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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sesimbra vai a votos para escolher novo presidente

As eleições no concelho com maior abstenção do país têm cinco candidatos 

Sesimbra foi o concelho que nas últimas eleições locais teve mais abstenção: 62,2 por cento das pessoas não foi votar. Ganhou a CDU com 6536 votos e que lhe valeu a maioria absoluta. Nestas eleições PS, a coligação PSD/CDP-PP, BE e o Movimento Sesimbra Unida, querem quebrar a governação da CDU. Como forma de aproximar os cidadãos da política, apontou-se a criação de um provedor do munícipe, medida que a maioria da CDU rejeita. A abstenção, os impostos, as vias por arranjar, a falta de equipamento escolares e de saúde e a aposta na atratatividade para trazer mais turistas ao concelho fizeram parte do debate politico em Sesimbra. Há quatro anos a CDU elegeu quatro mandatos, contra dois do Partido Socialista e um da coligação de direita. 
Sesimbra teve em 2013 mais de 62 por cento de abstenção 

Paula Espírito Santo, especialista em sociologia e comportamento político do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, crê que, porém, que o facto de Francisco Jesus, o candidato da CDU, ser um rosto novo pode ajudar a travar o crescimento da abstenção no concelho, nestas eleições de 1 de Outubro. Contudo, a professora universitária não hesita em apontar o domínio incontestado da CDU a nível local como uma das prováveis causas para uma abstenção tão elevada em 2013: “Uma das primeiras causas que pode apontar-se centra-se na racionalização ou utilidade do voto”, explica.
“Ou seja, se está garantida a continuação do partido na sede do poder, então não vale a pena o reforço da votação.” Que é como quem diz, quando já é praticamente certo que a vitória está assegurada para a CDU, até mesmo os sesimbrenses mais idosos, que sempre apoiaram o Partido Comunista, hesitam em fazer os 800 metros (a subir) até à escola Navegador Rodrigues Soromenho para votar. “Se pusessem as urnas aqui em baixo, ajudava. Em dia de eleições, num domingo com sol, toda a gente está aqui na marginal”, diz um pescador, sugerindo a Sociedade como uma boa assembleia de voto alternativa.
E meio a brincar, meio a sério o candidato da CDU concorda. "Se as pessoas não vão votar é porque já sabem quem irá ganhar", disse Francisco Jesus. 
Como forma de aproximar os cidadãos da política, apontou-se a criação de um provedor do munícipe, medida que a maioria da CDU rejeita.
Francisco Jesus diz que “a posição do executivo da CDU não é favorável à existência da figura do provedor. Achamos que do nosso ponto de vista, não são apenas os vereadores, mas todos os eleitos municipais e de freguesia devem ser provedores do munícipe”.
“Há um problema de participação e a abstenção em Sesimbra é de 62 por cento mas não é só em Sesimbra, é em todo o distrito de Setúbal, o que significa que é um problema de fundo do poder autárquico. O modelo de debate, fixado em ataques pessoais afasta as pessoas do poder local”, realçou Adelino Fortunato, do Bloco de Esquerda. 
Francisco Luís, do PSD/CDS-PP,  considerou que “o modelo de participação e as opções participadas está esgotado, temos de reeinventá-lo. O provedor do munícipe não resolve os problemas da participação, mas ajuda muito. Porque este distanciamento que tem em relação ao poder autárquico a fazer valer a voz dos munícipes pode ser o pontapé de saída para um modelo de participação cívica mais eficaz”.
O socialista Américo Gegaloto, sublinha a defesa de um provedor do munícipe como “uma entidade imparcial que não é vereadora, que intercede pela população, dando razão ou não”.
Argentina Marques explicou que “há que fazer chegar a informação às pessoas, há que colocar na internet as assembleias, as sessões de câmara, colocando as Tecnologias da Informação e da Comunicação ao serviço das populações”.

