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terça-feira, 1 de março de 2016

Sines em greve dois dias por semana durante um mês

Trabalhadores da refinaria da Petrogal querem acordo de empresa 

Os trabalhadores da refinaria da Petrogal, em Sines, decidiram ontem convocar greves parciais, de 48 horas por semana, pela manutenção do acordo de empresa e direitos adquiridos, em plenário efectuado em Santiago do Cacém. "Vamos avançar com nova jornada de luta, agora com dois dias por semana, das zero horas de quinta-feira às 24 horas de sexta-feira, durante um período de um mês", disse à Lusa o sindicalista Hélder Guerreiro, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul. 

Trabalhadores em greve parcial durante um mês 

"A empresa pediu a caducidade do nosso acordo de empresa e de todos os mecanismos que temos em vigor que estão apensos ao acordo de empresa. Nós entendemos que os direitos dos trabalhadores não caducam e vamos lutar pelos nossos direitos", acrescentou o responsável do sindicato.
Segundo Hélder Guerreio, que falava à Lusa depois do plenário realizado na Biblioteca de Santiago do Cacém, em que participaram apenas algumas dezenas de trabalhadores, a caducidade do acordo de empresa traria graves prejuízos para os trabalhadores, com a redução do trabalho suplementar, redução de dias de férias, redução de dias de folga para trabalhadores dos turnos e redução de direitos na área da saúde e complementos de reforma.
Desde o dia 22 de Janeiro que os trabalhadores da refinaria de Sines estavam a cumprir greves parciais de apenas oito horas por semana, mas na reunião plenária realizada esta segunda-feira decidiram agravar as formas de luta face à ausência de respostas por parte da administração da empresa.
De acordo com o sindicalista Hélder Guerreiro, a paralisação de 48 horas por semana, que abrange todos os trabalhadores da Petrogal (cerca de 500 na refinaria de Sines e dois mil a nível nacional), deverá ter início em  Março, após concertação de datas com outras estruturas sindicais, na refinaria do Porto e na sede da empresa.
Quanto a eventuais consequências da greve agora anunciada, Hélder Guerreiro diz que os trabalhadores da refinaria de Sines conseguem impedir o abastecimento de camiões-tanque e o carregamento de navios e operações de manutenção, mas não prevê qualquer dificuldade na distribuição de combustíveis a nível nacional.
"Para já não prevemos qualquer dificuldade, mas estamos num crescendo da luta. Há uma tendência para a radicalização. No futuro, não sabemos se, avançando com lutas mais prolongadas, isso não poderá pôr em causa os abastecimentos. Mas para já não é essa a perspetiva", disse o dirigente sindical, acrescentando que não se compreende a retirada de direitos aos trabalhadores uma vez que a empresa obteve os maiores lucros de sempre no ano passado.


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