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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Barreiro quer terminal sem prejudicar vista da marginal

Dimensão do projeto pode afetar a zona ribeirinha da cidade 

A Câmara do Barreiro defende o novo terminal de contentores no concelho, mas rejeita a hipótese de a vista da marginal no centro da cidade ser afetada pela infraestrutura, anunciou a autarquia. por outro lado, a União de Freguesias de Barreiro e Lavradio anunciou que rejeita “qualquer projecto” que ponha em causa a frente ribeirinha do concelho, referindo que é possível compatibilizar o terminal de contentores com a Avenida da Praia. A União de Freguesias, liderada por Ana Porfírio, refere que esta dimensão nunca tinha sido anunciada ou equacionada e constitui “uma grave agressão à qualidade de vida dos barreirenses”. PS e PSD também estão contra "à destruição" da zona ribeirinha da cidade. 
Barreiro não quer perder as vistas da Avenida Praia 

"A Câmara Municipal do Barreiro e o seu presidente têm defendido, desde sempre, que o terminal de contentores do Barreiro só será um contributo para o desenvolvimento do concelho, compatibilizando a atividade portuária com o projeto da Terceira Travessia do Tejo e com o ordenamento da cidade, incluindo a frente ribeirinha. A Avenida da Praia não pode ser afetada nas suas vistas", refere a autarquia, em comunicado.
A autarquia refere que pretende esclarecer as questões colocadas sobre o tema à Câmara, durante o Período de Discussão Pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Plataforma Multimodal do Barreiro.
As questões estão relacionadas com as imagens que existem sobre a implementação do terminal no território no EIA, em que é possível ver a expansão do terminal para a zona da avenida da Praia, a marginal no centro da cidade, afetando a sua vista sobre o rio e sobre Lisboa.
"A preservação da Avenida Bento Gonçalves, conhecida como Avenida da Praia, e a sua função essencial de ligação ao rio constitui objeto central da intervenção da Câmara  do Barreiro. Estas têm sido as posições assumidas pela autarquia barreirense em vários momentos e que serão reafirmadas na resposta formal, que está a ser preparada no âmbito da discussão pública do Estudo de Impacto Ambiental", acrescenta.
A autarquia defende que a primeira fase do terminal, com um cais de 796 metros, vá até ao início da avenida, na zona do Clube de Vale do Barreiro, e que a segunda fase, que prevê um aumento do cais para cerca de 1500 metros, se faça para nascente e não em direção à avenida.
A autarquia barreirense, liderada por Carlos Humberto, salienta ainda que a ampliação da atividade portuária no Barreiro é importante para a redinamização da atividade económica no território da ex-CUF/Quimigal,

PS quer estudo mais aprofundado 
Também Frederico Rosa, candidato do PS à Câmara do Barreiro, se manifestou contra o projeto, cujo EIA está em consulta pública.
“Para que fique claro desde já, a esta implantação do projecto, na extensão proposta, digo não”, frisou o candidato.
Frederico Rosa afirmou que o aumento da actividade portuária é desejável para o Barreiro, que a instalação de um Terminal de Contentores poderia criar sinergias e mais valias para a nossa comunidade, mas referiu que a infraestrutura “tem que se enquadrar na nossa estratégia e não se transformar na estratégia em si mesma”.
“Não aceito que se pendure mais uma vez o futuro do nosso desenvolvimento num único projeto que, ainda por cima, depende de terceiros. Conhecemos este caminho e vivemos com os seus maus resultados. Uma decisão definitiva, se queremos ser responsáveis, só pode ser afirmada após a conclusão de todos os estudos ambientais e de viabilidade económica que nos permitam saber qual o real impacto que vai ter na cidade, seja ele ambiental, paisagístico, social ou económico”, disse o socialista. 


"Este projeto nunca tinha sido apresentado à população" diz o PSD 
Bruno Vitorino, vereador e candidato do PSD à Câmara Municipal do Barreiro, já tinha exigido esclarecimentos ao governo e à autarquia, referindo que o potencial da zona ribeirinha do Barreiro iria ser "destruído".
"Este projeto nunca tinha sido apresentado à população. É muito estranho o facto de somente agora, em fase de consulta pública, o mesmo surja, uma vez que alterou totalmente o projeto inicial que tinha sido discutido e que sempre teve em cima da mesa", disse, salientando que é preciso "compatibilizar as diferentes atividades económicas e turísticas".
Bruno Vitorino diz mesmo que as imagens desse novo projeto são “absurdas” pois assim iria “arruinar completamente um dos pontos estratégicos do Barreiro, que é a Avenida da Praia e a sua vista para o rio, bem como todo o seu potencial turístico. O que é importante é compatibilizar as diferentes actividades económicas, algo que sempre esteve previsto”.

União de Freguesias de Barreiro e Lavradio estranha dimensão da obra 
A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio também rejeita “qualquer projecto” que ponha em causa a frente ribeirinha do concelho, referindo que é possível compatibilizar o terminal de contentores com a Avenida da Praia.
“No Estudo de Impacte Ambiental do Projecto do Terminal Portuário do Barreiro, que está em consulta pública, o mesmo se se propõe abarcar toda a frente ribeirinha, na Avenida Bento Gonçalves, sensivelmente até ao fim do Parque Infantil junto ao “Moinho do Jim””, refere em comunicado.
A União de Freguesias, liderada por Ana Porfírio (CDU), refere que esta dimensão nunca tinha sido anunciada ou equacionada e constitui “uma grave agressão à qualidade de vida dos barreirenses”.
“Causa a destruição do que é por todos reconhecido como um local invejável, aprazível, potenciador de várias situações, desde a prática de desportos náuticos a zonas de lazer, que tem sido alvo nos últimos anos de sucessivos investimentos”, acrescenta.
A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio refere que apesar da “importância inequívoca” de criação de postos de trabalho que permitam o crescimento económico do concelho, “estes não podem ser feitos a qualquer custo, como aconteceu no passado”.
“O crescimento económico pode e deve ser sustentável e potenciador de melhoria de condições de vida da população e não o inverso. Acreditamos que é possível a construção do equipamento no sentido oposto, fazendo uma ligação natural à estrutura portuária existente no território da Baía Tejo, conforme Plano de Urbanização da Quimiparque, mantendo assim a aprazível frente Ribeirinha para usufruto da população do Concelho do Barreiro. A União de Freguesias de Barreiro e Lavradio rejeita qualquer projecto que ponha em causa a frente Ribeirinha”, referiu.

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