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sexta-feira, 5 de maio de 2017

"Abrigo" debateu papel social da infância no Montijo

São necessários "mais apoios" para crianças em risco

"Portugal necessita de respostas mais rápidas e mais afinadas do que aquilo que tem", disse Luís Villas-Boas perante centenas de pessoas, no painel `Ser Criança em Portugal´, do IV Fórum Abrigo, no Montijo. No encontro organizado pela Abrigo - Associação Portuguesa de Apoio à Criança, Luís Villas-Boas disse também que a ausência desses apoios indispensáveis para muitas famílias pode fazer com que algumas situações de pobreza evoluam para uma "situação de descontrolo".  A prevenção com uma intervenção precoce na criança foi uma das conclusões do IV Fórum da Abrigo, tendo sido dado como exemplo o caso do jogo da 'Baleia Azul'.  Sob o tema dos desafios de ser criança no séc. XXI,  várias personalidades discutiram as dificuldades das crianças neste século, abordando temas como a austeridade, a natalidade e o trabalho infantil.
Portugal precisa de mais respostas na ajuda à infância 

O moderador do painel, o antigo ministro da Justiça Laborinho Lúcio, começou por sublinhar a importância da prevenção, lembrando que os problemas vividos pelas crianças em situação de pobreza e de exclusão acabam por se repercutir na idade juvenil e na adolescência.
"As sombras e as luzes da infância repercutem-se na idade juvenil. É justo que tudo façamos para prevenir", disse Laborinho Lúcio, convicto de que muitas destas situações de crianças em risco estão associadas a situações de pobreza que é preciso erradicar do país.
Uma opinião partilhada pelo presidente do Instituto da Segurança Social, Rui Fiolhais, que enunciou um conjunto de medidas adotadas pelo atual governo do PS para dar resposta às necessidades de muitas crianças e famílias, como o alargamento do abono de família a cerca de 90 mil famílias, mais apoios a pessoas com deficiência e uma reformulação do Rendimento Social de Inserção, "com enfoque no cumprimento das obrigações individuais, das famílias e das crianças".
Rui Fiolhais referiu também as novas parcerias recentemente estabelecidas entre o governo e os operadores do setor social, que se inserem numa estratégia de combate aos fenómenos de pobreza, de que as crianças são muitas vezes as principais vítimas.
O painel `Ser Criança em Portugal´ começou com uma breve intervenção do Juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, aplaudido de pé pelos participantes no encontro, em sinal de reconhecimento pelo trabalho que tem desenvolvido ao longo de toda a vida profissional na defesa dos direitos das crianças.

"Intervenção precoce é essencial" para evitar casos como a 'Baleia Azul'"
Um bom ambiente familiar evita problemas futuros 
É necessária uma aposta na prevenção, com uma intervenção precoce na criança. O caso do jogo da 'Baleia Azul' é um exemplo disse mesmo e foi hoje aqui muito falado", disse Cátia Sá Guerreiro, do programa de Gestão de Organizações Sociais, responsável pela apresentação das conclusões.
Ao longo de todo o dia, o Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, acolheu o IV Fórum Abrigo, com o tema "Séc XXI - O desafio de ser Criança", com várias intervenções nos diferentes painéis.
A mesma responsável defendeu a necessidade de se trabalhar de uma forma integrada e salientou que muitos dos problemas são transversais a todo o mundo, como a prostituição, mendicidade ou a violência de género.
"Existiram grandes ganhos nos cuidados à criança, como a vacinação, que permitiu reduzir a mortalidade infantil. O acesso à educação e a proibição de castigos corporais foram também ganhos importantes", salientou.
No caso de Portugal, Cátia Sá Guerreiro referiu que a Justiça é "amiga da criança", mas destacou alguns dos problemas existentes, como o excesso de tempo na escola, os muitos trabalhos de casa e a falta de jantares e de passarem tempo em família.
"A lei laboral não pode ficar fora das discussões. Se queremos passar mais tempo com os filhos, tem que haver alterações e esse é também um dos desafios", salientou.
A responsável acrescentou que o ser pobre não é sinónimo de maus-tratos, referindo que também se registam casos "nas franjas mais elevadas" da sociedade.

Os projetos da Abrigo para o Montijo e Alcochete 
Fundada em 2002, a Abrigo já tem um terreno cedido pela Câmara do Montijo e projeto aprovado pela Segurança Social para a construção de um Centro de Acolhimento Temporário para crianças em risco, com um custo estimado entre um e dois milhões de euros, mas para o qual não há apoios comunitários disponíveis.
Trata-se de um equipamento que poderá acolher 52 crianças numa primeira fase, mas que, numa segunda fase, poderá vir a ter uma capacidade total para 86 crianças.
Para além deste projeto, a Abrigo tem já em funcionamento um Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, que já deu apoio a mais de 200 crianças e a uma centena de famílias, nos concelhos do Montijo e de Alcochete.
A Abrigo tem também um outro projeto - a Abrigo Investigação - um centro de documentação a funcionar na Biblioteca Municipal de Alcochete, que já tem mais de 500 referências bibliográficas na área da crianças em risco que se propõe realizar vários trabalhados de investigação, com a colaboração de diversas universidades.

Agência de Notícias com Lusa 

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