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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Concessionários da Caparica temem efeitos do mau tempo

Mau tempo no mar a partir de quinta-feira assusta moradores e comerciantes da Costa 

A Marinha Portuguesa e a Autoridade Marítima Nacional alertaram para o agravamento severo do estado do mar a partir de quarta-feira, nos Açores, e de quinta-feira, no Continente, aconselhando a tomada de medidas de prevenção.  A previsão de ventos fortes e ondas gigantes está a assustar as zonas ribeirinhas. Na Costa de Caparica, em Almada, a Associação dos Apoios de Praia da Frente Urbana, criticou  a ausência de um seguro para fenómenos naturais, referindo que "todas as companhias têm chutado para o canto" a ideia de o criar. "Era interessante, porque, naturalmente, pagaríamos um prémio de seguro, mas, se calhar, estávamos um pouco mais salvaguardados", afirmou o presidente da associação, Acácio Bernardo, referindo-se à criação de um seguro para intempéries.
Previsão de ondas gigantes preocupa comerciantes e moradores 

Atualmente, todos os apoios de praia da frente urbana da Costa de Caparica, que são 21 concessionários, "têm seguro, mas é um seguro normal, portanto não contempla intempéries", referiu o dirigente, explicando que os prejuízos do mau tempo têm que ser custeados pelos empresários.
"Há dois anos, quando houve aqui grandes inundações, colocámos essa questão [do seguro para intempéries] a nível superior e até a entidades como a Agência Portuguesa do Ambiente, para que pudessem 'forçar' alguma companhia ou companhias de seguros a fazerem algum seguro em conjunto com a associação ou individual, mas todas as companhias têm chutado para o canto", disse Acácio Bernardo.
Sobre a previsão de condições adversas no mar para os próximos dias, o presidente da associação assegurou que os 21 apoios de praia da frente urbana Costa da Caparica estão "atentos" e precavidos, optando por salvaguardar alguns bens.
"Não vamos com certeza ser apanhados de surpresa", declarou Acácio Bernardo, advogando que os concessionários de praia já estão "habituados, infelizmente", ao mau tempo nesta altura do ano.
De acordo com o representante, o comando do Porto de Lisboa enviou um e-mail para a associação, "tratando e pondo em realce as ondas que vão aparecer nos próximos dois, três dias".
"Estamos aqui há muitos anos e, naturalmente, são situações para nós consideradas normais nesta altura. Não é nada de extraordinário, portanto não fazemos muito mais do que aquilo que é normal fazermos todos os anos por esta altura", referiu Acácio Bernardo, acrescentando que os apoios de praia que estão mais expostos ao mar fecham durante as intempéries.
O representante estima que todos os concessionários de praia ainda estejam abertos, uma vez que, "neste momento, o mar não está assim tão agitado quanto, provavelmente, virá a estar".

Ondas de 10 metros a partir desta quarta-feira 
Mais de 1500 civis e militares da Marinha Portuguesa e da Autoridade Marítima Nacional vão estar envolvidos na monitorização, prevenção e salvamento durante a tempestade que vai atingir a costa portuguesa a partir desta quarta-feira.
Segundo o comandante naval vice-almirante Gouveia e Melo, que hoje deu uma conferência de imprensa para fazer o ponto da situação, as condições adversas no mar são comparáveis à tempestade "Hércules", que, em 2014, provocou ondas de grande dimensão que atingiram primeiro os Açores e, posteriormente, Portugal continental.
Gouveia e Melo explicou que "o olho do furacão" vai passar nos Açores na quarta-feira, com a previsão de vagas de 12 metros, e atingir entre quinta e sexta-feira o continente, com vagas de oito metros, e a Madeira, com vagas de seis metros.
As condições do mar só deverão começar a melhorar a partir da noite e madrugada de sábado. A Marinha, adiantou, reforçará o seu dispositivo habitual para a resposta a situações de busca e salvamento no mar, através da presença no grupo central da Região Autónoma dos Açores do navio patrulha oceânico. 
No continente terá mais uma corveta na zona marítima do norte, de uma corveta em Sines, de uma fragata em prontidão de 2 horas na Base Naval de Lisboa e de três lanchas de fiscalização rápidas na costa sul do Algarve.

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