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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Trabalhadores da Autoeuropa decidem hoje se fazem greve

Novo SUV da fábrica de Palmela está em ponto morto 

Vivem-se dias de expectativa na Autoeuropa. Para esta segunda-feira estão marcados dois plenários de trabalhadores que poderão ser decisivos para desconvocar a greve de 30 de Agosto. É verdade que a empresa já iniciou a produção em série do T-Roc, o novo veículo utilitário desportivo da marca Volkswagen. Só que parte da produção pode estar em causa se não houver acordo com a administração da fábrica de Palmela e os trabalhadores mantiverem a recusa de trabalhar ao sábado. Por outro lado, o sindicato afeto à CGTP só retira pré-aviso de greve se administração fizer marcha atrás à proposta de trabalhar ao sábado. 
Trabalho ao sábado divide trabalhadores e administração 

Em declarações à agência Lusa, Eduardo Florindo, dirigente do SiteSul, referiu não acreditar que a marca alemã deslocalize a produção do T-Roc.
"Essa pressão que está a ser feita pelos responsáveis da VW vem no sentido de pressionarem os trabalhadores a aceitarem a proposta que fizeram. Até porque quando a empresa começar a produzir a 100 por cento, que é só em Fevereiro de 2018, esperamos que as coisas se resolvam e que as partes cheguem a um acordo".
Em entrevista ao Jornal de Negócios, o director-geral da Autoeuropa, Miguel Sanches, admitiu que a deslocalização de parte da produção é "um cenário que pode estar em cima da mesa, mas tanto a administração, como a equipa da Autoeuropa irão fazer todo o possível para evitar esse cenário e manter toda a produção do carro em Portugal".
A greve foi marcada para contestar as propostas de alteração de horário, recordou o dirigente sindical, indicando estar em causa a "obrigatoriedade de trabalhar aos sábados durante dois anos, fora os domingos e os feriados de que ninguém fala, pelo que na prática os trabalhadores passam o tempo todo na fábrica a trabalhar".
"E o desgaste da saúde que isto provoca, numa empresa que cada vez mais tem doenças profissionais", referiu o sindicalista.
A poucos dias da realização da greve, o responsável indicou que nenhuma das partes tentou qualquer contacto, explicando que as conclusões do plenário de segunda-feira deverão ser enviadas à administração.
O plenário vai servir para "esclarecer as dúvidas dos trabalhadores sobre os horários e preparar a greve do dia 30", acrescentou o sindicalista.
Eduardo Florindo admitiu que se a empresa não alterar a sua posição poderá ser marcada, "mais para a frente", uma outra reunião de trabalhadores para "discutir outras formas de luta, se for necessário".
Na quinta-feira, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA) informou que se vai juntar à greve de 30 de Agosto, ainda que "por razões diferentes".

Os avanços e recuos nas negociações 

No final de Julho, a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa decidiu convocar uma greve a todos turnos para 30 de Agosto, depois de a empresa ter anunciado que era preciso adoptar novos horários para assegurar a produção de 200 mil unidades do novo modelo T-Roc na fábrica de Palmela, quase triplicando a produção atingida em 2016.
Esta situação levou a empresa a decidir a abertura de um sexto dia de produção e a contratação de cerca de dois mil colaboradores, dos quais 750 são para implementar um sexto dia semanal de operação.
A Comissão de Trabalhadores e a administração chegaram então a um pré-acordo para os novos horários e turnos, que incluía uma compensação financeira de 175 euros acima do valor previsto na legislação. No entanto, esta proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da empresa, tendo contado apenas com 23,4 por cento de votos favoráveis num universo de 3.472 votantes, o que motivou a demissão da Comissão de Trabalhadores.
O SIMA dirigiu um pré-aviso de greve ao Conselho de Administração da empresa e aos ministérios do Trabalho e da Economia a informar que a paralisação vai ocorrer "da meia noite às 24 horas" da próxima quarta-feira, dia 30 de Agosto, tendo o secretário-geral do sindicato, José Simões, explicado à Lusa que esta greve terá lugar "por razões diferentes".
"Nós temos um contrato colectivo assinado no sector e os outros não têm contrato colectivo nenhum. O que se passou foi que houve uma reunião com a administração da empresa, em que nos apresentaram uma proposta, depois nós apresentámos as nossas alterações e, até agora, não houve resposta", explicou José Simões na quinta-feira, sem referir quantos trabalhadores da Autoeuropa estão representados pelo SIMA.

O novo T-Roc já foi apresentado 
O novo modelo construído em Palmela foi apresentado este mês 
A administração defende que só com a fábrica a funcionar seis dias por semana é que Palmela poderá responder às expectativas de procura do T-Roc. Para 2018, a fábrica portuguesa do grupo Volkswagen prevê montar um total de 240 mil carros, mais do dobro dos números de 2016 (85 125 veículos). 
Se não conseguir convencer os trabalhadores e não se chegar a acordo, o gigante automóvel já admite deslocalizar parte da produção para outras fábricas do grupo na Alemanha. “Não acreditamos que a Volkswagen faça isso. É uma chantagem”, responde o SITE Sul. 
Até lá, quer o grupo alemão quer o Governo português esperam que a administração e os trabalhadores da Autoeuropa, que vale um por cento do PIB português, cheguem rapidamente a um consenso. “Estou certo que será possível chegar a um entendimento e a uma solução satisfatórias para todas as partes”, manifestou o ministro da Economia, em declarações ao Dinheiro Vivo. Manuel Caldeira Cabral esteve reunido com o presidente da marca Volkswagen, Herbert Diess, horas antes da apresentação do novo SUV, na quarta-feira. 
O T-Roc foi apresentado pela primeira vez esta semana e irá competir com modelos como o Nissan Juke, o Renault Captur ou mesmo o Seat Arona, do próprio grupo Volkswagen. O novo modelo fabricado em Palmela deverá ter um preço base de 25 mil euros no mercado português e contará com versões a gasolina, gasóleo e híbrido plug-in (ligado à corrente). O SUV será vendido em todo o mundo, exceto na China e EUA.

Agência de Notícias com Lusa

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