últimos 87 anos e quase metade do território está em seca severa ou extrema.
Segundo os dados do sistema nacional de informação dos recursos hídricos, das 60 albufeiras monitorizadas, três apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 23 têm disponibilidades inferiores a 40%. A bacia do Sado é a única que está pintada a vermelho, abaixo dos 20 por cento de armazenamento.
A barragem do Pego do Altar, em Alcácer do Sal, está com oito por cento da sua capacidade de armazenamento. O nível da água na albufeira está tão baixo que deixou a descoberto uma ponte do séc. XIX, submersa há 19 anos.
“Todos os domingos vem gente de todo o lado para ver a ponte”, diz António Vitorino, 86 anos, habitante da aldeia de Santa Susana, considerada por muitos como a mais bonita do Alentejo. É ali perto que fica a barragem do Pego do Altar, que já teve o nome de Salazar, inaugurada em 1948 pelo então presidente do Conselho de Ministros.
A barragem foi construída pelo Estado Novo, precisamente para o aproveitamento das águas para a agricultura no vale do Sado e para a produção hidroeléctrica. A albufeira é um ponto turístico, sobretudo para a pesca desportiva, mas no último ano, a água desapareceu.
Antigamente, a água da albufeira chegava até bem perto da estrada alcatroada, num dos extremos da aldeia de Santa Susana. Agora, é preciso andar muito para encontrar a ponte e, sob as arcadas da estrutura, há apenas um charco. A terra está gretada, seca, amarela.
A água desapareceu, o que tem vindo a acontecer ao longo dos últimos três anos. Em Outubro do ano passado, a capacidade da barragem do Pego do Altar era de 18 por cento. Agora, está nos 8 por cento.
Gonçalo Lince de Faria é o coordenador da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado, que gere as barragens do Pego do Altar e de Vale do Gaio, e diz que, nesta altura, “as duas barragens estão completamente vazias", mas este quadro de seca "já se vem arrastando há 3 anos. Desde essa altura que temos regas por rateio”.
O ano passado já se registou uma quebra da produção de arroz e, este ano, ainda foi maior: reduziu 40 por cento. Gonçalo Lince de Faria diz que, se o tempo continuar assim, se não chover, para o próximo ano não há campanha do arroz.
A barragem do Pego do Altar não tem qualquer alternativa de abastecimento, mas a de Vale do Gaio pode receber água de Alqueva. Contudo, os preços são tão elevados que os agricultores da associação decidiram não comprar água à Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva. “A cultura do arroz precisa de muita água e com consumos elevados de água, os preços praticados pela EDP são insuportáveis”, explica Gonçalo Lince de Faria.

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