O que foi feito e o que não foi feito em Sesimbra? 
O Cineteatro Municipal João Mota, em Sesimbra, foi pequeno para o debate promovido pela ADN-Agência de Notícias, PopularFM e Diário da Região,  com os candidatos à Câmara de Sesimbra.  
Francisco Jesus, candidato da CDU, lembra que “ao longo dos últimos quatro anos, mesmo com todas as dificuldades financeiras foram feitos investimentos em infra-estruturas, nomeadamente ao nível do saneamento, reabilitação da rede viária e um conjunto de equipamentos para valorização do património”, como o Museu Marítimo e a requalificação do Cabo Espichel.
Já Américo Gegaloto, candidato do PS sublinha que “se estivesse tudo bem não tínhamos problemas de estacionamento na vila de Sesimbra e na Cotovia, já haveria um canil e um gatil municipais, um pavilhão multiusos na Quinta do Conde, um auditório, uma biblioteca e um novo centro de saúde, em Santiago”.
Adelino Fortunato (BE), que considera que “melhorou em alguns aspectos, mas globalmente outros continuam por resolver. Há um problema de coesão a vários níveis do concelho e um problema básico de construção de um núcleo de actividades económicas fortes e estruturadas, que permitam criar emprego e desenvolver Sesimbra”, acusando a maioria da CDU de “querer apresentar obras feitas, mas não pensar na forma de dinamização das novas infra-estruturas”.
O candidato da coligação PSD/CDS-PP Sesimbra Mais, Francisco Luís apontou “a existência do plano estratégico do turismo elaborado pelo gabinete do professor Augusto Mateus, que tem o trabalho todo feito, do ponto de vista da avaliação feita ao concelho de Sesimbra e em termos prospectivos o que é necessário fazer para que Sesimbra se torne ainda mais um concelho de grande atractividade turística”.
Argentina Marques, candidata independente do MSU (Movimento Sesimbra Unida) esclareceu a diferença entre crescimento e desenvolvimento. “Se formos falar em crescimento, dizemos que Sesimbra cresceu mais que não seja em população, com a Quinta do Conde no topo das freguesias mais jovens”. No entanto, o desenvolvimento das infra-estruturas não acompanhou essa vaga de crescimento.
“A freguesia da Quinta do Conde cresceu, mas não tem escolas para os filhos dos casais mais jovens, não tem um centro de saúde em condições e não tem as redes viárias e os passeios suficientes para a circulação de pessoas”.

Turismo no centro do debate 
O turismo, um dos setores mais produtivos do concelho, foi outro dos temas abordados pelos cinco candidatos. O candidato do Bloco de Esquerda,  Adelino Fortunato, diz que “a sazonalidade extrema, que só cria postos de trabalho não qualificados. Não é com esses empregos que vamos fixar a juventude, os jovens que fizeram cursos superiores, mestrados e doutoramentos, não vão fixar-se em Sesimbra. Nós precisamos de um modelo de turismo que crie empregos qualificados e é este o problema da melhoria ou não do concelho de Sesimbra”.
Argentina Marques, candidata do Movimento Sesimbra Unida, explica que “temos de apostar no desenvolvimento do nosso concelho. Se ele estiver desenvolvido, está preparado para receber qualquer turista”.
Já Américo Gegaloto (PS) referiu que o plano estratégico do turismo elaborado pelo gabinete do professor Augusto Mateus “foi direccionado para ter um certo resultado, tem lá uns indicadores e é uma boa base de trabalho, mas deve ser alavancado num conjunto de investimentos imobiliários da autarquia”.
Francisco Luís, da coligação Sesimbra Mais [PSD/CDS/PP] acrescentou que se deve “diversificar a oferta turística para criar mais turismo”.
Francisco Jesus explicou que “o que resulta da estratégia da CDU é a identificação do concelho de Sesimbra com o seu potencial turístico. Hoje temos uma melhoria do turismo e os dados não são nossos, são do instituto do turismo. Há de facto uma melhoria, mas não se deve apenas à melhoria da conjuntura económica. A requalificação na marginal, reabilitação urbana, a instalação do museu marítimo e inclusivamente a negociação e posse da fortaleza por um período significativo são contributos, que aliados à melhoria da conjuntura conduziram ao desenvolvimento económico do concelho”.

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