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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Greve histórica na Autoeuropa divide sindicatos e empresa

Administração da Autoeuropa marca reunião com sindicatos na próxima semana

Os sindicatos mais representativos na Autoeuropa fizeram hoje um "balanço positivo" da paralisação desta quarta-feira, que dizem ter provocado a paragem da produção na fábrica de automóveis de Palmela, mas não avançam com números concretos sobre a adesão. A empresa diz que a greve teve uma "adesão de 41 por cento do total dos trabalhadores", revelou a administração, em comunicado. Contactada pela Lusa, fonte oficial disse que o "Ministério da Economia está a acompanhar a situação na Autoeuropa e espera que haja acordo entre ambas as partes", isto é, entre os trabalhadores e a administração da empresa. A administração já disse que irá reunir com os sindicatos a 7 de Setembro mas só admite negociar um acordo com a nova Comissão de Trabalhadores que será eleita a 3 de Outubro.  
Trabalho ao sábado motivou greve na maior fábrica do distrito 

“Fazemos um balanço muito positivo da greve. A Autoeuropa não produziu um único carro”, disse à agência Lusa Eduardo Florindo, do Sitesul, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, afeto à CGTP.
“Ficou demonstrada a unidade, a coesão e a solidariedade dos trabalhadores. E isto significa que os trabalhadores estão com os objetivos da convocatória desta greve”, acrescentou o sindicalista, que remete para a próxima semana um balanço mais detalhado da greve na Autoeuropa.
Questionado pela agência Lusa, Eduardo Florindo escusou-se a adiantar qualquer número sobre a adesão à greve desta quarta-feira por parte dos sindicatos e também não quis comentar os números avançados pela administração da Autoeuropa, que refere uma adesão de 41 por cento do total dos trabalhadores da empresa.
A Autoeuropa refere ainda que, "apesar do impacto negativo desta paralisação, a empresa contínua empenhada em encontrar um compromisso com os trabalhadores que crie, mantenha e assegure o emprego".
"Este compromisso deverá também garantir as encomendas dos nossos clientes para o novo modelo, que requer a laboração contínua em 18 turnos por semana", acrescenta o comunicado.
No documento, a administração da Autoeuropa considera que "para atingir este objetivo, é essencial dar continuidade ao processo de diálogo com uma comissão de trabalhadores (CT) eleita, à semelhança das boas práticas laborais da Volkswagen Autoeuropa e do Grupo Volkswagen" e promete ouvir as partes envolvidas no processo até à eleição da nova CT.

Os sábados da discórdia 

Os trabalhadores da Autoeuropa realizaram esta quarta-feira uma greve histórica e que constitui a primeira paralisação por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela.
A greve foi marcada após a rejeição de um pré-acordo entre a administração e a Comissão de Trabalhadores [que apresentou a demissão e convocou eleições para 3 de Outubro], devido à obrigatoriedade dos funcionários trabalharem ao sábado, como está previsto nos novos horários de laboração contínua que serão implementados a partir do próximo mês de Novembro.
Os trabalhadores alegam que, além do transtorno que a obrigatoriedade do trabalho ao sábado iria provocar nas suas vidas, a compensação financeira atribuída pela empresa também é muito inferior ao que iriam receber pelo trabalho extraordinário aos sábados.
De acordo com o novo modelo de horários, cada trabalhador iria rodar nos turnos da manhã e da tarde durante seis semanas e fará o turno da madrugada durante três semanas consecutivas, com uma folga fixa ao domingo e uma folga rotativa nos outros dias da semana.

Autoeuropa promete ouvir as partes envolvidas no processo
Fabrica de Palmela viveu a primeira greve na sua história 
A administração da Autoeuropa promete ouvir as partes envolvidas no processo, tendo já marcado uma reunião com os sindicatos para as 17 horas do próximo dia 7 de Setembro.
"Esperamos que a administração retire a atual proposta de novos horários e que seja possível negociar uma solução que corresponda aos anseios dos trabalhadores", disse à agência Lusa Eduardo Florindo, do Sitesul, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.
"Acreditamos que a disponibilidade da empresa para o diálogo vai levar a um entendimento entre as partes", acrescentou o sindicalista.
Questionado pela agência Lusa, Eduardo Florindo disse que os sindicatos não estão preocupados com a possibilidade de a administração da empresa só equacionar a hipótese de um eventual acordo com a futura Comissão de Trabalhadores, considerando que se trata de uma questão "irrelevante" e que "o mais importante é haver acordo, seja com os sindicatos ou com a futura Comissão de Trabalhadores".
O sindicalista garantiu que os trabalhadores da Autoeuropa nunca contestaram a necessidade de laboração contínua na fábrica de Palmela a partir de Novembro, mas apenas a obrigatoriedade de trabalharem ao sábado.
A disponibilidade dos trabalhadores para a laboração contínua na fábrica de automóveis de Palmela já estava, aliás, expressa no Acordo de Empresa para 2015/2016, subscrito pela Comissão de Trabalhadores.
"Para responder aos desafios e necessidades futuras de produção da fábrica, há que considerar a laboração contínua. Neste sentido, a empresa irá criar um modelo de horário(s) de trabalho, a implementar logo que seja necessário e respeitando o enquadramento legal", refere o ponto 12 do documento assinado a 25 de Novembro de 2015.
Quanto à possibilidade de se chegar rapidamente a um novo acordo sobre os horários de trabalho, Eduardo Florindo lembrou que a atual Comissão de Trabalhadores, demissionária, já tinha apresentado uma proposta alternativa a estes horários e admitiu a possibilidade de a administração da Autoeuropa vir a apresentar outras propostas mais vantajosas para os mais de três mil trabalhadores da fábrica de Palmela.
Contactada pela Lusa, fonte oficial disse que o "Ministério da Economia está a acompanhar a situação na Autoeuropa e espera que haja acordo entre ambas as partes", isto é, entre os trabalhadores e a administração da empresa.

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