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sexta-feira, 31 de março de 2017

Cordão humano na Quinta do Conde por nova escola

Cerca de quatro mil alunos reivindicaram a construção de uma escola secundária

Cerca de quatro mil alunos participaram esta quinta-feira num cordão humano organizado para reivindicar a construção de uma escola secundária na Quinta do Conde, em Sesimbra, disse à Lusa fonte da organização. "O nosso objetivo era manter o pretexto e dizer que a escola realmente é imperativa aqui", explicou a presidente da comissão executiva da Associação de Pais da Escola Básica Integrada da Quinta do Conde, Ana Oliveira, que organizou o cordão humano juntamente com as restantes associações de pais da Quinta do Conde, a Junta de Freguesia e a Câmara de Sesimbra. O cordão humano uniu as sedes dos três agrupamentos de escolas da Quinta do Conde - a Escola Básica Integrada da Boa Água, a Escola Básica Integrada da Quinta do Conde e a Escola Básica 2,3+S Michel Giacometti.

Alunos encheram as ruas da Quinta do Conde esta quinta-feira

A construção de uma nova escola secundária na Quinta do Conde já esteve prevista pela empresa pública Parque Escolar e a Assembleia da República também já aprovou vários projetos de resolução, do PS, BE, PCP e PEV, que recomendam a construção daquele equipamento, reclamado pela população há mais de uma década, mas que tarda em ser construído.
A escola secundária que existe na Quinta do Conde - Escola Básica 2,3+S Michel Giacometti - tem capacidade para 900 alunos e "está a abarrotar" com 1400 alunos, neste ano letivo, alguns dos quais têm aulas em "pavilhões provisórios" que ali estão "há vinte anos", indicou Ana Oliveira.
A Associação de Pais  reforça que o número de alunos a frequentar o ensino secundário no concelho regista "crescimento ao longo dos últimos anos", tanto no ensino regular como no profissional, e que as escolas estão sobrelotadas.
A Escola Básica 2,3+S Michel Giacometti, que "não foi concebida, nem construída" para alunos do ensino secundário, recebeu no ano letivo 2016/2017 um total de 20 turmas nesse nível de ensino.
Já a Escola Secundária de Sampaio, em Sesimbra, foi construída para 30 turmas e alberga 34 turmas de ensino secundário, juntamente com mais oito turmas do 9.º ano.
A responsável sublinhou que a principal preocupação das associações de pais é que, ao serem transferidos para escolas da periferia, os alunos tenham de se "levantar muito cedo" para apanhar "três transportes que levam duas horas, no mínimo, para cada lado do percurso".
"Mesmo dentro do agrupamento, para a escola de Sesimbra, eles levam imenso tempo porque não há afluência de transportes. As crianças que saem às 16h30 e só têm transportes às 17h30 ou 17h45", sublinhou Ana Oliveira.  Os alunos em causa têm idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos.
A situação agrava-se porque estes alunos, quando chegam às escolas da periferia, têm de se matricular num curso que esteja "disponível" depois das inscrições dos estudantes dessas localidades e não "na opção em que estão mais interessados ou que têm vocação", acrescentou a responsável da Associação de Pais.
Estes fatores conjugados resultam em que os jovens não tenham as "horas de descanso necessárias" nesta faixa etária, andem de transportes públicos "uma data de horas" diariamente e, quando chegam a casa só querem "tomar banho, comer e ir para a cama, não têm cabeça para estar a estudar", considerou Ana Oliveira.

"Os sucessivos governos foram adiando a construção da Escola" 
Após o cordão humano houve um conjunto de intervenções na Escola Básica 2,3+S Michel Giacometti, onde estiveram o presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, Vítor Antunes, e a vereadora da Educação da Câmara de Sesimbra, Felícia Costa.
"A vereadora disse que está na luta connosco, que tem feito tudo o que está ao alcance da Câmara. Fizeram várias reivindicações, reuniram com o Ministério da Educação mas a resposta é sempre a mesma: sabe que há necessidade, mas continuam a fazer estudos", explicou a responsável da associação de pais.
"A construção desta escola já estava prevista na primeira carta educativa do concelho, em 2002", sublinhou Felícia Costa, tendo lembrado que apesar de todas as ações promovidas pela comunidade quintacondense, Câmara Municipal e Junta de Freguesia, "os sucessivos governos foram adiando a obra numa freguesia que foi das que mais cresceu em termos demográficos nos últimos anos, e investiu em escolas noutros concelhos, que têm vindo a perder alunos", disse Felícia Costa.
A autarca agradeceu à comunidade o envolvimento na iniciativa frisando que "não é o último momento de luta para obrigar os governantes a perceber que a Quinta do Conde precisa, não só da escola, mas também de outros equipamentos".
A opinião foi partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, Vítor Antunes. "A Junta está solidária e empenhada nesta luta que não é de agora. E a prova disso é que, em 23 de Outubro de 2009, foi assinado um ofício dirigido à Parque Escolar a solicitar uma reunião urgente sobre este assunto mas, apesar de todas as insistências, petições e até da recomendação da Assembleia da República, em Fevereiro de 2016, este assunto tarda em estar resolvido", afirmou o autarca.

Pais aderiram em força ao cordão humano 
População da Quinta do Conde reclama escola nova na vila 
A Câmara de Sesimbra e as associações de pais da Quinta do Conde já entregaram um estudo demográfico com dados que vão desde o número da população, a área onde residem, o facto de estarem bem localizados e haver acessibilidades e ainda os transportes e o número de alunos que vão para as escolas das periferias.
O cordão juntou ainda crianças e idosos do Centro Comunitário da Quinta do Conde, Anime e muitos encarregados de educação, como foi o caso de Gilberto Nifrásio. "Vim hoje porque percebo a urgência da construção da escola. Por isso saúdo esta iniciativa", disse.
Pelo mesmo motivo marcou presença Emília Leite. "Partilho a preocupação dos outros pais relativamente a esta matéria porque considero que a escola é absolutamente necessária. Esta ação é, por isso, mais uma forma de pressionar os governantes para este problema", sublinhou.
A responsável pela Associação de Pais da Escola Básica Integrada da Quinta do Conde concluiu ainda dizendo que querem "apenas um edifício normal, com paredes, portas e chão e que os miúdos tenham condições para estarem a estudar". 
Refira-se que a construção da nova escola secundária da Quinta do Conde está prevista para a Ribeira do Marchante, num terreno cedido pela Câmara  de Sesimbra.






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