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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Líder de falsa seita em Palmela em silêncio no julgamento

Principal suspeito da seita Verdade Celestial remeteu-se ao silêncio no tribunal

O principal arguido no processo por alegado abuso sexual de crianças numa quinta de Brejos do Assa, em Palmela, remeteu-se ao silêncio na primeira sessão do julgamento, que começou esta semana no Tribunal de Setúbal, informou fonte judicial. O líder da falsa seita religiosa responde por dezenas de crimes de violação, lenocínio e pornografia de menores. Segundo a mesma fonte, dois dos oito arguidos suspeitos de envolvimento na prática de diversos crimes relacionados com abusos sexuais de crianças, aceitaram prestar declarações ao tribunal. O julgamento prossegue esta quinta-feira. 
Seita atuava em Brejos do Assa, no concelho de Palmela 

A primeira sessão do julgamento, que decorreu à porta fechada, estava inicialmente marcada para 15 de novembro do ano passado, mas foi adiada para hoje porque uma das arguidas quis mudar de advogado.
De acordo com a acusação, o líder do grupo e principal arguido no processo, que se fazia passar por psicólogo e que se intitulava como mestre da falsa seita religiosa "Verdade Celestial" - que não passava, afinal, de uma estratégia de manipulação e encobrimento dos abusos sexuais de crianças -, responde por dezenas de crimes de violação, lenocínio e pornografia de menores, entre outros.
Segundo a acusação, os arguidos "revelavam um total desrespeito pelas crianças" que frequentavam a quinta, para terem explicações ou participarem em atividades organizadas pelo líder do grupo, que as convencia de que as sevícias sexuais a que eram sujeitas, eram, afinal, "atos purificadores".
O caso só chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal devido à denúncia de uma pessoa que terá sido maltratada pelo líder da alegada seita religiosa, quando manifestou intenção de abandonar o local.
Na sequência da denúncia, a PJ efetuou uma operação policial, em junho de 2015, que culminou com a detenção de oito pessoas - cinco homens e três mulheres -, cinco dos quais continuam em prisão preventiva.
Na mesma operação, a polícia apreendeu computadores, colchões, vídeos e fotografias que constituem elementos de prova dos crimes praticados.
Os crimes ocorreram numa quinta rodeada por diversas habitações, mas os residentes nos Brejos do Assa, no concelho de Palmela, nunca se terão apercebido do que realmente se passava, uma vez que as vedações altas ajudavam a esconder o que se passava no interior daquele espaço.
As próximas sessões do julgamento estão marcadas para esta quinta-feira e sexta-feira.

Agência de Notícias com Lusa

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